Cristo Nossa Esperança
Plano Encontro 4 Dia 67
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Leitura bíblica
Jó 14-19
Jó 14
1 O homem, nascido de mulher, vive breve tempo, cheio de inquietação. 2 Nasce como a flor e murcha; foge como a sombra e não permanece; 3 e sobre tal homem abres os olhos e o fazes entrar em juízo contigo? 4 Quem da imundícia poderá tirar coisa pura? Ninguém! 5 Visto que os seus dias estão contados, contigo está o número dos seus meses; tu ao homem puseste limites além dos quais não passará. 6 Desvia dele os olhares, para que tenha repouso, até que, como o jornaleiro, tenha prazer no seu dia. 7 Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos. 8 Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco, 9 ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova. 10 O homem, porém, morre e fica prostrado; expira o homem e onde está? 11 Como as águas do lago se evaporam, e o rio se esgota e seca, 12 assim o homem se deita e não se levanta; enquanto existirem os céus, não acordará, nem será despertado do seu sono. 13 Que me encobrisses na sepultura e me ocultasses até que a tua ira se fosse, e me pusesses um prazo e depois te lembrasses de mim! 14 Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Todos os dias da minha luta esperaria, até que eu fosse substituído. 15 Chamar-me-ias, e eu te responderia; terias saudades da obra de tuas mãos; 16 e até contarias os meus passos e não levarias em conta os meus pecados. 17 A minha transgressão estaria selada num saco, e terias encoberto as minhas iniquidades. 18 Como o monte que se esboroa e se desfaz, e a rocha que se remove do seu lugar, 19 como as águas gastam as pedras, e as cheias arrebatam o pó da terra, assim destróis a esperança do homem. 20 Tu prevaleces para sempre contra ele, e ele passa, mudas-lhe o semblante e o despedes para o além. 21 Os seus filhos recebem honras, e ele o não sabe; são humilhados, e ele o não percebe. 22 Ele sente as dores apenas de seu próprio corpo, e só a seu respeito sofre a sua alma.
Jó 15
1 Então, respondeu Elifaz, o temanita: 2 Porventura, dará o sábio em resposta ciência de vento? E encher-se-á a si mesmo de vento oriental, 3 arguindo com palavras que de nada servem e com razões de que nada aproveita? 4 Tornas vão o temor de Deus e diminuis a devoção a ele devida. 5 Pois a tua iniquidade ensina à tua boca, e tu escolheste a língua dos astutos. 6 A tua própria boca te condena, e não eu; os teus lábios testificam contra ti. 7 És tu, porventura, o primeiro homem que nasceu? Ou foste formado antes dos outeiros? 8 Ou ouviste o secreto conselho de Deus e a ti só limitaste a sabedoria? 9 Que sabes tu, que nós não saibamos? Que entendes, que não haja em nós? 10 Também há entre nós encanecidos e idosos, muito mais idosos do que teu pai. 11 Porventura, fazes pouco caso das consolações de Deus e das suaves palavras que te dirigimos nós? 12 Por que te arrebata o teu coração? Por que flamejam os teus olhos, 13 para voltares contra Deus o teu furor e deixares sair tais palavras da tua boca? 14 Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce de mulher, para ser justo? 15 Eis que Deus não confia nem nos seus santos; nem os céus são puros aos seus olhos, 16 quanto menos o homem, que é abominável e corrupto, que bebe a iniquidade como a água! 17 Escuta-me, mostrar-to-ei; e o que tenho visto te contarei, 18 o que os sábios anunciaram, que o ouviram de seus pais e não o ocultaram 19 (aos quais somente se dera a terra, e nenhum estranho passou por entre eles): 20 Todos os dias o perverso é atormentado, no curto número de anos que se reservam para o opressor. 21 O sonido dos horrores está nos seus ouvidos; na prosperidade lhe sobrevém o assolador. 22 Não crê que tornará das trevas, e sim que o espera a espada. 23 Por pão anda vagueando, dizendo: Onde está? Bem sabe que o dia das trevas lhe está preparado, à mão. 24 Assombram-no a angústia e a tribulação; prevalecem contra ele, como o rei preparado para a peleja, 25 porque estendeu a mão contra Deus e desafiou o Todo-Poderoso; 26 arremete contra ele obstinadamente, atrás da grossura dos seus escudos, 27 porquanto cobriu o rosto com a sua gordura e criou enxúndia nas ilhargas; 28 habitou em cidades assoladas, em casas em que ninguém devia morar, que estavam destinadas a se fazerem montões de ruínas. 29 Por isso, não se enriquecerá, nem subsistirá a sua fazenda, nem se estenderão seus bens pela terra. 30 Não escapará das trevas; a chama do fogo secará os seus renovos, e ao assopro da boca de Deus será arrebatado. 31 Não confie, pois, na vaidade, enganando-se a si mesmo, porque a vaidade será a sua recompensa. 32 Esta se lhe consumará antes dos seus dias, e o seu ramo não reverdecerá. 33 Sacudirá as suas uvas verdes, como a vide, e deixará cair a sua flor, como a oliveira; 34 pois a companhia dos ímpios será estéril, e o fogo consumirá as tendas de suborno. 35 Concebem a malícia e dão à luz a iniquidade, pois o seu coração só prepara enganos.
