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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 96-98

A esta sábia provisão para as necessidades espirituais de seus súditos, Josafá deveu muito de sua prosperidade como governante. Na obediência à lei de Deus há grande ganho. Na conformidade aos divinos requisitos há um poder transformador que leva paz e boa vontade entre os homens. Se os ensinos da Palavra de Deus tivessem influência controladora na vida de todo homem e mulher, se a mente e o coração fossem postos sob seu poder moderador, os males que agora existem na vida nacional e social não teriam lugar. De cada lar emanaria uma influência que tornaria fortes homens e mulheres no discernimento espiritual e no poder moral, e assim nações e indivíduos seriam colocados em terreno vantajoso.

Por muitos anos Josafá viveu em paz, sem ser molestado pelas nações vizinhas. “Veio o temor do Senhor sobre todos os reinos da terra, que estavam em roda de Judá”. 2 Crônicas 17:10. Dos filisteus recebia tributo em dinheiro e presentes; da Arábia, grandes rebanhos de ovelhas e cabras. “Cresceu, pois, Josafá e se engrandeceu extremamente; e edificou fortalezas e cidades de munições em Judá. [...] Gente de guerra, varões valentes em Jerusalém, [...] estavam no serviço do rei, afora os que o rei tinha posto nas cidades fortes por todo o Judá”. 2 Crônicas 17:12-19. Abençoado abundantemente com “riquezas e glória” (2 Crônicas 18:1), estava ele capacitado a exercer poderosa influência em favor da verdade e da justiça.

Alguns anos depois de haver subido ao trono, Josafá, agora no auge de sua prosperidade, permitiu o casamento de seu filho, Jeorão, com Atalia, filha de Acabe e Jezabel. Por esta união foi formada entre os reis de Judá e de Israel uma aliança que não fora ordenada por Deus, e que num tempo de crise levou ao desastre o rei e muitos de seus súditos.

Numa ocasião, Josafá visitou o rei de Israel em Samaria. Honra especial foi mostrada para com o real hóspede de Jerusalém; e antes que encerrasse sua visita, foi ele persuadido a unir-se com o rei de Israel numa guerra contra os sírios. Acabe esperava que pela união de suas forças com as de Judá ele poderia reconquistar Ramote, uma das cidades de refúgio que, sustentava ele, por direito pertencia aos israelitas.

Conquanto num momento de fraqueza houvesse Josafá precipitadamente prometido unir-se ao rei de Israel em sua guerra contra os sírios, melhor juízo levou contudo a procurar saber a vontade de Deus concernente a este cometimento. “Consulta, hoje, peço-te, a palavra do Senhor”, ele sugeriu a Acabe. Em resposta, Acabe reuniu quatrocentos dos profetas falsos de Samaria, e perguntou-lhes: “Iremos à guerra contra Ramote-Gileade, ou deixá-lo-ei?” E eles responderam: “Sobe, porque Deus a dará na mão do rei”. 2 Crônicas 18:4, 5.

Não satisfeito, Josafá procurou conhecer com certeza a vontade de Deus. “Não há ainda aqui profeta algum do Senhor”, perguntou ele, “para que o consultemos?” “Ainda há um homem por quem podemos consultar ao Senhor”, respondeu Acabe, “porém eu o aborreço, porque

nunca profetiza de mim bem senão sempre mal; ele é Micaías, filho de Inlá”. 1 Reis 22:8. Josafá ficou firme em seu pedido de que um homem de Deus fosse chamado; e ao apresentar-se diante deles e ser conjurado por Acabe a não dizer “senão a verdade em nome do Senhor”, Micaías disse: “Vi a todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm pastor; e disse o Senhor: Estes não têm senhor; torne cada um em paz para a sua casa”. 1 Reis 22:16, 17.

As palavras do profeta deviam ter sido suficientes para mostrar aos reis que seu projeto não era favorecido pelo Céu; mas nenhum dos dois governantes sentiu-se inclinado a acatar a advertência. Acabe havia traçado seu caminho, e estava determinado a segui-lo. Josafá havia empenhado sua palavra de honra: “Seremos contigo nesta guerra” (2 Crônicas 18:3); e depois de haver feito tal promessa, ficou relutante em retirar suas forças. “Assim o rei de Israel e Josafá, rei de Judá, subiram a Ramote de Gileade”. 1 Reis 22:29.

Durante a batalha que se seguiu, Acabe foi acometido por uma flecha, e ao entardecer morreu. “E depois do Sol posto passou um pregão pelo exército, dizendo: Cada um para a sua cidade, e cada um para a sua terra”. 1 Reis 22:36. Assim se cumpriu a palavra do profeta.

Dessa desastrosa batalha Josafá retornou a Jerusalém. Ao aproximar-se da cidade, o profeta Jeú veio-lhe ao encontro com a reprovação: “Devias tu ajudar ao ímpio, e amar aqueles que ao Senhor aborrecem? Por isso virá sobre ti grande ira de diante do Senhor. Boas coisas contudo se acharam em ti, porque tiraste os bosques da terra, e preparaste o teu coração, para buscar a Deus”. 2 Crônicas 19:2, 3.

