Cristo Nossa Esperança

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Profetas e Reis, páginas 353-354

quebrar “o opressor”. Salmos 72:4. Estas profecias levaram Satanás a temer e tremer; mas ele não renunciou ao seu propósito de frustrar, se possível, as misericordiosas providências de Jeová para a redenção da ração perdida. Ele se determinou cegar os olhos do povo, tanto quanto fosse possível, para o real significado das profecias messiânicas, a fim de preparar o caminho para rejeição de Cristo em Sua vinda.

Durante os séculos que imediatamente precederam o dilúvio, Satanás tinha alcançado sucesso em seus esforços para levar a uma quase total rebelião do mundo contra Deus. E nem mesmo as lições do dilúvio foram tidas em lembrança por muito tempo. Com artificiosas insinuações Satanás mais uma vez levou os filhos dos homens passo a passo a ousada rebelião. De novo parecia estar ele prestes a triunfar; mas o propósito de Deus em favor do homem caído não devia ser assim posto de lado. Através da posteridade do fiel Abraão, da linhagem de Sem, o conhecimento dos desígnios beneficentes de Deus devia ser preservado no benefício de futuras gerações. De tempos em tempos mensageiros da verdade divinamente apontados deviam ser despertados para chamar a atenção para o significado das cerimônias sacrificais, e especialmente para a promessa de Jeová referente ao advento dAquele para quem todas as ordenanças do sistema sacrifical apontavam. Assim o mundo devia ser preservado da apostasia universal.

Não havia de ser sem a mais determinada oposição que o propósito de Deus seria levado a êxito. De toda maneira possível o inimigo da verdade e da justiça obrou para levar os descendentes de Abraão a esquecer seu alto e santo chamado e a se desviarem para a adoração a deuses falsos. E muitas vezes esses esforços quase alcançaram sucesso. Durante séculos antes do primeiro advento de Cristo, as trevas cobriram a Terra e densa escuridão os povos. Satanás lançou sua sombra infernal no caminho dos homens, a fim de que não tivessem conhecimento de Deus e do mundo futuro. Multidões estavam assentadas na sombra da morte. Sua única esperança era que essas trevas fossem espancadas, a fim de que Deus pudesse ser revelado.

Com visão profética Davi, o ungido de Deus, predissera que a vinda de Cristo seria “como a luz da manhã, quando sai o Sol, da manhã sem nuvens”. 2 Samuel 23:4. E Oséias testificou: “Como a alva será a Sua saída”. Oséias 6:3. Quieta e gentilmente a luz do dia irrompe sobre a Terra, dispersando a sombra de trevas, enchendo a Terra de vida. Assim devia o Sol da Justiça erguer-Se, “trazendo salvação sob as Suas asas. Malaquias 4:2. As multidões que “habitavam na região da sombra da morte” deviam ver “uma grande luz”. Isaías 9:2.

O profeta Isaías, exultando por esta gloriosa libertação, exclamou:

“Um Menino nos nasceu um Filho se nos deu;
e o principado está sobre os Seus ombros;
e o Seu nome será: Maravilhoso Conselheiro,
Deus

forte, Pai da eternidade,
Príncipe da paz.
Do incremento deste principado e da paz não haverá fim,
Sobre o trono de Davi e no seu reino,
para o firmar e o fortificar,

Em juízo e em justiça,
desde agora para sempre;
o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto”.

Isaías 9:6, 7.

Nos últimos séculos da história de Israel antes do primeiro advento, era geralmente entendido que a vinda do Messias fora referida na profecia: “Pouco é que sejas o Meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os guardados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a Minha salvação até à extremidade da Terra”. Isaías 49:6. “A glória do Senhor se manifestará”, o profeta tinha predito, “e toda a carne juntamente verá”. Isaías 40:5. Foi desta luz dos homens que João Batista mais tarde testificou tão ousadamente, quando proclamou: “Eu sou a voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías”. João 1:23.

Foi a Cristo que a promessa profética foi dada: “Assim diz o Senhor, o Redentor de Israel, o seu Santo, à alma desprezada, ao que as nações abominam. [...] Assim diz o Senhor: “E te guardarei, e te darei por concerto do povo, para restaurares a Terra, e lhe dares em herança as herdades assoladas; para dizeres aos presos: Saí; e aos que estão em trevas: Aparecei. [...] Nunca terão fome nem sede, nem a calma nem o Sol os afligirá; porque o que Se compadece deles os guiará, e os levará mansamente aos mananciais de águas”. Isaías 49:7-10.

Os inflexíveis na nação judaica, descendentes daquela linha santa por cujo intermédio o conhecimento de Deus fora preservado, fortaleceram sua fé na consideração dessas passagens e de outras similares. Com extraordinária satisfação eles leram como o Senhor ungiria Alguém “para pregar boas-novas aos mansos”, “restaurar os contritos de coração”, “proclamar liberdade aos cativos”, e “apregoar o ano aceitável do Senhor”. Isaías 61:1, 2. Contudo o seu coração se enchia de tristeza ao pensarem nos sofrimentos que Ele precisava enfrentar para cumprir o propósito divino. Com profunda humilhação de alma acompanhavam as palavras no rolo profético:

“Quem deu crédito a nossa pregação?
E a quem se manifestou o braço do Senhor?
Porque foi subindo como renovo perante Ele,
e como raiz de uma terra seca;
não tinha parecer nem formosura;
e, olhando nós para Ele, nenhuma beleza víamos,
para que O desejássemos.
Era desprezado,
e o mais indigno entre os homens;
homem de dores, e experimentado nos trabalhos;
e, como um de quem os homens escondiam o rosto,
era desprezado, e não fizemos dEle caso algum.
Verdadeiramente Ele tomou sobre
Si as nossas enfermidades,
e as nossas dores levou sobre Si;
e nós O reputamos por aflito,
ferido de Deus, e oprimido.
Mas Ele foi ferido pelas nossas transgressões,
e moído pelas nossas iniqüidades;
o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele,
e pelas Suas pisaduras fomos sarados.
Todos

Profetas e Reis · Ellen G. White

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