Cristo Nossa Esperança

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Profetas e Reis, páginas 25-27

espiritualidade. Não é o copo vazio que se torna difícil de ser transportado; é o copo cheio que precisa ser cuidadosamente equilibrado para ser conduzido. A aflição e adversidade podem causar tristeza, mas é a prosperidade que representa maior perigo para a vida espiritual. A menos que o ser humano esteja em constante submissão à vontade de Deus, a menos que seja santificado pela verdade, a prosperidade fará que ressurja a inclinação natural para a presunção.

No vale da humilhação, onde os homens dependem de Deus para serem ensinados e guiados em cada passo, há relativa segurança. Mas os homens que se plantam, por assim dizer, num elevado pináculo, e que, por causa de sua posição, presumem possuir grande sabedoria — esses estão no mais grave perigo. A não ser que tais homens façam de Deus sua confiança, seguramente cairão.

Sempre que a ambição e o orgulho são tolerados, a vida é maculada; pois o orgulho, não sentindo necessidade, cerra o coração para as bênçãos infinitas do Céu. Aquele que faz da glorificação de si mesmo seu alvo encontrar-se-á destituído da graça de Deus, por cuja eficiência as verdadeiras riquezas e a mais satisfatória alegria são conquistadas. Mas o que tudo entrega e tudo faz por Cristo conhecerá o cumprimento da promessa: “A bênção do Senhor é que enriquece, e não acrescenta dores”. Provérbios 10:22. Com o gentil toque da graça o Salvador expulsa da alma a inquieta e não santificada ambição, mudando a animosidade em amor, a incredulidade em confiança. Quando Ele Se dirige à alma, dizendo: “Segue-Me” (Mateus 9:9), o mágico encantamento do mundo é quebrado. Ao som de Sua voz, o espírito de avareza e ambição foge do coração, e os homens se erguem, emancipados, para segui-Lo.

Capítulo 4 — Resultados da transgressão

Dentre as principais causas que levaram Salomão à extravagância e opressão destaca-se o seu fracasso em manter e alimentar o espírito de abnegação.

Quando, ao pé do Sinai, Moisés expôs ao povo a ordem divina: “E Me farão um santuário, e habitarei no meio deles” (Êxodo 25:8), a resposta dos israelitas foi acompanhada de oferendas apropriadas. “E veio todo o homem, a quem o seu coração moveu, e todo aquele cujo espírito voluntariamente o excitou” (Êxodo 35:21), e trouxeram ofertas. Para a construção do santuário foram necessários grandes e intensos preparativos; vasta quantidade do mais caro e precioso material fora requerida, mas o Senhor só aceitou ofertas voluntárias. “De todo o homem cujo coração se mover voluntariamente, dele tomareis a minha oferta alçada” (Êxodo 25:2), foi a ordem repetida por Moisés à congregação. Devoção a Deus e espírito de sacrifício foram os primeiros requisitos na preparação de um lugar de habitação para o Altíssimo.

Um convite semelhante ao espírito de abnegação foi feito quando Davi pôs sobre Salomão a responsabilidade da construção do templo. À multidão reunida ele fez a pergunta: “Quem, pois, está disposto a encher a sua mão, para oferecer hoje voluntariamente ao Senhor?” 1 Crônicas 29:5. Este convite à consagração e espírito voluntário devia ter sido sempre conservado em mente por aqueles que tinham interesse na construção do templo.

Para a construção do tabernáculo do deserto, homens escolhidos foram dotados por Deus com sabedoria e habilidade especiais. “Disse Moisés aos filhos de Israel: Eis que o Senhor tem chamado por nome a Bezalel, [...] da tribo de Judá, e o espírito de Deus o encheu de sabedoria, entendimento e ciência em todo o artifício. [...] Também lhe tem disposto o coração para ensinar a outros; a ele e Aoliabe [...] da tribo de Dã. Encheu-os de sabedoria do coração, para fazer toda a obra de Mestre, e a mais engenhosa, e a do bordador, [...] e a do tecelão, fazendo toda a obra. [...] Êxodo 35:30-35. Assim obraram Bezalel e Aoliabe, e todo o homem sábio de coração, a quem o Senhor dera sabedoria e inteligência”. Êxodo 36:1. Inteligências celestiais cooperavam com os artífices a quem o próprio Deus havia escolhido.

Os descendentes desses homens herdaram em grande medida os talentos conferidos aos seus pais. Por algum tempo, esses homens de Judá e Dã conservaram-se humildes e altruístas; mas gradualmente, quase imperceptivelmente, perderam seu apego a Deus e o desejo de servi-Lo de maneira altruísta. Pediam salário cada vez mais alto por seus serviços, em virtude de sua superior habilidade como mestres das mais finas artes. Em alguns casos suas exigências eram satisfeitas, mas a maioria das vezes empregavam-se nas nações circunvizinhas. Em lugar do nobre espírito de abnegação que havia enchido o coração de seus ilustres ancestrais, abrigaram um espírito de cobiça, de ganância por ganhos cada vez maiores. Para que seus desejos egoístas fossem satisfeitos, usaram a habilidade que Deus lhes dera a serviço de reis pagãos e emprestaram seus talentos para a execução de obras que eram uma desonra para o seu Criador.

Foi entre esses homens que Salomão procurou um mestre-de-obras que superintendesse a construção do templo sobre o Monte Moriá. Minuciosas especificações, por escrito, referentes a cada parte da estrutura sagrada haviam sido confiadas ao rei; e ele poderia ter esperado com fé em que Deus proveria auxiliares consagrados, a quem seria outorgada habilidade especial para fazer com precisão a obra requerida. Mas Salomão perdeu de vista esta oportunidade de exercitar fé em Deus. Solicitou ao rei de Tiro um homem “sábio para trabalhar em ouro, e em prata, e em bronze, e em ferro, e em púrpura, e em carmesim, e em azul, e que saiba lavrar ao buril, juntamente com os sábios [...] em Judá e em Jerusalém”. 2 Crônicas 2:7.

O rei fenício respondeu enviando Hirão Abiú, “filho de uma mulher das filhas de Dã, e cujo pai foi homem de Tiro”. 2 Crônicas 2:14. Hirão Abiú era descendente, pela linhagem materna, de Aoliabe, a quem, centenas de anos antes, Deus havia dado sabedoria especial para a construção do tabernáculo.

Assim à frente do grupo de artífices de Salomão foi colocado um homem cujos esforços não eram impulsionados pelo desejo altruísta de prestar serviço a Deus. Ele servia ao deus deste mundo: Mamom. Todas as fibras de seu ser estavam entretecidas com os princípios do egoísmo.

Dada essa habilidade pouco comum, Hirão Abiú exigiu grandes salários. Gradualmente os princípios errôneos que ele acariciava vieram a ser aceitos por seus companheiros. Ao trabalharem com ele dia após dia, renderam-se à inclinação de comparar seu salário com o deles, e começaram a perder de vista a santidade do caráter de sua obra. Abandonou-os o espírito de abnegação, e em seu lugar introduziu-se o espírito de cobiça. O resultado foi uma demanda por salários mais altos, o que lhes foi concedido.

As funestas influências assim postas em operação permearam todos os ramos do serviço do Senhor, e se estenderam através do reino. Os elevados salários requeridos e recebidos deram a muitos uma oportunidade para se entregarem ao luxo e extravagância. O pobre foi oprimido pelo rico; o

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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