Cristo A Igreja

Plano Encontro 2 Dia 127

Dia 127 ▾
Aa
Tamanho Fonte Tema

Leitura do livro

Atos dos Apóstolos, páginas 205-206

isto”, disse, “que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão ao rebanho; e que dentre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (At 20:28-30). Paulo tremia pela igreja quando, olhando para o futuro, via os ataques que ela sofreria de inimigos externos e internos. Com solene fervor exortou seus irmãos a guardar vigilantes seu sagrado depósito. Como exemplo apresentou-lhes seu próprio infatigável trabalho entre eles: “Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós.”

“Agora pois, irmãos”, continuou ele, “encomendo-vos a Deus e à palavra de Sua graça; a Ele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados. De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestido.” Alguns dos irmãos efésios eram ricos; mas Paulo jamais procurara tirar deles benefício pessoal. Não fazia parte de sua mensagem chamar a atenção para as suas próprias necessidades. “Para o que me era necessário a mim”, declarou, “e aos que estavam comigo, estas mãos me serviram” (At 20:31-34). Em meio a seus árduos labores e extensas jornadas pela causa de Cristo, ele fora capaz não apenas de suprir suas próprias necessidades, mas de poupar alguma coisa para o sustento dos seus companheiros de trabalho e ajuda aos pobres dignos. Isto ele conseguiu somente por incessante diligência e estrita economia. Bem podia ele apontar a seu próprio exemplo, quando disse: “Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.

“E havendo dito isto pôs-se de joelhos, e orou com todos eles. E levantou-se um grande pranto entre todos, e, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam, entristecendo-se muito, principalmente pela palavra que dissera, que não veriam mais o seu rosto. E acompanharam-no até ao navio” (At 20:35-38).

De Mileto os viajantes navegaram “caminho direito... a Cós, e no dia seguinte a Rodes, de onde” passaram “a Pátara”, na praia sudoeste da Ásia Menor, onde “achando um navio que ia para a Fenícia”, embarcaram nele e partiram. Em Tiro, onde o navio foi descarregado, acharam uns poucos discípulos, com quem lhes foi permitido ficar sete dias. Pelo Espírito Santo foram esses discípulos advertidos dos perigos que aguardavam a Paulo em Jerusalém, e eles insistiram com ele, “que não subissem a Jerusalém” (At 21:1-4). Mas o apóstolo não permitiu que o temor de provações e encarceramento o demovesse de seu propósito.

Ao final da semana passada em Tiro, todos os irmãos, com suas esposas e filhos, foram com Paulo ao navio, e antes que ele embarcasse, ajoelharam na praia e oraram, ele por eles, e eles por ele.

Prosseguindo sua jornada rumo ao sul, os viajantes chegaram a Cesaréia; “e, entrando em casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete” (At 21:8), ficaram com ele. Aqui Paulo passou uns poucos dias, pacíficos e felizes - os últimos da perfeita liberdade de que ele devia usufruir por muito tempo.

Enquanto Paulo se demorava em Cesaréia, “chegou da Judéia um profeta, por nome Ágabo; e, vindo ter conosco”, conta Lucas, “tomou a cinta de Paulo, e ligando-se os seus

próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus em Jerusalém o varão de quem é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios”.

“E, ouvindo nós isto”, continua Lucas, “rogamos-lhes, tanto nós como os que eram daquele lugar, que não subisse a Jerusalém.” Mas Paulo não se desviaria do caminho do dever. Seguiria a Cristo se necessário à prisão e à morte. “Que fazeis vós chorando e magoando-me o coração?” exclamou; “porque eu estou pronto, não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.” Vendo que lhe causavam sofrimento sem mudar o propósito, os irmãos cessaram de insistir, dizendo apenas: “Faça-se a vontade do Senhor” (At 21:10-14).

Logo chegou o momento em que a breve estada em Cesaréia teve fim, e acompanhado por alguns dos irmãos, Paulo e sua comitiva partiram para Jerusalém, com o coração profundamente anuviado pelo pressentimento de males vindouros.

Nunca dantes havia o apóstolo se acercado de Jerusalém com o coração tão entristecido. Sabia que encontraria poucos amigos e muitos inimigos. Estava-se aproximando da cidade que tinha rejeitado e matado o Filho de Deus, e sobre a qual agora pairavam as ameaças da ira divina. Relembrando quão amargos tinham sido seus próprios preconceitos contra os seguidores de Cristo, sentia a mais profunda piedade por seus iludidos compatriotas. E no entanto, quão pouco podia ele esperar ser capaz de fazer para ajudá-los! A mesma ira cega que inflamara outrora o seu coração, ardia agora com inaudito poder no coração de toda uma nação contra ele.

E ele não poderia contar com a simpatia e o auxílio de seus próprios irmãos na fé. Os inconvertidos judeus que lhe haviam tão de perto seguido os passos, não haviam demorado em fazer circular em Jerusalém os boatos mais desfavoráveis sobre ele e sua obra, tanto por carta como pessoalmente; e alguns, mesmo dentre os apóstolos e anciãos, tinham tomado esses relatos por verdadeiros, nada fazendo para contradizê-los, e não manifestando desejo de se harmonizarem com ele.

Se bem que assaltado de desânimo, o apóstolo não se desesperara. Confiava em que a voz que lhe falara ao próprio coração ainda falaria ao de seus concidadãos, e que o Mestre a quem os condiscípulos amavam e serviam uniria ainda seus corações ao dele na obra do evangelho

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

Abrir em sua própria página