Cristo Nossa Esperança

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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 337-338

ignorava os ardis de Satanás. Ele sabia que o que se fazia eram tentativas de enfraquecer as mãos dos construtores, e assim frustrar-lhes os esforços.

Vez após vez Satanás havia sido derrotado; e agora, com mais profunda malícia e engenho, ele tramou para o servo de Deus um ardil mais sutil e perigoso. Sambalá e seus companheiros assalariaram homens que professavam ser amigos de Neemias, para que lhe dessem maus conselhos como se partissem do Senhor. O mais empenhado nesta obra iníqua era Semaías, homem anteriormente tido em boa reputação por Neemias. Esse homem fechara-se numa câmara próxima ao santuário, como se temendo estar a sua vida em perigo. O templo estava então protegido por muros e portas, mas as portas da cidade ainda não tinham sido postas. Fingindo grande preocupação pela segurança de Neemias, Semaías aconselhou-o a buscar refúgio no templo. “Vamos juntamente à casa de Deus”, ele propôs, “ao meio do templo, e fechemos as portas do templo, porque virão matar-te; sim, de noite virão matar-te”. Neemias 6:10.

Tivesse Neemias seguido este conselho traiçoeiro, e teria sacrificado sua fé em Deus, e teria aparecido aos olhos do povo como covarde e desprezível. Em vista da importante obra que ele tinha assumido, e a confiança que professava ter no poder de Deus, teria sido absolutamente fora de propósito para ele esconder-se como se estivesse com medo. Espalhar-se-ia o alarma entre o povo, e cada um teria procurado sua própria segurança, ficando a cidade desprotegida, vindo a cair presa dos seus inimigos. Este procedimento desavisado da parte de Neemias seria uma virtual entrega de tudo o que tinha sido alcançado.

Neemias não demorou a penetrar o verdadeiro caráter e objetivo do seu conselheiro. “Conheci que eis que não era Deus quem o enviara”, ele diz; “mas esta profecia falou contra mim, porquanto Tobias e Sambalá o subornaram. Para isto o subornaram, para me atemorizar, e para que eu assim fizesse, e pecasse, para que tivessem alguma coisa a fim de me infamarem, e assim me vituperarem.”

O infamante conselho dado por Semaías fora apoiado por mais que um homem de alta reputação, que, enquanto professando amizade por Neemias, estavam secretamente aliados com seus inimigos. Mas não tiveram êxito com o seu engano. A destemida resposta de Neemias foi: “Um homem como eu fugiria? e quem há, como eu, que entre no templo e viva? De maneira nenhuma entrarei”. Neemias 6:12, 13, 11.

Apesar das ciladas dos inimigos, a obra de reconstrução prosseguiu firmemente, e em menos de dois meses desde a chegada de Neemias a Jerusalém, a cidade havia sido circundada de defesas, e os construtores podiam andar sobre os muros e olhar lá embaixo os seus inimigos atônitos e derrotados. “Ouvindo-o todos os nossos inimigos, temeram, todos os gentios que havia em roda de nós, e abateram-se muito em seus próprios olhos”, escreveu Neemias; “porque reconheceram que o nosso Deus fizera esta obra.”

Mas nem mesmo esta evidência da mão controladora do Senhor fora suficiente para conter o descontentamento, a traição e rebelião entre os israelitas. “Alguns nobres de Judá escreveram muitas cartas, que iam para Tobias, e as cartas de Tobias vinham para eles. Porque muitos em Judá se lhe ajuramentaram, porque era genro de Secanias”. Neemias 6:16-18. Aqui se vêem os maus resultados de mistura matrimonial com idólatras. Uma família de Judá se aparentara com os inimigos de Deus, e essa relação havia-se provado um laço. Muitos outros haviam feito o mesmo. Esses, como a multidão mestiça que viera com Israel do Egito, foram uma fonte de contínua perturbação. Eles não eram sinceros em seu serviço; e quando a obra de Deus demandou sacrifício, mostraram-se prontos para violar seu solene juramento de cooperação e ajuda.

Alguns que haviam estado na dianteira em planejar ciladas contra os judeus, passam a manifestar o desejo de estar em boa paz com eles. Os nobres de Judá que haviam sido enredados em casamentos idólatras, e que tinham mantido traiçoeira correspondência com Tobias, jurando servi-lo, apresentavam-no agora como um homem de habilidade com quem uma aliança seria de grande vantagem para os judeus. Ao mesmo tempo traiçoeiramente lhe levavam os planos e movimentos de Neemias. Assim era a obra de Deus exposta aos ataques dos seus inimigos, dando-se oportunidade a que as palavras e atos de Neemias fossem mal interpretados e sua obra embaraçada.

Quando os pobres e oprimidos apelaram a Neemias no sentido de que se reparasse o mal, ele se pusera corajosamente em sua defesa, e havia levado os que fizeram o mal a remover o reproche que sobre eles repousava. Mas a autoridade que ele havia exercido em favor dos seus concidadãos oprimidos, não a exerceu agora em seu próprio proveito. Seus esforços tinham sido resistidos por alguns com ingratidão e deslealdade, mas ele não usou o seu poder para levar punição aos traidores. Com a calma e altruísmo prosseguiu ele no serviço pelo povo, jamais afrouxando os seus esforços ou permitindo que o interesse diminuísse.

Os assaltos de Satanás sempre têm sido dirigidos contra os que têm procurado promover a obra e a causa de Deus. Embora muitas vezes frustrado, ele renova outro tanto os seus ataques com vigor igualmente renovado, usando meios até então não experimentados. Mas o que é mais de temer é a sua secreta operação por intermédio dos que se professam amigos da obra de Deus. A oposição aberta pode ser feroz e cruel, mas traz em si muito menos perigo para a causa de Deus que a inimizade secreta dos que, enquanto professando servir a Deus, são servos cordiais de Satanás. Esses têm em seu poder colocar toda vantagem nas mãos dos que usariam seu conhecimento para embaraçar a obra de Deus e lesar Seus servos.

Todo artifício que o príncipe das trevas pode sugerir será empregado para induzir os servos de Deus a formar uma confederação com os agentes de Satanás. Repetidas solicitações virão chamá-los do dever; mas como

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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