Cristo O Caminho

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O Desejado de Todas as Nações, páginas 183-184

fazer para deter a onda dos sentimentos. Jesus declarara que os pecados do paralítico estavam perdoados. Os fariseus tomaram essas palavras como blasfêmia, e conceberam a idéia de apresentá-las como pecado digno de morte. Disseram em seu coração: “Ele blasfema; quem pode perdoar pecados senão só Deus?” Mateus 9:3.

Fixando sobre eles o olhar, sob o qual se acovardaram e recuaram, disse Jesus: “Por que pensais mal em vossos corações? Pois qual é mais fácil dizer: Perdoados te são os pecados; ou dizer: Levanta-te e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na Terra autoridade para perdoar pecados”, disse então ao paralítico: “Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa”. Mateus 9:4-6.

Então aquele que fora levado a Cristo num leito, pôs-se de pé num salto, com a elasticidade e o vigor da juventude. A vitalizante seiva agita-se-lhe nas veias. Cada órgão de seu corpo rompe em súbita atividade. As cores da saúde sucedem à palidez da morte próxima. “E levantou-se, e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal vimos”. Marcos 2:12.

Oh! maravilhoso amor de Cristo, inclinando-se para curar o culpado e o aflito! A Divindade compadecendo-Se dos males da sofredora humanidade, e suavizando-os! Oh! maravilhoso poder assim manifestado aos olhos dos filhos dos homens! Quem pode duvidar da mensagem de salvação? Quem pode menosprezar as misericórdias de tão compassivo Redentor?

Nada menos que poder criador era necessário para restituir a saúde àquele decadente corpo. A mesma voz que comunicou vida ao homem criado do pó da terra, transmitiu-a ao moribundo paralítico. E o mesmo poder que dera vida ao corpo, renovara-lhe o coração. Aquele que, na criação, “falou, e tudo se fez”, “mandou, e logo tudo apareceu” (Salmos 33:9) comunicara vida à pessoa morta em ofensas e pecados. A cura do corpo era um testemunho do poder que renovara o coração. Cristo pediu ao paralítico que se erguesse e andasse, “para que saibais”, disse Ele, “que o Filho do homem tem na Terra poder para perdoar pecados”. Marcos 2:10.

O paralítico encontrou em Cristo cura tanto para o corpo como para o espírito. A cura espiritual foi seguida da restauração física. Essa lição não devia ser desatendida. Existem hoje milhares de vítimas de sofrimentos físicos, os quais, como o paralítico, estão anelando a mensagem: “Perdoados estão os teus pecados.” O fardo do pecado, com seu desassossego e insatisfeitos desejos, é o fundamento de suas doenças. Não podem encontrar alívio, enquanto não forem ter com o grande Médico. A paz que unicamente Ele pode dar, comunicar vigor à mente e saúde ao corpo.

Jesus veio para “desfazer as obras do diabo”. 1 João 3:8. “NEle estava a vida” (João 1:4) e Ele diz: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância”. João 10:10. Jesus é “espírito vivificante”. 1 Coríntios 15:45. E possui

ainda o mesmo poder vitalizante que tinha quando na Terra curava o doente, e assegurava o perdão ao pecador. “Perdoa todas as tuas iniqüidades”, “sara todas as tuas enfermidades”. Salmos 103:3.

O efeito produzido sobre o povo pela cura do paralítico, foi como se o Céu se houvesse aberto, revelando as glórias do mundo melhor. Ao passar o homem curado por entre a multidão, bendizendo a Deus a cada passo, e levando sua carga como se fosse uma pena, o povo recuava para lhe dar passagem e presa de assombro fitavam-no, falando entre si brandamente em segredo: “Hoje vimos prodígios.”

Os fariseus estavam mudos de espanto, e esmagados pela derrota. Viram que não havia aí lugar para seu ciúme despertar a multidão. A maravilhosa obra vista no homem que fora entregue à ira de Deus impressionara por tal forma o povo que naquele momento os rabis foram esquecidos. Viram que Cristo possuía um poder que tinham atribuído unicamente a Deus; todavia, a suave dignidade de Sua atitude apresentava assinalado contraste com o porte altivo deles. Ficaram desconcertados e confundidos, reconhecendo, mas não confessando, a presença de um Ser superior. Quanto mais forte era a evidência de que Jesus tinha poder na Terra para perdoar pecados, tanto mais firmemente se entrincheiravam na incredulidade. Da casa de Pedro, onde tinham assistido ao restabelecimento do paralítico por Sua palavra, saíram para formular novos planos, a fim de reduzir ao silêncio o Filho de Deus.

A enfermidade física, se bem que maligna e fundamente arraigada, foi afastada pelo poder de Cristo; a enfermidade espiritual, porém, firmou o império sobre os que fecharam os olhos à luz. A lepra e a paralisia não eram tão terríveis quanto a hipocrisia e a incredulidade.

Na casa do paralítico restaurado foi grande o regozijo quando ele voltou para a família, conduzindo com facilidade o leito em que, pouco antes, fora vagarosamente levado de perto deles. Reuniram-se-lhe em torno com lágrimas de alegria, mal ousando crer no que seus olhos viam. Ali estava ele em sua presença, no pleno vigor da varonilidade. Os braços que tinham visto sem vida, estavam prontos a obedecer imediatamente a sua vontade. A carne, contraída e arroxeada, achava-se agora rosada e fresca. Caminhava com passo firme e desembaraçado. A alegria e a esperança achavam-se-lhe impressas em cada linha do rosto; e uma expressão de pureza e paz havia substituído os vestígios do pecado e do sofrimento. Daquele lar ascenderam jubilosas ações de graças, e Deus foi glorificado por meio do Filho, que restituíra a esperança ao abatido e força ao aflito. Esse homem e sua família estavam dispostos a dar a vida por Jesus. Nenhuma dúvida lhes enfraquecia a fé, nenhuma incredulidade lhes maculava a lealdade para com Aquele que lhes levara luz ao ensombrado lar.

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

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