Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 99
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Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 180-182
“Deram-Me mal pelo bem, e ódio pelo Meu amor”. Salmos 109:5. Aquele que deu no monte o preceito: “Amai os vossos inimigos” (Mateus 5:44), exemplificou Ele próprio o princípio, não tornando “mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo”. 1 Pedro 3:9.
Os mesmos sacerdotes que haviam condenado o leproso ao banimento, atestaram-lhe a cura. Essa sentença, proferida e registrada publicamente, constituía firme testemunho em favor de Cristo. E ao ser o homem reintegrado, sadio, na congregação de Israel, sob a afirmação dos próprios sacerdotes de que não havia nele vestígio da moléstia, tornou-se vivo testemunho de seu Benfeitor. Apresentou alegremente a oferta, e engrandeceu o nome de Jesus. Os sacerdotes estavam convencidos do divino poder do Salvador. Foi-lhes dada a oportunidade de conhecer a verdade e serem beneficiados pela luz. Rejeitada, ela passaria, para nunca mais voltar. Muitos rejeitaram a luz; ela não foi, todavia, dada em vão. Foram tocados muitos corações que, por algum tempo, não deram disso sinal. Durante a vida do Salvador, Sua missão parecia despertar pouca correspondência de amor da parte dos sacerdotes e mestres; depois de Sua ascensão, porém, “grande parte dos sacerdotes obedecia à fé”. Atos dos Apóstolos 6:7.
A obra de Cristo em purificar o leproso de sua terrível doença, é uma ilustração de Sua obra em libertar a pessoa do pecado. O homem que foi ter com Jesus estava cheio de lepra. O mortal veneno da moléstia penetrara-lhe todo o corpo. Os discípulos procuraram impedir o Mestre de o tocar; pois aquele que tocava num leproso, tornava-se por sua vez imundo. Pondo a mão sobre o doente, porém, Jesus não sofreu nenhuma contaminação. Seu contato comunicou poder vitalizante. Foi purificada a lepra. O mesmo se dá quanto à lepra do pecado — profundamente arraigada, mortal e impossível de ser purificada por poder humano. “Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres”. Isaías 1:5, 6. Mas Jesus, vindo habitar na humanidade, não recebe nenhuma contaminação. Sua presença tem virtude que cura o pecador. Quem quer que Lhe caia de joelhos aos pés, dizendo com fé: “Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo”, ouvirá a resposta: “Quero: sê limpo”. Mateus 8:2, 3.
Em alguns casos de cura, Jesus não concedeu imediatamente a bênção buscada. No caso da lepra, todavia, tão depressa foi feito o apelo, seguiu-se a promessa. Quando pedimos bênçãos terrestres, a resposta a nossa oração talvez seja retardada, ou Deus nos dê outra coisa que não aquilo que pedimos; não assim, porém, quando pedimos livramento do pecado. É Sua vontade limpar-nos dele, tornar-nos Seus filhos, e habilitar-nos a viver uma vida santa. Cristo “Se deu a Si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai”. Gálatas 1:4. E “esta é a confiança que temos nEle, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a Sua vontade, Ele nos ouve. E, se sabemos que
nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que Lhe fizemos”. 1 João 5:14, 15. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça”. 1 João 1:9.
Na cura do paralítico de Cafarnaum, Cristo tornou a ensinar a mesma verdade. Foi para manifestar Seu poder de perdoar pecados, que o milagre se realizou. E a cura do paralítico também ilustra outras preciosas verdades. É plena de esperança e animação, e do ponto de vista de sua relação para com os astutos fariseus, encerra igualmente uma advertência.
Como o leproso, esse paralítico perdera toda a esperança de restabelecimento. Sua doença era resultado de uma vida pecaminosa, e seus sofrimentos amargurados pelo remorso. Por muito tempo apelara para os fariseus e os doutores, esperando alívio do sofrimento mental e físico. Mas eles friamente o declaravam incurável, abandonando-o à ira de Deus. Os fariseus consideravam a doença como testemunho do desagrado divino, e mantinham-se a distância do enfermo e do necessitado. Todavia, muitas vezes esses próprios que se exaltavam como santos, eram mais culpados que as vítimas que condenavam.
