Cristo Nossa Esperança

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Leitura bíblica

Jó 9-13

Jó 9

1 Então, Jó respondeu e disse: 2 Na verdade, sei que assim é; porque, como pode o homem ser justo para com Deus? 3 Se quiser contender com ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder. 4 Ele é sábio de coração e grande em poder; quem porfiou com ele e teve paz? 5 Ele é quem remove os montes, sem que saibam que ele na sua ira os transtorna; 6 quem move a terra para fora do seu lugar, cujas colunas estremecem; 7 quem fala ao sol, e este não sai, e sela as estrelas; 8 quem sozinho estende os céus e anda sobre os altos do mar; 9 quem fez a Ursa, o Órion, o Sete-estrelo e as recâmaras do Sul; 10 quem faz grandes coisas, que se não podem esquadrinhar, e maravilhas tais, que se não podem contar. 11 Eis que ele passa por mim, e não o vejo; segue perante mim, e não o percebo. 12 Eis que arrebata a presa! Quem o pode impedir? Quem lhe dirá: Que fazes? 13 Deus não revogará a sua própria ira; debaixo dele se encurvam os auxiliadores do Egito. 14 Como, então, lhe poderei eu responder ou escolher as minhas palavras, para argumentar com ele? 15 A ele, ainda que eu fosse justo, não lhe responderia; antes, ao meu Juiz pediria misericórdia. 16 Ainda que o chamasse, e ele me respondesse, nem por isso creria eu que desse ouvidos à minha voz. 17 Porque me esmaga com uma tempestade e multiplica as minhas chagas sem causa. 18 Não me permite respirar; antes, me farta de amarguras. 19 Se se trata da força do poderoso, ele dirá: Eis-me aqui; se, de justiça: Quem me citará? 20 Ainda que eu seja justo, a minha boca me condenará; embora seja eu íntegro, ele me terá por culpado. 21 Eu sou íntegro, não levo em conta a minha alma, não faço caso da minha vida. 22 Para mim tudo é o mesmo; por isso, digo: tanto destrói ele o íntegro como o perverso. 23 Se qualquer flagelo mata subitamente, então, se rirá do desespero do inocente. 24 A terra está entregue nas mãos dos perversos; e Deus ainda cobre o rosto dos juízes dela; se não é ele o causador disso, quem é, logo? 25 Os meus dias foram mais velozes do que um corredor; fugiram e não viram a felicidade. 26 Passaram como barcos de junco; como a águia que se lança sobre a presa. 27 Se eu disser: eu me esquecerei da minha queixa, deixarei o meu ar triste e ficarei contente; 28 ainda assim todas as minhas dores me apavoram, porque bem sei que me não terás por inocente. 29 Serei condenado; por que, pois, trabalho eu em vão? 30 Ainda que me lave com água de neve e purifique as mãos com cáustico, 31 mesmo assim me submergirás no lodo, e as minhas próprias vestes me abominarão. 32 Porque ele não é homem, como eu, a quem eu responda, vindo juntamente a juízo. 33 Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos. 34 Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror; 35 então, falarei sem o temer; do contrário, não estaria em mim.