Jó 16
1 Então, respondeu Jó: 2 Tenho ouvido muitas coisas como estas; todos vós sois consoladores molestos. 3 Porventura, não terão fim essas palavras de vento? Ou que é que te instiga para responderes assim? 4 Eu também poderia falar como vós falais; se a vossa alma estivesse em lugar da minha, eu poderia dirigir-vos um montão de palavras e menear contra vós outros a minha cabeça; 5 poderia fortalecer-vos com as minhas palavras, e a compaixão dos meus lábios abrandaria a vossa dor. 6 Se eu falar, a minha dor não cessa; se me calar, qual é o meu alívio? 7 Na verdade, as minhas forças estão exaustas; tu, ó Deus, destruíste a minha família toda. 8 Testemunha disto é que já me tornaste encarquilhado, a minha magreza já se levanta contra mim e me acusa cara a cara. 9 Na sua ira me despedaçou e tem animosidade contra mim; contra mim rangeu os dentes e, como meu adversário, aguça os olhos. 10 Homens abrem contra mim a boca, com desprezo me esbofeteiam, e contra mim todos se ajuntam. 11 Deus me entrega ao ímpio e nas mãos dos perversos me faz cair. 12 Em paz eu vivia, porém ele me quebrantou; pegou-me pelo pescoço e me despedaçou; pôs-me por seu alvo. 13 Cercam-me as suas flechas, atravessa-me os rins, e não me poupa, e o meu fel derrama na terra. 14 Fere-me com ferimento sobre ferimento, arremete contra mim como um guerreiro. 15 Cosi sobre a minha pele o cilício e revolvi o meu orgulho no pó. 16 O meu rosto está todo afogueado de chorar, e sobre as minhas pálpebras está a sombra da morte, 17 embora não haja violência nas minhas mãos, e seja pura a minha oração. 18 Ó terra, não cubras o meu sangue, e não haja lugar em que se oculte o meu clamor! 19 Já agora sabei que a minha testemunha está no céu, e, nas alturas, quem advoga a minha causa. 20 Os meus amigos zombam de mim, mas os meus olhos se desfazem em lágrimas diante de Deus, 21 para que ele mantenha o direito do homem contra o próprio Deus e o do filho do homem contra o seu próximo. 22 Porque dentro de poucos anos eu seguirei o caminho de onde não tornarei.
Jó 17
1 O meu espírito se vai consumindo, os meus dias se vão apagando, e só tenho perante mim a sepultura. 2 Estou, de fato, cercado de zombadores, e os meus olhos são obrigados a lhes contemplar a provocação. 3 Dá-me, pois, um penhor; sê o meu fiador para contigo mesmo; quem mais haverá que se possa comprometer comigo? 4 Porque ao seu coração encobriste o entendimento, pelo que não os exaltarás. 5 Se alguém oferece os seus amigos como presa, os olhos de seus filhos desfalecerão. 6 Mas a mim me pôs por provérbio dos povos; tornei-me como aquele em cujo rosto se cospe. 7 Pelo que já se escureceram de mágoa os meus olhos, e já todos os meus membros são como a sombra; 8 os retos pasmam disto, e o inocente se levanta contra o ímpio. 9 Contudo, o justo segue o seu caminho, e o puro de mãos cresce mais e mais em força. 10 Mas tornai-vos, todos vós, e vinde cá; porque sábio nenhum acharei entre vós. 11 Os meus dias passaram, e se malograram os meus propósitos, as aspirações do meu coração. 12 Convertem-me a noite em dia, e a luz, dizem, está perto das trevas. 13 Mas, se eu aguardo já a sepultura por minha casa; se nas trevas estendo a minha cama; 14 se ao sepulcro eu clamo: tu és meu pai; e aos vermes: vós sois minha mãe e minha irmã, 15 onde está, pois, a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá ver? 16 Ela descerá até às portas da morte, quando juntamente no pó teremos descanso.
