Cristo Nossa Esperança
Plano Encontro 4 Dia 292
Este plano não foi iniciado. Marque a leitura como lida para iniciá-lo hoje.
Leitura do livro
Profetas e Reis, páginas 313-315
Na promulgação deste decreto por Artaxerxes, foi manifestas a providência de Deus. Alguns discerniram isto, e alegremente tiraram vantagem do privilégio de voltar sob circunstâncias tão favoráveis. Foi designado um lugar geral para reunião; e no tempo apontado, os que estavam desejosos de ir à Jerusalém se reuniram para a longa viagem. “E ajuntei-os perto do rio que vai a Aava”, diz Esdras, “e ficamos ali acampados três dias”. Esdras 8:15.
Esdras havia esperado que um grande número retornasse a Jerusalém, mas o número dos que responderam ao chamado era desapontadoramente pequeno. Muitos que haviam adquirido casas e terras não tinham desejo de sacrificar essas posses. Eles amavam a tranqüilidade e o conforto, e sentiam-se satisfeitos por permanecer. Seu exemplo provou-se um embaraço a outros que de outra forma teriam escolhido lançar a sorte com os que estavam avançando pela fé.
Esdras, ao olhar o grupo reunido, ficou surpreso por não ver entre eles nenhum dos filhos de Levi. Onde estavam os membros da tribo que tinha sido posta de lado para o sagrado serviço do templo? Ao chamado: Quem está do lado do Senhor, os levitas deviam ter sido os primeiros a responder. Durante o cativeiro, como também depois, tinham-se-lhes concedido muitos privilégios. Eles haviam desfrutado a mais plena liberdade para ministrar às necessidades espirituais de seus irmãos no exílio. Sinagogas tinham sido construídas, nas quais os sacerdotes dirigiam o culto de Deus, e instruíam o povo. A observância do sábado, e a prática dos sagrados ritos peculiares à fé judaica, tinham sido permitidos livremente.
Mas com o passar dos anos depois do cativeiro, as condições mudaram, e muitas responsabilidades novas repousaram sobre os líderes de Israel. O templo de Jerusalém tinha sido reconstruído e dedicado, e mais sacerdotes eram necessários para a realização de suas cerimônias. Havia urgente necessidade de homens de Deus para atuar como ensinadores do povo. Demais disto, os judeus que permanecessem em Babilônia corriam o perigo de ter restringida sua liberdade religiosa. Por intermédio do profeta Zacarias, bem como pela recente experiência nos momentosos dias de Ester e Mardoqueu, os judeus na Medo-Pérsia tinham sido claramente advertidos a voltar para a sua própria terra. Chegara o tempo em que seria perigoso para eles a permanência por mais tempo no meio de influências pagãs. Em vista dessas condições modificadas, os sacerdotes em Babilônia deviam ter sido ligeiros em discernir na promulgação do decreto um chamado especial a eles para que retornassem para Jerusalém.
O rei e os príncipes tinham feito mais que sua parte em abrir o caminho para o retorno. Tinham provido abundantes meios; mas onde estavam os homens? Os filhos de Levi falharam no momento em que a influência de uma decisão de acompanhar seus irmãos teria levado outros a seguir-lhes
o exemplo. Sua estranha indiferença é uma triste revelação da atitude dos israelitas em Babilônia em relação aos propósitos de Deus por Seu povo.
Uma vez mais Esdras apelou aos levitas, enviando-lhes um urgente convite para se unirem com o seu grupo. Para dar ênfase à importância de rápida ação, ele enviou com o seu apelo escrito vários dos seus “chefes” (Esdras 7:28) e “sábios”. Esdras 8:16.
Enquanto os viajantes ficaram com Esdras, esses acreditados mensageiros retornaram depressa com o apelo para que “trouxessem ministros para a casa de Deus”. Esdras 8:17. O apelo foi ouvido; alguns que estavam vacilantes, fizeram afinal a decisão de retornar. Ao todo, cerca de quarenta sacerdotes e duzentos e vinte netinins — homens em quem Esdras podia confiar como sábios ministros e bons mestres e ajudadores — foram levados ao acampamento.
