Cristo Nossa Esperança
Plano Encontro 4 Dia 74
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Leitura do livro
Profetas e Reis, páginas 79-80
pela verdade, e teria sido abrigado do perigo. O Senhor lhe teria dado outra assinalada vitória, enviando Seus juízos sobre Jezabel; e a impressão feita sobre o rei e o povo teria dado lugar a uma grande reforma.
Elias havia esperado muito do milagre produzido no Carmelo. Supusera que depois daquela exibição do poder de Deus, Jezabel não mais teria influência sobre a mente de Acabe, e que haveria uma imediata reforma em todo o Israel. O dia todo no alto do Carmelo ele estivera em atividade, sem alimento. Contudo, quando guiava o carro de Acabe à entrada de Jezreel, sua coragem foi forte, a despeito da debilidade física sob a qual havia trabalhado.
Mas uma reação como a que freqüentemente segue elevada fé e gloriosos sucessos estava exercendo pressão sobre Elias. Ele temeu que a reforma iniciada no Carmelo não fosse duradoura; e a depressão se apoderou dele. Havia sido exaltado ao topo do Pisga; agora estava no vale. Enquanto sob a inspiração do Onipotente, ele tinha resistido à mais severa prova de fé; mas neste tempo de desencorajamento, com a ameaça de Jezabel soando-lhe aos ouvidos, e Satanás ainda aparentemente prevalecendo mediante a trama desta ímpia mulher, ele perdeu sua firmeza em Deus. Havia sido exaltado acima da medida, e a reação foi tremenda. Esquecendo-se de Deus, Elias fugia mais e mais, até que se encontrou num árido deserto, sozinho. Indescritivelmente cansado, assentou-se para repousar debaixo de um zimbro. Assentando-se aí, pediu a morte para si mesmo. “Já basta, ó Senhor”, disse ele, “toma agora a minha vida, pois não sou melhor que meus pais”. 1 Reis 19:4. Fugitivo, longe da habitação dos homens, o espírito causticado pelo amargo desapontamento, ele desejou nunca mais olhar a face de um homem. Afinal, extremamente exausto, adormeceu.
Na experiência de todos surgem ocasiões de profundo desapontamento e extremo desencorajamento — dias em que só predomina a tristeza, e é difícil crer que Deus é ainda o bondoso benfeitor de Seus filhos na Terra; dias em que o dissabor mortifica a alma, de maneira que a morte pareça preferível à vida. É então que muitos perdem sua confiança em Deus, e são levados à escravidão da dúvida, ao cativeiro da incredulidade. Pudéssemos em tais ocasiões discernir com intuição espiritual o significado das providências de Deus, veríamos anjos procurando salvar-nos de nós mesmos, esforçando-se por firmar nossos pés num fundamento mais firme que os montes eternos; e nova fé, nova vida jorrariam para dentro do ser.
O fiel Jó, no dia de sua aflição e trevas, declarou:
“Pereça o dia em que nasci”.
“Oh! se a minha mágoa retamente se pesasse.
E a minha miséria juntamente se pusesse numa balança!”
“Quem dera que se cumprisse
o meu desejo e que Deus me desse o que espero!
E que Deus quisesse quebrantar-me,
e soltasse a Sua mão, e acabasse comigo!
Isto ainda seria a minha consolação”.
“Por isso não reprimirei a minha boca;
falarei na angústia do meu espírito,
queixar-me-ei na amargura da minha alma.”
“Pelo que a minha alma escolheria [...]
Antes a morte do que estes meus ossos.
A minha vida abomino, pois não viverei para sempre;
retira-Te de mim, Pois vaidade são os meus dias”.
Mas embora cansado da vida, a Jó não foi permitido morrer. Foram-lhe indicadas as possibilidades do futuro, e deu-se-lhe a mensagem de esperança:
“Estarás firme e não temerás.
Porque te esquecerás dos trabalhos,
e te lembrarás deles como das águas que já passaram.
E a tua vida mais clara se levantará do que o meio-dia;
ainda que haja trevas, será como a manhã.
E terás confiança, porque haverá esperança. [...]
E deitar-te-ás, E ninguém te espantará;
muitos acariciarão o teu rosto.
Mas os olhos dos ímpios desfalecerão,
e perecerá o seu refúgio;
e a sua esperança será o expirar da alma”.
Das profundezas do desencorajamento e desânimo Jó se levanta para as alturas da implícita confiança na misericórdia e o poder salvador de Deus. Triunfantemente declarou:
“Ainda que Ele me mate, nEle esperarei; [...]
Também isto será a minha salvação”.
“Por que eu sei que o meu Redentor vive,
e que por fim Se levantará sobre a Terra.
E depois de consumida a minha pele,
ainda em minha carne verei a Deus.
Vê-Lo-ei por mim mesmo, e os meus olhos,
e não outros, O verão”.
“Depois disto o Senhor respondeu a Jó dum redemoinho” (Jó 38:1), e revelou a Seu servo a força do Seu poder. Quando Jó teve um vislumbre de seu Criador, abominou-se a si mesmo, e se arrependeu no pó e na cinza. Então o Senhor pôde abençoá-lo abundantemente, e fazer os seus últimos dias os melhores de sua vida.
Esperança e coragem são essenciais ao perfeito serviço para Deus. Esses são frutos da fé. O desânimo é pecaminoso e irrazoável. Deus está em condições e disposto a outorgar a Seus servos “mais abundantemente” a força de que necessitam para a tentação e prova. Os planos dos inimigos de Sua obra podem parecer bem assentados e firmemente estabelecidos; mas Deus pode subverter os mais fortes deles. E isto Ele faz em seu devido tempo e maneira, quando vê que a fé de Seus servos foi suficientemente testada.
Para o desalentado há um seguro remédio — fé, oração e trabalho. Fé e atividade proverão segurança e satisfação que hão de aumentar dia após dia. Estais tentados a dar guarida a sentimentos de ansiedade ou obstinado desânimo? Nos dias mais negros, quando as aparências parecem mais agressivas, não temais. Tende fé em Deus. Ele conhece vossas necessidades; possui todo o poder. Seu infinito amor e compaixão são incansáveis.
Profetas e Reis · Ellen G. White