Cristo Nossa Esperança
Plano Encontro 4 Dia 274
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Leitura do livro
Profetas e Reis, páginas 289-291
Referindo-Se à relação que Israel poderia vir a manter com as nações ao redor, o Senhor havia declarado por intermédio de Moisés: “Não farás com elas concerto, nem terás piedade delas, nem darás tuas filhas a seus filhos; pois fariam desviar os teus filhos de Mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria”. Deuteronômio 7:2-4. “Porque povo santo és ao Senhor teu Deus; o Senhor teu Deus te escolheu, para que Lhe fosses o Seu povo próprio, de todos os povos que sobre a Terra há”. Deuteronômio 14:2.
O resultado que se seguiria em face de um concerto com as nações ao redor foi claramente predito. “O Senhor vos espalhará entre todos os povos, desde uma extremidade da Terra até a outra”, Moisés havia declarado; “e ali servirás a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus pais: ao pau e à pedra. E nem ainda entre as mesmas gentes descansarás, nem a planta de teu pé terá repouso; porque o Senhor ali te dará coração tremente, e desfalecimento dos olhos, e desmaio da alma. E a tua vida como suspensa estará diante de ti; e estremecerás de noite e de dia, e não crerás na tua própria vida. Pela manhã dirás: Ah quem me dera ver a noite E à tarde dirás: Ah quem me dera ver a manhã pelo pasmo de teu coração, com que pasmará, e pelo que verás, com os teus olhos”. Deuteronômio 28:64-67. “Então dali buscarás ao Senhor teu Deus”, tinha sido a promessa, “e O acharás, quando O buscardes de todo o teu coração e de toda a tua alma”. Deuteronômio 4:29.
Zorobabel e seus companheiros estavam familiarizados com essas e muitas outras passagens semelhantes das Escrituras; e no recente cativeiro, tiveram evidência após evidência do seu cumprimento. E agora havendo-se arrependido dos males que haviam acarretado sobre eles e seus pais os juízos tão claramente preditos por meio de Moisés; havendo voltado de todo o coração para Deus, e renovado sua relação de concerto com Ele, tiveram a permissão de retornar à Judéia, para que pudessem restaurar o que havia sido destruído. Deviam eles, já no início de sua empreitada, entrar em concerto com os idólatras?
“Não farás com elas concerto” (Deuteronômio 7:2), Deus dissera; e os que de novo se haviam dedicado ao Senhor junto ao altar erguido ante as ruínas de Seu templo, sentiram que a linha de demarcação entre o Seu povo e o mundo devia ser mantida perfeitamente distinta. Eles se recusaram a entrar em aliança com os que, tendo embora familiaridade com os requisitos da lei de Deus, não se rendiam a suas exigências.
Os princípios apresentados em Deuteronômio para instrução de Israel, devem ser erguidos pelo povo de Deus até ao fim do tempo. A verdadeira prosperidade depende da continuidade de nossa relação de concerto com Deus. Nunca podemos nos permitir compromisso de princípio fazendo aliança com os que O não temem.
Há o constante perigo de que cristãos professos venham a pensar que para exercer influência sobre os mundanos, necessitem conformar-se até
certo ponto com o mundo. Mas embora tal conduta possa parecer como propiciando grandes vantagens, acaba sempre em perda espiritual. O povo de Deus deve guardar-se estritamente contra toda sutil influência que busque entrada mediante aduladoras insinuações dos inimigos da verdade. Eles são peregrinos e estrangeiros neste mundo; palmilhando um caminho juncado de perigos. Não devem dar atenção aos engenhosos subterfúgios e fascinantes razões que os tentem a afastar-se de sua obediência.
Não são os inimigos francos e confessos da causa de Deus os mais de temer. Aqueles que, como os adversários de Judá e Benjamim, vêm com palavras suaves e fala agradável, aparentemente procurando amigável aliança com os filhos de Deus, têm maior poder para enganar. Contra tais pessoas cada alma deve estar alerta, não suceda que algum engano magistral e cuidadosamente disfarçado o tome inadvertido. E especialmente hoje, enquanto a história da Terra caminha para o fim, o Senhor requer de Seus filhos uma vigilância que não conheça abrandamento. Mas embora o conflito seja incessante, ninguém é deixado a lutar sozinho. Anjos ajudam e protegem os que andam humildemente diante de Deus. O Senhor jamais trai a quem nEle confia. Quando Seus filhos dEle se aproximam em busca de proteção contra o mal, em piedade e amor Ele levanta para eles um estandarte contra o inimigo. Não lhes toque, Ele diz; pois são Meus. Tenho-os gravados nas palmas das Minhas mãos.
