Cristo O Caminho

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O Desejado de Todas as Nações, páginas 173-174

o mal; o fascinante prazer do princípio de sua carreira termina nas trevas do desespero ou na loucura de uma mente arruinada.

O mesmo espírito mau que tentara a Cristo no deserto e, possuía o louco de Cafarnaum, dominava os incrédulos judeus. Para com eles, porém, assumia ar de piedade, buscando enganá-los quanto aos motivos que tinham em rejeitar o Salvador. Sua condição era mais desesperadora que a do endemoninhado; pois não sentiam necessidade de Cristo, sendo assim mantidos seguros sob o poder de Satanás.

O período do ministério pessoal de Cristo entre os homens foi o tempo de maior atividade das forças do reino das trevas. Durante séculos, Satanás e seus anjos haviam estado procurando controlar o corpo e a mente dos homens, para trazer sobre eles pecados e sofrimentos; depois, acusara a Deus de toda essa miséria. Jesus estava revelando aos homens o caráter de Deus. Estava a despedaçar o poder de Satanás, libertando-lhe os cativos. Nova vida e amor do Céu moviam o coração dos homens, e o príncipe do mal despertou para contender pela supremacia de seu reino. Satanás convocou todas as suas forças, e a cada passo combatia a obra de Cristo.

Assim será na grande batalha final do conflito entre a justiça e o pecado. Ao passo que nova vida e luz e poder descem do alto sobre os discípulos de Cristo, uma vida nova está brotando de baixo, e revigorando os instrumentos de Satanás. A intensidade se está apoderando de todo elemento terrestre. Com uma sutileza adquirida através de séculos de conflito, o príncipe do mal opera disfarçadamente. Aparece vestido como anjo de luz, e multidões estão “dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios”. 1 Timóteo 4:1.

Nos dias de Cristo os guias e mestres de Israel eram impotentes para resistir a Satanás. Negligenciavam o único meio pelo qual se podiam opor aos maus espíritos. Foi pela Palavra de Deus que Cristo venceu o maligno. Os guias de Israel professavam ser expositores da Palavra de Deus, mas haviam-na estudado apenas para apoiar suas tradições, e impor suas observâncias de origem humana. Haviam, por suas interpretações, feito com que ela exprimisse sentimentos que Deus nunca tivera em mente. Suas místicas apresentações tornavam indistinto aquilo que Ele fizera claro. Disputavam sobre insignificantes questões de técnica, e negavam por assim dizer as verdades essenciais. Assim, difundia-se amplamente a infidelidade. Roubavam à Palavra de Deus a sua força, e os espíritos maus operavam à vontade.

A história se está repetindo. Tendo a Bíblia aberta diante de si, e professando respeitar-lhe os ensinos, muitos dos guias religiosos de nossa época estão destruindo a fé nela como Palavra de Deus. Ocupam-se em dissecar a Palavra, e estabelecer as próprias opiniões acima de suas declarações positivas. A Palavra de Deus perde, em suas mãos, o poder regenerador. É por isso que a incredulidade campeia, e reina a iniqüidade.

Depois de minar a fé na Bíblia, Satanás encaminha os homens a outras fontes em busca de luz e poder. Assim se insinua ele. Os que se desviam dos claros ensinos da Escritura, e do poder convincente do Espírito Santo de Deus, estão convidando o domínio dos demônios. A crítica e as especulações concernentes às Escrituras, têm aberto o caminho ao espiritismo e à teosofia — essas formas modernas do antigo paganismo — para conseguir firmar-se mesmo nas professas igrejas de nosso Senhor Jesus Cristo.

Lado a lado com a pregação do evangelho, acham-se a operar forças que não são senão médiuns de espíritos de mentira. Muito homem se intromete com elas por mera curiosidade, mas vendo demonstrações de forças sobre-humanas, é fascinado a ir sempre mais adiante, até que fica dominado por uma vontade mais forte que a sua própria. Não lhe pode escapar ao misterioso poder.

São derrubadas as defesas da mente. Não tem barreira contra o pecado. Uma vez que as restrições da Palavra de Deus e de Seu Espírito são rejeitadas, homem algum pode saber a que profundezas de degradação é capaz de imergir. Um pecado secreto ou paixão dominadora o pode reter cativo tão impotente como era o endemoninhado de Cafarnaum. Todavia, seu estado não é desesperador.

O meio por que podemos vencer o maligno, é aquele pelo qual Cristo venceu — o poder da Palavra. Deus não nos rege a mente sem nosso consentimento; mas se desejamos conhecer e fazer Sua vontade, pertence-nos a promessa: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. João 8:32. “Se alguém quiser fazer a vontade dEle, conhecerá a respeito da doutrina”. João 7:17. Mediante a fé nessas promessas, todo homem poderá ser libertado dos ardis do erro e do domínio do pecado.

Todo homem é livre para escolher que poder o regerá. Ninguém caiu tão fundo, ninguém é tão vil, que não possa encontrar libertação em Cristo. O endemoninhado, em lugar de uma oração, só pôde proferir as palavras de Satanás; todavia, foi ouvido o mudo apelo do coração. Nenhum grito de uma pessoa em necessidade, embora deixe de ser expresso em palavras, ficará desatendido. Os que consentirem em entrar com o Deus do Céu num concerto, não serão deixados entregues ao poder de Satanás, ou às fraquezas de sua própria natureza. São convidados pelo Salvador: “Que se apodere da Minha força, e faça paz comigo; sim, que faça paz comigo”. Isaías 27:5. Os espíritos das trevas hão de combater pela pessoa que uma vez lhes caiu sob o domínio, mas anjos de Deus hão de contender por aqueles com predominante poder. Diz o Senhor: “Tirar-se-ia a presa ao valente? Ou escapariam os legalmente presos? [...] Assim diz o Senhor: Por certo que os presos se tirarão ao valente, e a presa do tirano escapará; porque Eu contenderei com os que contendem contigo, e os teus filhos Eu remirei”. Isaías 49:24, 25.

Enquanto todos na sinagoga ainda se achavam sob o domínio do espanto,

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

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