Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 94
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Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 175-176
Jesus retirou-Se para a casa de Pedro, a fim de repousar um pouco. Mas também ali baixara uma sombra. A mãe da esposa de Pedro jazia enferma, presa de “muita febre”. Jesus repreendeu a moléstia, e a doente ergueu-se, e atendeu às necessidades do Mestre e dos discípulos.
Por toda Cafarnaum, logo se espalharam as novas da obra de Cristo. O povo, por temor dos rabis, não ousou ir em busca de cura durante o sábado; mas assim que o Sol se ocultou no horizonte, notou-se grande agitação. Das casas de famílias, das lojas, das praças, afluíam os habitantes para a humilde morada em que Jesus Se abrigara. Os enfermos eram levados em leitos, ou apoiados em bordões, ou ajudados por amigos arrastavam-se debilmente à presença do Salvador.
Durante horas a fio vinham e voltavam; pois ninguém sabia se o dia seguinte ainda encontraria o Médico entre eles. Nunca antes fora Cafarnaum espetáculo de um dia como esse. O espaço enchia-se de vozes de triunfo e aclamações pela libertação. O Salvador regozijava-Se no regozijo que produzira. Ao testemunhar os sofrimentos dos que tinham ido ter com Ele, o coração movera-se-Lhe de simpatia e alegrou-Se em Seu poder de restaurá-los à saúde e felicidade.
Enquanto o último enfermo não foi curado, Jesus não cessou de trabalhar. Ia alta a noite quando a multidão partiu e o silêncio baixou sobre o lar de Simão. Passara o longo dia, cheio de atividades, e Jesus procurou repouso. Mas, estando a cidade ainda imersa no sono, o Salvador “levantando-Se alta madrugada, saiu, e foi para um lugar deserto, e ali orava”.
Assim se passavam os dias na vida terrestre de Jesus. Muitas vezes despedia os discípulos, a fim de visitarem o lar e repousar; mas resistia-lhes brandamente aos esforços para O afastar de Seus labores. O dia todo labutava Ele, ensinando o ignorante, curando o enfermo, dando vista ao cego, alimentando a multidão; e na vigília da noite, ou cedo de manhã, saía para o santuário das montanhas, em busca de comunhão com Seu Pai. Passava por vezes a noite inteira a orar e meditar, voltando ao raiar do dia ao Seu trabalho entre o povo.
De manhã cedo, Pedro e os companheiros foram ter com Jesus, dizendo que já o povo de Cafarnaum O procurava. Os discípulos tinham ficado amargamente decepcionados com a recepção que Cristo tivera até então. As autoridades de Jerusalém O estavam buscando matar; Seus próprios concidadãos Lhe tinham tentado tirar a vida; mas em Cafarnaum era Ele recebido com jubiloso entusiasmo, e as esperanças dos discípulos se reanimaram. Talvez que, entre os galileus amantes de liberdade, se houvessem de achar os sustentáculos do novo reino. Com surpresa, porém, ouviram as Palavras de Cristo: “É necessário que Eu anuncie a outras cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso fui enviado.”
Na agitação que então dominava em Cafarnaum, havia perigo de que se perdesse de vista o objetivo de Sua missão. Jesus não ficava satisfeito de chamar a atenção meramente como operador de maravilhas ou médico de enfermidades físicas. Buscava atrair os homens a Si como seu Salvador. Ao passo que o povo estava ansioso de crer que Ele viera como rei, para estabelecer um reino terrestre, Jesus desejava desviar-lhes o espírito do terreno para o espiritual. O simples êxito mundano estorvaria Sua obra.
E a admiração da descuidosa turba desagradava-Lhe ao espírito. Em Sua vida não cabia nenhum amor-próprio. A homenagem que o mundo presta à posição, à riqueza, ou ao talento, era coisa estranha ao Filho do homem. Nenhum dos processos empregados pelos homens para conseguir a obediência ou impor respeito, era usado por Jesus. Séculos antes de Seu nascimento, fora dEle profetizado: “Não clamará, não Se exaltará, nem fará ouvir a Sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; em verdade produzirá o juízo; não faltará nem será quebrantado, até que ponha na Terra o juízo”. Isaías 42:2-4.
Os fariseus procuravam distinção mediante seu escrupuloso cerimonialismo, e a ostentação de seu culto e caridades. Mostravam zelo pela religião, fazendo dela o tema de discussões. Em voz alta e longas eram as disputas entre as seitas opostas, e não era coisa incomum ouvirem-se na rua vozes de zangadas contendas da parte de instruídos doutores da lei.
Assinalado contraste com tudo isso oferecia a vida de Jesus. Nela, nenhuma ruidosa discussão, nenhuma ostentação de culto, nenhum ato visando a aplausos foi jamais testemunhado. Cristo estava escondido em Deus, e Deus era revelado no caráter de Seu Filho. Era a essa revelação que Jesus desejava fosse dirigido o espírito do povo, e rendidas suas homenagens.
O Sol da Justiça não rompeu sobre o mundo em esplendor, para deslumbrar os sentidos com Sua glória. Está escrito a respeito de Cristo: “Como a alva será a Sua saída”. Oséias 6:3. Calma e suavemente surge o dia na Terra, dissipando as sombras das trevas, e despertando o mundo para a vida. Assim Se ergueu o Sol da Justiça “com a cura nas Suas asas” (Malaquias 4:2 (TT).
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White