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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 6-7

Capítulo 1 — Salomão

No reinado de Davi e Salomão, Israel tornara-se forte entre as nações, e tivera muitas oportunidades de exercer poderosa influência em favor da verdade e do direito. O nome de Jeová era exaltado e tido em honra, e o propósito para o qual os israelitas haviam sido estabelecidos na terra da promessa dir-se-ia estar a alcançar seu cumprimento. Barreiras haviam sido derribadas, e os pesquisadores da verdade vindos de terras pagãs não retornavam insatisfeitos. Produziram-se conversões, e a igreja de Deus na Terra se ampliava e prosperava.

Salomão foi ungido e proclamado rei nos anos finais de seu pai Davi, o qual abdicara em seu favor. Os primeiros tempos de sua vida foram promissores, e era propósito de Deus que ele fosse de força em força, de glória em glória, aproximando-se cada vez mais da semelhança do caráter de Deus, inspirando assim Seu povo a cumprir sua sagrada incumbência, como depositários da verdade divina.

Davi sabia que o elevado propósito de Deus para com Israel só se realizaria se dirigentes e povo procurassem com incessante vigilância atingir a norma estabelecida para eles. Ele sabia que para que seu filho Salomão correspondesse à confiança com que Deus Se agradara em honrá-lo, o jovem governante não devia ser meramente um guerreiro, um estadista, um soberano, mas um homem forte, bom, um ensinador de justiça, um exemplo de fidelidade.

Com terno fervor Davi exortou Salomão a ser varonil e nobre, a mostrar misericórdia e magnanimidade a seus súditos, e em todo o seu trato com as nações da Terra honrar e glorificar o nome de Deus e tornar manifesta a beleza da santidade. As inúmeras experiências difíceis e notáveis pelas quais Davi passara durante o curso de sua vida haviam-lhe ensinado o valor das mais nobres virtudes, e levaram-no a declarar a Salomão, em suas instruções no leito de morte: “Haverá um justo que domine sobre os homens, que domine no temor de Deus. E será como a luz da manhã, quando sai o Sol, da manhã sem nuvens, quando pelo seu resplendor, e pela chuva, a erva brota da terra”. 2 Samuel 23:3, 4.

Oh! que oportunidade a de Salomão Tivesse ele seguido a instrução divinamente inspirada de seu pai e seu reino teria sido um reino de justiça, tal como o descrito no Salmos 72:

“Ó Deus, dá ao rei os Teus juízos, e a Tua justiça ao filho do rei.

Ele julgará ao Teu povo com justiça, e aos Teus pobres com juízo. [...]

Ele descerá como a chuva sobre a erva ceifada, como chuveiros que umedecem a terra.

Nos seus dias florescerá o justo, e abundância de paz haverá enquanto durar a Lua.

Dominará de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da Terra. [...]

Os reis de Seba e de Sabá oferecerão dons. Os reis de Társis e das ilhas trarão presentes;
e todos os reis se prostrarão perante ele; Todas as nações o servirão.

Porque ele livrará ao necessitado quando clamar, como também ao aflito e ao que não tem quem o ajude. [...]

E continuamente se fará por ele oração; e todos os dias o bendirão. [...]

O seu nome permanecerá eternamente;
o seu nome se irá propagando de pais a filhos enquanto o Sol durar;
e os homens serão abençoados nele: Todas as nações lhe chamarão bem-aventurado.

Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel, que só Ele faz maravilhas.

E bendito seja para sempre o Seu nome glorioso: E encha-se toda a Terra da Sua glória. Amém e amém”.

Salmos 72:1-19.

Na juventude, Salomão fez sua a escolha que fizera Davi, e por muitos anos andou em retidão, sua vida marcada com estrita obediência aos mandamentos de Deus. Logo no início do seu reinado, foi ele com seus conselheiros de Estado a Gibeom, onde ainda estava o tabernáculo que havia sido construído no deserto, e ali uniu-se aos seus conselheiros escolhidos, “aos capitães dos milhares e das centenas”, “e aos juízes, e a todos os príncipes em todo o Israel, chefes dos pais”, em oferecer sacrifícios a Deus e em consagrar-se plenamente ao serviço do Senhor. 2 Crônicas 1:2. Compreendendo alguma coisa da magnitude dos deveres relacionados com o ofício real, Salomão sabia que os que levam pesados fardos precisam buscar a Fonte de sabedoria para orientação, se desejam desempenhar suas responsabilidades de maneira aceitável. Isto levou-o a encorajar seus conselheiros a se unirem com ele em sinceridade, a fim de estarem seguros da aceitação de Deus.

Acima de todo o bem terrestre, o rei desejava sabedoria e entendimento para a realização da obra que Deus lhe havia dado a fazer. Ele ansiava por acuidade mental, largueza de coração, brandura de espírito. Naquela noite, o Senhor apareceu em sonho a Salomão, e disse: “Pede o que quiseres que te dê.” Em sua resposta o jovem e inexperiente príncipe deu expansão a seu sentimento de desamparo e seu desejo de auxílio: “De grande beneficência usaste Tu com Teu servo Davi meu pai”, disse ele, “como também ele andou contigo em verdade, e em justiça, e em retidão de coração, perante a Tua face; e guardaste-lhe esta grande beneficência, e lhe deste um filho que se assentasse no seu trono, como se vê neste dia.

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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