Os últimos anos do reinado de Josafá foram em grande parte gastos no fortalecimento da defesa nacional e espiritual de Judá. Ele “tornou a passar pelo povo desde Berseba até as montanhas de Efraim, e fez com que tornassem ao Senhor Deus de seus pais”. 2 Crônicas 19:4.

Uma das importantes medidas tomadas pelo rei foi o estabelecimento e manutenção de eficientes tribunais de justiça. Ele “estabeleceu juízes na terra, em todas as cidades fortes, de cidade em cidade”; e no encargo que lhes dera admoestou: “Vede o que fazeis; porque não julgais da parte do homem, senão da parte do Senhor, e Ele está convosco no negócio do juízo. Agora, pois, seja o temor do Senhor convosco; guardai-o, e fazei-o, porque não há no Senhor nosso Deus iniqüidade nem aceitação de pessoas, nem aceitação de presentes”. 2 Crônicas 19:5-7.

O sistema judicial foi aperfeiçoado pela fundação de uma Corte de Apelação em Jerusalém, onde Josafá “estabeleceu alguns dos levitas e dos sacerdotes e dos chefes dos pais de Israel sobre o juízo do Senhor, e sobre as causas judiciais”. 2 Crônicas 19:8.

O rei exortou esses juízes a que fossem fiéis. “Assim andai no temor do Senhor com fidelidade, e com coração inteiro”, ordenou-lhes. “E em

toda a diferença que vier a vós de vossos irmãos, que habitam nas suas cidades, entre sangue e sangue, entre lei e mandamento, entre estatutos e juízos, admoestai-os, que se não façam culpados para com o Senhor, e não venha grande ira sobre vós, e sobre vossos irmãos. Fazei assim, e não vos fareis culpados.

“E eis aqui Amarias, o sumo sacerdote, presidirá sobre vós em todo o negócio do Senhor; e Zebadias, filho de Ismael, príncipe da casa de Judá, em todo o negócio do rei; também os oficiais, os levitas, estão perante vós.

“Esforçai-vos, pois, e fazei-o, e o Senhor será com os bons”. 2 Crônicas 19:9-11. Nessa cuidadosa salvaguarda dos direitos e liberdade de seus súditos, Josafá deu ênfase à consideração que cada membro da família humana recebe do Deus de justiça, que governa sobre todos. “Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses”. E todos os que são apontados para agir como juízes sob Sua administração, devem “defender o pobre e o órfão; fazer justiça ao aflito e necessitado”, tirando-os “das mãos dos ímpios”. Salmos 82:1, 3, 4.

Aproximando-se o fim do reinado de Josafá, o reino de Judá foi invadido por um exército ante cuja aproximação os habitantes da terra tinham razões para tremer. “Os filhos de Moabe, e os filhos de Amom, e com eles alguns outros dos amonitas, vieram à peleja contra Josafá”. Notícias desta invasão haviam alcançado o reino através de um mensageiro, que apareceu com a alarmante palavra: “Vem contra ti uma grande multidão dalém do mar e da Síria; e eis que já estão em Hazazom-Tamar, que é En-Gedi”. 2 Crônicas 20:1, 2.

Josafá era um homem de coragem e valor. Durante anos, estivera fortalecendo seus exércitos e suas cidades fortificadas. Ele estava bem preparado para enfrentar praticamente qualquer inimigo; contudo, nesta crise não pôs sua confiança no braço de carne. Não mediante disciplinados exércitos e cidades muradas, mas por uma viva fé no Deus de Israel, poderia ele esperar alcançar a vitória sobre esses pagãos que se vangloriavam de seu poder para humilhar Judá aos olhos das nações.

“Então, Josafá temeu e pôs-se a buscar o Senhor, e apregoou jejum em todo o Judá. E Judá se ajuntou, para pedir socorro ao Senhor; também de todas as cidades de Judá vieram para buscarem o Senhor”. 2 Crônicas 20:3, 4.

Em pé no recinto do templo perante seu povo, Josafá derramou sua alma em oração, pleiteando as promessas de Deus, com confissão da fragilidade de Israel. “Ah Senhor, Deus de nossos pais”, ele suplicava, “porventura não és Tu Deus nos Céus? Pois Tu és Dominador sobre todos os reinos das gentes, e na Tua mão há força e poder, e não há quem Te possa resistir. Porventura, ó Deus nosso, não lançaste Tu fora os moradores desta terra, de diante do Teu povo Israel, e não a deste à semente de Abraão, Teu amigo, para sempre? E habitaram nela, e edificaram nela um santuário ao Teu nome, dizendo: Se algum mal nos sobrevier, espada, juízo, peste, ou fome,

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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