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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 336-337

Capítulo 55 — Ciladas dos pagãos

Este capítulo é baseado em Neemias 6.

Sambalá e seus confederados não ousavam fazer guerra aberta aos judeus; mas com crescente malícia continuaram os seus secretos esforços para os desencorajar, perturbar e injuriar. O muro em torno de Jerusalém estava indo depressa a caminho da conclusão. Quando estivesse concluído e suas portas assentadas, esses inimigos de Israel não poderiam esperar forçar entrada na cidade. Estavam, pois, desejosos o máximo de deter a obra o quanto antes. Por fim imaginaram um plano pelo qual esperavam afastar Neemias, do seu posto e uma vez tendo-o em seu poder matá-lo ou aprisioná-lo.

Sob o pretexto de conseguir um acordo entre as partes em oposição, eles procuraram uma conferência com Neemias, e convidaram-no a se encontrarem numa vila na planície de Ono. Mas esclarecido pelo Espírito Santo quanto ao real propósito que tinham em vista, ele recusou. “Enviei-lhes mensageiros, a dizer”, ele escreve: “Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer. Por que cessaria esta obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?” Mas os tentadores foram persistentes. Quatro vezes enviaram mensageiros com a mesma missão, e quatro vezes receberam idêntica resposta.

Verificando que esse esquema não funcionou, eles decidiram tentar um plano mais ousado. Sambalá enviou a Neemias um portador com uma carta aberta em que dizia: “Entre as gentes se ouviu, e Gasmu diz, que tu e os judeus intentais revoltar-vos, pelo que edificas o muro; e que tu te farás rei [...] E que puseste profetas, para pregarem de ti em Jerusalém, dizendo: Este é rei em Judá. Ora o rei o ouvirá, segundo estas palavras; vem, pois, agora e consultemos juntamente”. Neemias 6:3-7.

Fosse verdade que tais boatos estavam circulando, e teria havido motivos para apreensão; pois logo o informe teria sido levado ao rei, que poderia determinar as mais severas medidas ante uma leve suspeita. Mas Neemias estava convicto de que a carta era inteiramente falsa, escrita para suscitar seus temores e fazê-lo cair no laço. Esta conclusão foi fortalecida pelo fato de que a carta havia sido enviada aberta, evidentemente para que as pessoas pudessem ler o que continha e ficarem alarmadas e intimidadas.

Neemias prontamente enviou a resposta: “De tudo o que dizes coisa nenhuma sucedeu, mas tu do teu coração o inventas”. Neemias 6:8. Neemias não

ignorava os ardis de Satanás. Ele sabia que o que se fazia eram tentativas de enfraquecer as mãos dos construtores, e assim frustrar-lhes os esforços.

Vez após vez Satanás havia sido derrotado; e agora, com mais profunda malícia e engenho, ele tramou para o servo de Deus um ardil mais sutil e perigoso. Sambalá e seus companheiros assalariaram homens que professavam ser amigos de Neemias, para que lhe dessem maus conselhos como se partissem do Senhor. O mais empenhado nesta obra iníqua era Semaías, homem anteriormente tido em boa reputação por Neemias. Esse homem fechara-se numa câmara próxima ao santuário, como se temendo estar a sua vida em perigo. O templo estava então protegido por muros e portas, mas as portas da cidade ainda não tinham sido postas. Fingindo grande preocupação pela segurança de Neemias, Semaías aconselhou-o a buscar refúgio no templo. “Vamos juntamente à casa de Deus”, ele propôs, “ao meio do templo, e fechemos as portas do templo, porque virão matar-te; sim, de noite virão matar-te”. Neemias 6:10.

Tivesse Neemias seguido este conselho traiçoeiro, e teria sacrificado sua fé em Deus, e teria aparecido aos olhos do povo como covarde e desprezível. Em vista da importante obra que ele tinha assumido, e a confiança que professava ter no poder de Deus, teria sido absolutamente fora de propósito para ele esconder-se como se estivesse com medo. Espalhar-se-ia o alarma entre o povo, e cada um teria procurado sua própria segurança, ficando a cidade desprotegida, vindo a cair presa dos seus inimigos. Este procedimento desavisado da parte de Neemias seria uma virtual entrega de tudo o que tinha sido alcançado.

Neemias não demorou a penetrar o verdadeiro caráter e objetivo do seu conselheiro. “Conheci que eis que não era Deus quem o enviara”, ele diz; “mas esta profecia falou contra mim, porquanto Tobias e Sambalá o subornaram. Para isto o subornaram, para me atemorizar, e para que eu assim fizesse, e pecasse, para que tivessem alguma coisa a fim de me infamarem, e assim me vituperarem.”

O infamante conselho dado por Semaías fora apoiado por mais que um homem de alta reputação, que, enquanto professando amizade por Neemias, estavam secretamente aliados com seus inimigos. Mas não tiveram êxito com o seu engano. A destemida resposta de Neemias foi: “Um homem como eu fugiria? e quem há, como eu, que entre no templo e viva? De maneira nenhuma entrarei”. Neemias 6:12, 13, 11.

Apesar das ciladas dos inimigos, a obra de reconstrução prosseguiu firmemente, e em menos de dois meses desde a chegada de Neemias a Jerusalém, a cidade havia sido circundada de defesas, e os construtores podiam andar sobre os muros e olhar lá embaixo os seus inimigos atônitos e derrotados. “Ouvindo-o todos os nossos inimigos, temeram, todos os gentios que havia em roda de nós, e abateram-se muito em seus próprios olhos”, escreveu Neemias; “porque reconheceram que o nosso Deus fizera esta obra.”

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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