Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 80
Este plano não foi iniciado. Marque a leitura como lida para iniciá-lo hoje.
Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 152-153
que João vingasse sua morte condenando-o, a ele e a sua casa. Herodes estava ceifando aquilo que Deus declarara ser o resultado do pecado — “coração tremente, e desfalecimento dos olhos, e desmaio da alma. E a tua vida como suspensa estará diante de ti; e estremecerás de noite e de dia, e não crerás na tua própria vida. Pela manhã dirás: Ah! quem me dera ver a noite! E à tarde dirás: Ah! quem me dera ver a manhã! pelo pasmo de teu coração, com que pasmarás, e pelo que verás com os teus olhos”. Deuteronômio 28:65-67. Os próprios pensamentos do pecador são seus acusadores; e não pode haver mais penetrante tortura que os aguilhões da consciência culpada, que não lhe dá repouso nem de dia nem de noite.
Para muitos espíritos, um profundo mistério envolve a sorte de João Batista. Indagam porque teria sido deixado a definhar-se e perecer na prisão. O mistério dessa escura providência, nossa visão humana não pode penetrar; não poderá, no entanto, nunca abalar nossa confiança em Deus, quando nos lembramos de que João nada mais foi do que um participante dos sofrimentos de Cristo. Todos quantos O seguem hão de cingir a coroa do sacrifício. Serão indubitavelmente malcompreendidos pelos egoístas, e se tornarão alvo dos ferozes assaltos de Satanás. Esse princípio de abnegação é que seu reino se propôs destruir, e guerreá-lo-á onde quer que se manifeste.
A infância, juventude e idade adulta de João caracterizam-se pela firmeza e poder moral. Quando sua voz se fizera ouvir no deserto, dizendo: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as Suas veredas” (Mateus 3:3), Satanás temeu pela segurança de seu reino. A culpabilidade do pecado era revelada de tal maneira, que os homens tremiam. Foi despedaçado o poder de Satanás sobre muitos que lhe haviam estado sob o controle. Ele fora incansável em procurar afastar o Batista de uma vida de incondicional submissão a Deus; fracassara, porém. E fracassara igualmente quanto a Jesus. Na tentação do deserto, Satanás fora derrotado, e grande havia sido seu furor. Decidira agora causar dor a Cristo, ferindo a João. Àquele a quem não conseguia instigar ao pecado, havia de causar sofrimento.
Jesus não Se interpôs para livrar Seu servo. Sabia que João havia de suportar a prova. De boa vontade teria o Salvador ido ter com João, para, com Sua presença, aclarar-lhe as sombras do cárcere. Mas não Se devia colocar nas mãos dos inimigos e pôr em perigo Sua própria missão. Com prazer teria libertado Seu fiel servo. Mas por amor de milhares que haveriam em anos posteriores, de passar da prisão para a morte, João devia beber o cálice do martírio. Ao haverem os seguidores de Jesus de definhar em solitárias celas, ou perecer pela espada, e pela tortura, ou na fogueira, aparentemente abandonados de Deus e do homem, que esteio não lhes seria ao coração o pensamento de que João Batista, de cuja fidelidade o próprio Cristo dera testemunho, passara por idêntica experiência!
Foi permitido a Satanás abreviar a vida terrena do mensageiro de Deus; mas aquela vida que “está escondida com Cristo em Deus” (Colossences 3:3), o destruidor não podia atingir. Exultou por haver ocasionado aflição a Jesus, mas fracassara em vencer a João. A morte em si mesma apenas o colocara para sempre além do poder da tentação. Nessa contenda Satanás estava revelando o próprio caráter. Manifestou, em presença do expectante Universo, sua inimizade para com Deus e o homem.
Conquanto nenhum miraculoso livramento fosse proporcionado a João, ele não fora abandonado. Tivera sempre a companhia dos anjos celestiais, que lhe abriram as profecias concernentes a Cristo, e as preciosas promessas da Escritura. Estas foram seu sustentáculo, como haviam de ser do povo de Deus nos séculos por vir. A João Batista, como aos que vieram depois dele, foi dada a segurança: “Eis que Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos”. Mateus 28:20.
Deus nunca dirige Seus filhos de maneira diversa daquela por que eles próprios haveriam de preferir ser guiados, se pudessem ver o fim desde o princípio, e perscrutar a glória do desígnio que estão realizando como colaboradores Seus. Nem Enoque, que foi trasladado ao Céu, nem Elias, que ascendeu num carro de fogo, foi maior ou mais honrado do que João Batista, que pereceu sozinho na prisão. “A vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nEle, como também padecer por Ele”. Filipenses 1:29. E de todos os dons que o Céu pode conceder aos homens, a participação com Cristo em Seus sofrimentos é o mais importante depósito e a mais elevada honra.
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White