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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 95-96

Capítulo 15 — Josafá

Até sua chamada ao trono, com a idade de 35 anos, Josafá tivera perante si o exemplo do bom rei Asa, que em quase toda crise fizera “o que parecia reto aos olhos do Senhor”. 1 Reis 15:11. Durante um próspero reinado de vinte e cinco anos, Josafá procurou andar “em todos os caminhos de seu pai Asa”, e “não se desviou deles”. 1 Reis 22:43.

Em seus esforços para reinar sabiamente, Josafá procurou persuadir seus súditos a tomarem posição firme contra as práticas idólatras. Muitos dentre o povo em seu domínio “sacrificavam e queimavam incenso nos altos”. 1 Reis 22:44. O rei não destruiu de vez esses santuários; mas desde o início procurou salvaguardar Judá dos pecados que caracterizavam o reino do norte sob o governo de Acabe, de quem fora contemporâneo durante muitos anos. Josafá era pessoalmente leal a Deus. Ele “não buscou a Baalins. Antes buscou ao Deus de seu pai, e andou nos Seus mandamentos, e não segundo as obras de Israel”. Por causa de sua integridade, o Senhor era com ele, e “confirmou o reino na sua mão”. 2 Crônicas 17:3-5.

“Todo o Judá deu presentes a Josafá; e teve riquezas e glória em abundância. E exaltou-se o seu coração nos caminhos do Senhor”. 2 Crônicas 17:5, 6. Com o passar do tempo e o prosseguimento das reformas, o rei “tirou os altos e os bosques de Judá”. 2 Crônicas 17:6. “Também desterrou da terra o resto dos rapazes escandalosos, que ficaram nos dias de seu pai Asa”. 1 Reis 22:47. Assim, gradualmente os habitantes de Judá ficaram libertos de muitos dos perigos que estavam ameaçando seriamente retardar seu desenvolvimento espiritual.

Através do reino o povo estava necessitado de instrução na lei de Deus. Na compreensão desta lei estava a sua segurança; na conformação de sua vida aos seus requisitos, tornar-se-iam leais tanto a Deus como ao homem. Sabendo disto, Josafá tomou medidas para assegurar a seu povo integral instrução nas Santas Escrituras. Os príncipes que tinham o encargo das diferentes partes do seu domínio foram orientados no sentido de disporem para o fiel ministério de sacerdotes instrutores. Por real indicação, esses mestres, trabalhando sob a direta supervisão dos príncipes, “rodearam todas as cidades de Judá, e ensinaram entre o povo”. 2 Crônicas 17:9. E como muitos procurassem compreender os reclamos de Deus e afastar o pecado, teve lugar um reavivamento.

A esta sábia provisão para as necessidades espirituais de seus súditos, Josafá deveu muito de sua prosperidade como governante. Na obediência à lei de Deus há grande ganho. Na conformidade aos divinos requisitos há um poder transformador que leva paz e boa vontade entre os homens. Se os ensinos da Palavra de Deus tivessem influência controladora na vida de todo homem e mulher, se a mente e o coração fossem postos sob seu poder moderador, os males que agora existem na vida nacional e social não teriam lugar. De cada lar emanaria uma influência que tornaria fortes homens e mulheres no discernimento espiritual e no poder moral, e assim nações e indivíduos seriam colocados em terreno vantajoso.

Por muitos anos Josafá viveu em paz, sem ser molestado pelas nações vizinhas. “Veio o temor do Senhor sobre todos os reinos da terra, que estavam em roda de Judá”. 2 Crônicas 17:10. Dos filisteus recebia tributo em dinheiro e presentes; da Arábia, grandes rebanhos de ovelhas e cabras. “Cresceu, pois, Josafá e se engrandeceu extremamente; e edificou fortalezas e cidades de munições em Judá. [...] Gente de guerra, varões valentes em Jerusalém, [...] estavam no serviço do rei, afora os que o rei tinha posto nas cidades fortes por todo o Judá”. 2 Crônicas 17:12-19. Abençoado abundantemente com “riquezas e glória” (2 Crônicas 18:1), estava ele capacitado a exercer poderosa influência em favor da verdade e da justiça.

Alguns anos depois de haver subido ao trono, Josafá, agora no auge de sua prosperidade, permitiu o casamento de seu filho, Jeorão, com Atalia, filha de Acabe e Jezabel. Por esta união foi formada entre os reis de Judá e de Israel uma aliança que não fora ordenada por Deus, e que num tempo de crise levou ao desastre o rei e muitos de seus súditos.

Numa ocasião, Josafá visitou o rei de Israel em Samaria. Honra especial foi mostrada para com o real hóspede de Jerusalém; e antes que encerrasse sua visita, foi ele persuadido a unir-se com o rei de Israel numa guerra contra os sírios. Acabe esperava que pela união de suas forças com as de Judá ele poderia reconquistar Ramote, uma das cidades de refúgio que, sustentava ele, por direito pertencia aos israelitas.

Conquanto num momento de fraqueza houvesse Josafá precipitadamente prometido unir-se ao rei de Israel em sua guerra contra os sírios, melhor juízo levou contudo a procurar saber a vontade de Deus concernente a este cometimento. “Consulta, hoje, peço-te, a palavra do Senhor”, ele sugeriu a Acabe. Em resposta, Acabe reuniu quatrocentos dos profetas falsos de Samaria, e perguntou-lhes: “Iremos à guerra contra Ramote-Gileade, ou deixá-lo-ei?” E eles responderam: “Sobe, porque Deus a dará na mão do rei”. 2 Crônicas 18:4, 5.

Não satisfeito, Josafá procurou conhecer com certeza a vontade de Deus. “Não há ainda aqui profeta algum do Senhor”, perguntou ele, “para que o consultemos?” “Ainda há um homem por quem podemos consultar ao Senhor”, respondeu Acabe, “porém eu o aborreço, porque

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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