Jó 10

1 A minha alma tem tédio à minha vida; darei livre curso à minha queixa, falarei com amargura da minha alma. 2 Direi a Deus: Não me condenes; faze-me saber por que contendes comigo. 3 Parece-te bem que me oprimas, que rejeites a obra das tuas mãos e favoreças o conselho dos perversos? 4 Tens tu olhos de carne? Acaso, vês tu como vê o homem? 5 São os teus dias como os dias do mortal? Ou são os teus anos como os anos de um homem, 6 para te informares da minha iniquidade e averiguares o meu pecado? 7 Bem sabes tu que eu não sou culpado; todavia, ninguém há que me livre da tua mão. 8 As tuas mãos me plasmaram e me aperfeiçoaram, porém, agora, queres devorar-me. 9 Lembra-te de que me formaste como em barro; e queres, agora, reduzir-me a pó? 10 Porventura, não me derramaste como leite e não me coalhaste como queijo? 11 De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste. 12 Vida me concedeste na tua benevolência, e o teu cuidado a mim me guardou. 13 Estas coisas, as ocultaste no teu coração; mas bem sei o que resolveste contigo mesmo. 14 Se eu pecar, tu me observas; e da minha iniquidade não me perdoarás. 15 Se for perverso, ai de mim! E, se for justo, não ouso levantar a cabeça, pois estou cheio de ignomínia e olho para a minha miséria. 16 Porque, se a levanto, tu me caças como a um leão feroz e de novo revelas poder maravilhoso contra mim. 17 Tu renovas contra mim as tuas testemunhas e multiplicas contra mim a tua ira; males e lutas se sucedem contra mim. 18 Por que, pois, me tiraste da madre? Ah! Se eu morresse antes que olhos nenhuns me vissem! 19 Teria eu sido como se nunca existira e já do ventre teria sido levado à sepultura. 20 Não são poucos os meus dias? Cessa, pois, e deixa-me, para que por um pouco eu tome alento, 21 antes que eu vá para o lugar de que não voltarei, para a terra das trevas e da sombra da morte; 22 terra de negridão, de profunda escuridade, terra da sombra da morte e do caos, onde a própria luz é tenebrosa.

Jó 11

1 Então, respondeu Zofar, o naamatita: 2 Porventura, não se dará resposta a esse palavrório? Acaso, tem razão o tagarela? 3 Será o caso de as tuas parolas fazerem calar os homens? E zombarás tu sem que ninguém te envergonhe? 4 Pois dizes: A minha doutrina é pura, e sou limpo aos teus olhos. 5 Oh! Falasse Deus, e abrisse os seus lábios contra ti, 6 e te revelasse os segredos da sabedoria, da verdadeira sabedoria, que é multiforme! Sabe, portanto, que Deus permite seja esquecida parte da tua iniquidade. 7 Porventura, desvendarás os arcanos de Deus ou penetrarás até à perfeição do Todo-Poderoso? 8 Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás fazer? Mais profunda é ela do que o abismo; que poderás saber? 9 A sua medida é mais longa do que a terra e mais larga do que o mar. 10 Se ele passa, prende a alguém e chama a juízo, quem o poderá impedir? 11 Porque ele conhece os homens vãos e, sem esforço, vê a iniquidade. 12 Mas o homem estúpido se tornará sábio, quando a cria de um asno montês nascer homem. 13 Se dispuseres o coração e estenderes as mãos para Deus; 14 se lançares para longe a iniquidade da tua mão e não permitires habitar na tua tenda a injustiça, 15 então, levantarás o rosto sem mácula, estarás seguro e não temerás. 16 Pois te esquecerás dos teus sofrimentos e deles só terás lembrança como de águas que passaram. 17 A tua vida será mais clara que o meio-dia; ainda que lhe haja trevas, serão como a manhã. 18 Sentir-te-ás seguro, porque haverá esperança; olharás em derredor e dormirás tranquilo. 19 Deitar-te-ás, e ninguém te espantará; e muitos procurarão obter o teu favor. 20 Mas os olhos dos perversos desfalecerão, o seu refúgio perecerá; sua esperança será o render do espírito.