Todos estavam agora prontos para partir. Diante deles estava uma jornada que levaria vários meses. Os homens tinham consigo suas esposas, filhos e posses, além de grande tesouro para o templo e seus serviços. Esdras fora advertido de que inimigos estavam de espreita pelo caminho, prontos para pilhar e destruir a ele e seu grupo; contudo não pedira ao rei nenhuma força armada para proteção. “Porque me envergonhei”, ele explicou, “de pedir ao rei exército e cavaleiros para nos defender do inimigo no caminho, porquanto tínhamos falado ao rei, dizendo: A mão de nosso Deus é sobre todos os que O buscam para o bem, mas a Sua força e a Sua ira sobre todos os que O deixam”. Esdras 8:22.
Nisso Esdras e seus companheiros viram uma oportunidade de magnificar o nome de Deus entre os pagãos. A fé no poder do Deus vivo seria fortalecida se os próprios israelitas revelassem agora implícita confiança no seu divino Guia. Determinaram-se, pois, depositar sua segurança inteiramente nEle. Não pediram nenhuma guarda de soldados. Não dariam aos pagãos qualquer ocasião de atribuir ao poder do homem a glória que somente a Deus pertence. Não permitiriam que surgisse na mente dos seus amigos pagãos qualquer dúvida quanto à sinceridade de sua dependência de Deus como Seu povo. A força seria obtida, não através de riquezas ou do poder e influência de idólatras, mas mediante o favor de Deus. Eles seriam protegidos exclusivamente pelo conservar diante de si a lei do Senhor, esforçando-se por obedecê-la.
Este conhecimento das condições sob as quais eles poderiam continuar contando com a propícia mão de Deus, infundiu uma solenidade mais que comum ao culto de consagração dirigido por Esdras e seu fiel grupo pouco antes da partida. “Apregoei ali um jejum junto ao rio Aava”, Esdras declara desta experiência, “para nos humilharmos diante da face do nosso Deus, para Lhe pedirmos caminho direito para nós, e para nossos filhos, e para toda a nossa fazenda.” “Nós, pois, jejuamos, e pedimos isto ao nosso Deus, e moveu-Se pelas nossas orações”. Esdras 8:21, 23.
A bênção de Deus, entretanto, não tornava medidas de prudência e precaução desnecessárias. Como providência especial para salvaguardar o tesouro, Esdras separou “doze dos maiorais dos sacerdotes” — homens cuja fidelidade e lealdade tinham sido provadas — e pesou-lhes “a prata, e o ouro, e os vasos, que era a oferta para a casa do nosso Deus, a qual ofereceram o rei e os seus conselheiros, e os seus príncipes”. Esses homens receberam o solene encargo de agir como vigilantes mordomos do tesouro confiado aos seus cuidados. “Consagrados sois do Senhor”, Esdras declarou, “e sagrados são estes vasos, como também esta prata e este ouro, oferta voluntária, oferecida ao Senhor Deus de vossos pais. Vigiai, pois, e guardai-os, até que os peseis na presença dos maiorais dos sacerdotes e dos levitas, e dos príncipes dos pais de Israel, em Jerusalém, nas câmaras da casa de Deus”. Esdras 8:24, 25, 28, 29.
O cuidado exercido por Esdras nas providências para o transporte e segurança do tesouro do Senhor, ensina uma lição digna de meditado estudo. Unicamente aqueles cuja lealdade tinha sido provada, foram escolhidos; e foram claramente instruídos com respeito à responsabilidade que sobre eles repousava. Na indicação de fiéis oficiais para funcionar como tesoureiros dos bens do Senhor, Esdras reconheceu a necessidade e o valor de ordem e organização em relação com a obra de Deus.
Durante os poucos dias que os israelitas se detiveram junto ao rio, completou-se toda a provisão para a longa jornada. “E partimos do rio de Aava”, diz Esdras, “no dia doze do primeiro mês, para irmos para Jerusalém; e a mão do nosso Deus estava sobre nós, e livrou-nos da mão dos inimigos, e dos que nos armavam ciladas no caminho”. Esdras 8:31. Cerca de quatro meses foram gastos na viagem, dado que a multidão que acompanhava Esdras, vários milhares ao todo, incluindo-se mulheres e crianças, precisava andar devagar. Mas tudo foi preservado com segurança. Seus inimigos foram impedidos de fazer-lhes mal. Foi próspera a sua viagem; e no primeiro dia do quinto mês, no sétimo ano de Artaxerxes, alcançaram Jerusalém.
Profetas e Reis · Ellen G. White