O paralítico achava-se de todo impotente e, não vendo nenhuma perspectiva de auxílio de qualquer lado, caíra no desespero. Ouvira então falar das maravilhosas obras de Jesus. Foi-lhe dito que outros, tão pecadores e desamparados como ele, haviam sido curados; até mesmo leprosos tinham sido purificados. E os amigos que relatavam essas coisas animavam-no a crer que também ele poderia ser curado, caso fosse conduzido a Jesus. Desfaleceu-se-lhe, no entanto, a esperança ao lembrar-se da maneira por que lhe sobreviera a enfermidade. Temeu que o imaculado médico não o tolerasse em Sua presença.
Não era, entretanto, o restabelecimento físico, que desejava tanto, mas o alívio ao fardo do pecado. Se pudesse ver a Jesus, e receber a certeza do perdão e a paz com o Céu, estaria contente de viver ou morrer, segundo a vontade de Deus. O grito do moribundo, era: Oh! se eu pudesse chegar à Sua presença! Não havia tempo a perder; já sua consumida carne começava a mostrar indícios de decomposição. Rogou aos amigos que o conduzissem em seu leito a Jesus, o que empreenderam de boa vontade. Tão compacta, porém, era a multidão que se apinhara dentro e nos arredores da casa em que Se achava o Salvador, que impossível foi ao doente e aos amigos ir até Ele, ou mesmo chegar-Lhe ao alcance da voz.
Jesus estava ensinando na casa de Pedro. Segundo seu costume, os discípulos sentaram-se-Lhe bem próximo, em torno, e “estavam ali assentados fariseus e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galiléia e da Judéia, e de Jerusalém”. Estes tinham ido como espias, buscando motivo de acusação contra Jesus. Além desses oficiais, apinhava-se
a multidão mista — os sinceros, os reverentes, os curiosos e os incrédulos. Nacionalidades diversas, e todos os graus sociais se achavam representados. “E a virtude do Senhor estava com Ele para curar.” O Espírito de vida pairava por sobre a assembléia, mas fariseus e doutores não Lhe discerniam a presença. Não experimentavam nenhum sentimento de necessidade, e a cura não era para eles. “Encheu de bens os famintos, e despediu vazios os ricos”. Lucas 1:53.
Repetidamente procuraram os condutores do paralítico abrir caminho por entre a multidão, mas em vão. O enfermo olhava em derredor de si com indizível angústia. Quando o tão ansiado socorro tão perto estava, como poderia renunciar à esperança? Por sugestão sua, os amigos o levaram ao telhado e, abrindo um buraco no teto, baixaram-no aos pés de Jesus. O discurso foi interrompido. O Salvador contemplou o doloroso semblante, e viu os suplicantes olhos fixos nEle. Compreendeu; tinha atraído a Si aquele perplexo e duvidoso espírito. Enquanto o paralítico ainda se achava em casa, o Salvador infundira-lhe convicção na consciência. Quando se arrependera de seus pecados, e crera no poder de Jesus para o curar, as vitalizantes misericórdias do Salvador haviam começado a beneficiar-lhe o anelante coração. Jesus observara o primeiro lampejo de fé transformar-se em crença de que Ele era o único auxílio do pecador, e vira-o tornar-se mais e mais forte a cada novo esforço para chegar a Sua presença.
Agora, em palavras que soaram qual música aos ouvidos do enfermo, o Salvador disse: “Filho, tem bom ânimo; perdoados te são os teus pecados”. Mateus 9:2.
O fardo de desespero cai da mente do doente; repousa-lhe no espírito a paz do perdão, brilhando-lhe no semblante. O sofrimento físico desaparece, e todo o seu ser é transformado. O impotente paralítico estava curado, perdoado o culpado pecador!
Em fé singela aceitou as palavras de Jesus como o favor de uma nova vida. Não insiste em nenhum outro pedido, mas permanece em jubiloso silêncio, demasiado feliz para se exprimir em palavras. A luz do Céu irradiava-lhe da fisionomia, e o povo contemplava a cena com assombro.
Os rabis haviam esperado ansiosamente a ver que faria Jesus com esse caso. Lembravam-se de como o homem apelara para eles, em busca de auxílio, e lhe tinham recusado esperança ou simpatia. Não satisfeitos com isso, haviam declarado que estava sofrendo a maldição de Deus por causa de seus pecados. Tudo isso lhes acudiu novamente à lembrança ao verem o enfermo diante de si. Observaram o interesse com que todos contemplavam a cena, e experimentaram terrível temor de perder a influência sobre o povo.
Esses dignitários não trocaram palavras, mas olhando-se leram no rosto uns dos outros o mesmo pensamento de que alguma coisa se devia
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White