Jó 12

1 Então, Jó respondeu: 2 Na verdade, vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria. 3 Também eu tenho entendimento como vós; eu não vos sou inferior; quem não sabe coisas como essas? 4 Eu sou irrisão para os meus amigos; eu, que invocava a Deus, e ele me respondia; o justo e o reto servem de irrisão. 5 No pensamento de quem está seguro, há desprezo para o infortúnio, um empurrão para aquele cujos pés já vacilam. 6 As tendas dos tiranos gozam paz, e os que provocam a Deus estão seguros; têm o punho por seu deus. 7 Mas pergunta agora às alimárias, e cada uma delas to ensinará; e às aves dos céus, e elas to farão saber. 8 Ou fala com a terra, e ela te instruirá; até os peixes do mar to contarão. 9 Qual entre todos estes não sabe que a mão do SENHOR fez isto? 10 Na sua mão está a alma de todo ser vivente e o espírito de todo o gênero humano. 11 Porventura, o ouvido não submete à prova as palavras, como o paladar prova as comidas? 12 Está a sabedoria com os idosos, e, na longevidade, o entendimento? 13 Não! Com Deus está a sabedoria e a força; ele tem conselho e entendimento. 14 O que ele deitar abaixo não se reedificará; lança na prisão, e ninguém a pode abrir. 15 Se retém as águas, elas secam; se as larga, devastam a terra. 16 Com ele está a força e a sabedoria; seu é o que erra e o que faz errar. 17 Aos conselheiros, leva-os despojados do seu cargo e aos juízes faz desvairar. 18 Dissolve a autoridade dos reis, e uma corda lhes cinge os lombos. 19 Aos sacerdotes, leva-os despojados do seu cargo e aos poderosos transtorna. 20 Aos eloquentes ele tira a palavra e tira o entendimento aos anciãos. 21 Lança desprezo sobre os príncipes e afrouxa o cinto dos fortes. 22 Das trevas manifesta coisas profundas e traz à luz a densa escuridade. 23 Multiplica as nações e as faz perecer; dispersa-as e de novo as congrega. 24 Tira o entendimento aos príncipes do povo da terra e os faz vaguear pelos desertos sem caminho. 25 Nas trevas andam às apalpadelas, sem terem luz, e os faz cambalear como ébrios.

Jó 13

1 Eis que tudo isso viram os meus olhos, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam. 2 Como vós o sabeis, também eu o sei; não vos sou inferior. 3 Mas falarei ao Todo-Poderoso e quero defender-me perante Deus. 4 Vós, porém, besuntais a verdade com mentiras e vós todos sois médicos que não valem nada. 5 Tomara vos calásseis de todo, que isso seria a vossa sabedoria! 6 Ouvi agora a minha defesa e atentai para os argumentos dos meus lábios. 7 Porventura, falareis perversidade em favor de Deus e a seu favor falareis mentiras? 8 Sereis parciais por ele? Contendereis a favor de Deus? 9 Ser-vos-ia bom, se ele vos esquadrinhasse? Ou zombareis dele, como se zomba de um homem qualquer? 10 Acerbamente vos repreenderá, se em oculto fordes parciais. 11 Porventura, não vos amedrontará a sua dignidade, e não cairá sobre vós o seu terror? 12 As vossas máximas são como provérbios de cinza, os vossos baluartes, baluartes de barro. 13 Calai-vos perante mim, e falarei eu, e venha sobre mim o que vier. 14 Tomarei a minha carne nos meus dentes e porei a vida na minha mão. 15 Eis que me matará, já não tenho esperança; contudo, defenderei o meu procedimento. 16 Também isto será a minha salvação, o fato de o ímpio não vir perante ele. 17 Atentai para as minhas razões e dai ouvidos à minha exposição. 18 Tenho já bem-encaminhada minha causa e estou certo de que serei justificado. 19 Quem há que possa contender comigo? Neste caso, eu me calaria e renderia o espírito. 20 Concede-me somente duas coisas; então, me não esconderei do teu rosto: 21 alivia a tua mão de sobre mim, e não me espante o teu terror. 22 Interpela-me, e te responderei ou deixa-me falar e tu me responderás. 23 Quantas culpas e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado. 24 Por que escondes o rosto e me tens por teu inimigo? 25 Queres aterrorizar uma folha arrebatada pelo vento? E perseguirás a palha seca? 26 Pois decretas contra mim coisas amargas e me atribuis as culpas da minha mocidade. 27 Também pões os meus pés no tronco, observas todos os meus caminhos e traças limites à planta dos meus pés, 28 apesar de eu ser como uma coisa podre que se consome e como a roupa que é comida da traça.

Versão Almeida Revista e Atualizada

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