Incansáveis em sua oposição, os samaritanos “debilitavam as mãos do povo de Judá, e inquietavam-nos no edificar; e alugaram contra eles conselheiros para frustrarem o seu plano, todos os dias de Ciro, rei da Pérsia, até o reinado de Dario, rei da Pérsia”. Esdras 4:4, 5. Mediante falsos relatórios, eles suscitaram suspeitas em espíritos facilmente levados a suspeitar. Mas durante muitos anos os poderes do mal foram mantidos em xeque, e o povo na Judéia teve liberdade para continuar sua obra.
Enquanto Satanás estava procurando influenciar as mais altas autoridades no reino da Medo-Pérsia para que não mostrassem favor ao povo de Deus, anjos trabalhavam no interesse dos exilados. Era uma controvérsia na qual todo o Céu estava interessado. Por intermédio do profeta Daniel é-nos dado um lampejo desta poderosa luta entre as forças do bem e as do mal. Durante três semanas Gabriel se empenhou em luta com os poderes das trevas, procurando conter as influências em operação na mente de Ciro; e antes que a contenda terminasse, o próprio Cristo veio em auxílio de Gabriel. “O príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte de mim vinte e um dias”, Gabriel declara; “e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia”. Daniel 10:13. Tudo que o Céu podia fazer em favor do povo de Deus foi feito. A vitória foi finalmente ganha; as forças do inimigo foram contidas todos os dias de Ciro, e todos os dias de seu filho Cambisses, que reinou cerca de sete anos e meio.
Esse foi um tempo de maravilhosas oportunidades para os judeus. Os mais altos instrumentos do Céu estavam operando no coração dos reis, e o povo de Deus devia trabalhar com a máxima atividade para executar o decreto de Ciro. Não deviam eles poupar esforços no sentido de concluir a restauração do templo e suas cerimônias, e se restabeleceram em seus lares judaicos. Mas no dia do poder de Deus, muitos se provaram mal dispostos. A oposição dos seus inimigos era forte e determinada, e gradualmente os edificadores desanimaram. Alguns não podiam esquecer a cena do lançamento do alicerce, quando muitos tinham dado expressão a sua falta de confiança no empreendimento. E tornando-se os samaritanos mais ousados, muitos judeus punham em dúvida se, afinal de contas havia chegado o tempo para a reconstrução. O ressentimento logo se espalhou. Muitos dos obreiros, sem coragem ou ânimo, retornaram a seus lares, para assumirem seu curso comum de vida.
Durante o reinado de Cambisses, o trabalho do templo progrediu lentamente. E durante o reinado do falso Smerdis, chamado Artaxerxes em Esdras 4:7, os samaritanos induziram o inescrupuloso impostor a baixar um decreto proibindo os judeus de reconstruir sua cidade e templo.
Por mais de um ano o templo foi negligenciado, e quase abandonado. O povo habitava em seus lares, e tudo fazia por alcançar prosperidade temporal; mas sua situação era deplorável. Por mais que trabalhassem não prosperavam. Os próprios elementos da natureza, pareciam conspirar contra eles. Visto que haviam permitido continuasse o templo em ruínas, o Senhor enviou sobre seus recursos uma ruinosa estiagem. Deus lhes havia concedido os frutos do campo e dos pomares, o milho, o vinho, o óleo, como um sinal do Seu favor; mas como usassem essas abundantes dádivas tão egoistamente, a bênção foi retirada.
Tais eram as condições existentes durante a primeira parte do reinado de Dario Histaspes. Tanto do ponto de vista espiritual quando temporal, os israelitas estavam em estado deplorável. Tanto haviam murmurado e duvidado; tanto tempo tinham escolhido tratar de interesses pessoais primeiro, enquanto contemplavam com apatia o templo do Senhor em ruínas, que muitos haviam perdido de vista o propósito de Deus em fazê-los retornar à Judéia; e esses estavam dizendo: “Não veio ainda o tempo, o tempo em que a casa do Senhor deve ser edificada”. Ageu 1:2.
Mas nem mesmo esta hora escura foi sem esperança para aqueles cuja confiança estava em Deus. Os profetas Ageu e Zacarias foram despertados para enfrentar a crise. Com encorajadores testemunhos esses mensageiros escolhidos revelaram ao povo a causa de suas dificuldades. A falta de prosperidade temporal era o resultado da negligência em dar prioridade aos interesses de Deus, os profetas afirmaram. Tivessem os israelitas honrado a Deus, tivessem-Lhe eles mostrado o devido respeito
Profetas e Reis · Ellen G. White