Jó 18
1 Então, respondeu Bildade, o suíta: 2 Até quando andarás à caça de palavras? Considera bem, e, então, falaremos. 3 Por que somos reputados por animais, e aos teus olhos passamos por curtos de inteligência? 4 Oh! Tu, que te despedaças na tua ira, será a terra abandonada por tua causa? Remover-se-ão as rochas do seu lugar? 5 Na verdade, a luz do perverso se apagará, e para seu fogo não resplandecerá a faísca; 6 a luz se escurecerá nas suas tendas, e a sua lâmpada sobre ele se apagará; 7 os seus passos fortes se estreitarão, e a sua própria trama o derribará. 8 Porque por seus próprios pés é lançado na rede e andará na boca de forje. 9 A armadilha o apanhará pelo calcanhar, e o laço o prenderá. 10 A corda está-lhe escondida na terra, e a armadilha, na vereda. 11 Os assombros o espantarão de todos os lados e o perseguirão a cada passo. 12 A calamidade virá faminta sobre ele, e a miséria estará alerta ao seu lado, 13 a qual lhe devorará os membros do corpo; serão devorados pelo primogênito da morte. 14 O perverso será arrancado da sua tenda, onde está confiado, e será levado ao rei dos terrores. 15 Nenhum dos seus morará na sua tenda, espalhar-se-á enxofre sobre a sua habitação. 16 Por baixo secarão as suas raízes, e murcharão por cima os seus ramos. 17 A sua memória desaparecerá da terra, e pelas praças não terá nome. 18 Da luz o lançarão nas trevas e o afugentarão do mundo. 19 Não terá filho nem posteridade entre o seu povo, nem sobrevivente algum ficará nas suas moradas. 20 Do seu dia se espantarão os do Ocidente, e os do Oriente serão tomados de horror. 21 Tais são, na verdade, as moradas do perverso, e este é o paradeiro do que não conhece a Deus.
Jó 19
1 Então, respondeu Jó: 2 Até quando afligireis a minha alma e me quebrantareis com palavras? 3 Já dez vezes me vituperastes e não vos envergonhais de injuriar-me. 4 Embora haja eu, na verdade, errado, comigo ficará o meu erro. 5 Se quereis engrandecer-vos contra mim e me arguis pelo meu opróbrio, 6 sabei agora que Deus é que me oprimiu e com a sua rede me cercou. 7 Eis que clamo: violência! Mas não sou ouvido; grito: socorro! Porém não há justiça. 8 O meu caminho ele fechou, e não posso passar; e nas minhas veredas pôs trevas. 9 Da minha honra me despojou e tirou-me da cabeça a coroa. 10 Arruinou-me de todos os lados, e eu me vou; e arrancou-me a esperança, como a uma árvore. 11 Inflamou contra mim a sua ira e me tem na conta de seu adversário. 12 Juntas vieram as suas tropas, prepararam contra mim o seu caminho e se acamparam ao redor da minha tenda. 13 Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem, como estranhos, se apartaram de mim. 14 Os meus parentes me desampararam, e os meus conhecidos se esqueceram de mim. 15 Os que se abrigam na minha casa e as minhas servas me têm por estranho, e vim a ser estrangeiro aos seus olhos. 16 Chamo o meu criado, e ele não me responde; tenho de suplicar-lhe, eu mesmo. 17 O meu hálito é intolerável à minha mulher, e pelo mau cheiro sou repugnante aos filhos de minha mãe. 18 Até as crianças me desprezam, e, querendo eu levantar-me, zombam de mim. 19 Todos os meus amigos íntimos me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim. 20 Os meus ossos se apegam à minha pele e à minha carne, e salvei-me só com a pele dos meus dentes. 21 Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me atingiu. 22 Por que me perseguis como Deus me persegue e não cessais de devorar a minha carne? 23 Quem me dera fossem agora escritas as minhas palavras! Quem me dera fossem gravadas em livro! 24 Que, com pena de ferro e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha! 25 Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. 26 Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. 27 Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro de mim. 28 Se disserdes: Como o perseguiremos? E: A causa deste mal se acha nele, 29 temei, pois, a espada, porque tais acusações merecem o seu furor, para saberdes que há um juízo.
Versão Almeida Revista e Atualizada