Cristo Nossa Esperança
Plano Encontro 4 Dia 270
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Leitura do livro
Profetas e Reis, páginas 286-287
Era natural que a tristeza enchesse o coração desses homens encanecidos, ao considerarem os resultados da longa impenitência. Tivessem eles e a sua geração obedecido a Deus, executando o Seu propósito para Israel, e o templo construído por Salomão não teria sido destruído nem teria sido necessário o cativeiro. Mas em virtude da ingratidão e deslealdade, eles haviam sido espalhados entre as nações gentílicas.
Mudadas estavam agora as condições. Em terna misericórdia o Senhor havia visitado outra vez o Seu povo, e permitira-lhe retornar a sua própria terra. A tristeza pelos erros do passado devia ceder lugar a sentimentos de grande alegria. Deus tinha movido o coração de Ciro para que os ajudasse a reconstruir o templo, e isto devia ter despertado expressões de profunda gratidão. Mas alguns não discerniram as providências de Deus em operação. Em vez de se alegrarem, acariciaram pensamentos de descontentamento e desânimo. Haviam visto a glória do templo de Salomão, e lamentavam a inferioridade da construção a ser agora construída.
As murmurações e queixas, e a desfavorável comparação feita, tiveram uma influência deprimente sobre o espírito de muitos, e debilitaram as mãos dos construtores. Os trabalhadores levantaram a pergunta se deviam prosseguir com a construção de um edifício que já de início era tão francamente criticado e se tornava causa de tanta lamentação.
Havia muitos na congregação, no entanto, cuja maior fé e mais ampla visão não os tinha levado a considerar esta glória menor com tal descontentamento. “Muitos levantaram as vozes com júbilo e com alegria. De maneira que não discernia o povo as vozes de alegria das vozes do choro do povo; porque o povo jubilava com tão grande júbilo que as vozes se ouviam de mui longe”. Esdras 3:12, 13.
Se os que tinham deixado de rejubilar-se no lançamento dos fundamentos do templo, tivessem previsto os resultados de sua falta de fé nesse dia, teriam empalidecido. Pouco haviam eles imaginado o peso de suas palavras de desaprovação e desapontamento; pouco sabiam do muito que seu manifesto descontentamento haveria de retardar a terminação da casa do Senhor.
A beleza do primeiro templo, e os impressionantes ritos de seus cultos, haviam sido uma fonte de orgulho para Israel do seu cativeiro; mas a sua adoração havia não raro faltado aquelas qualidades que Deus considera como as essenciais. A glória do primeiro templo, e o esplendor de suas cerimônias, não poderiam recomendá-los a Deus; pois unicamente aquilo que é de valor a Sua vista eles não ofereciam. Eles não Lhe levavam o sacrifício de um espírito contrito e humilde.
É quando os princípios vitais do reino de Deus são perdidos de vista, que as cerimônias se tornam numerosas e extravagantes. É quando a edificação do caráter é negligenciada, quando falta o adorno da alma, quando é desprezada a simplicidade da piedade, que o orgulho e o amor da ostentação
reclamam magnificentes igrejas, esplêndidos adornos e imponentes cerimônias. Mas em nada disto Deus é honrado. Ele avalia a Sua igreja, não pelas vantagens externas, mas pela sincera piedade que a distingue do mundo. Ele a estima de acordo com o crescimento dos seus membros no conhecimento de Cristo, segundo o seu progresso na experiência espiritual. Ele olha para os princípios de amor e bondade. Nem toda a beleza da arte pode ser comparada com a beleza da têmpera e do caráter que devem ser revelados naqueles que são representantes de Cristo.
Uma congregação pode ser a mais pobre da Terra. Pode não ter as atrações de exibição exterior; mas se os seus membros possuem os princípios do caráter de Cristo, os anjos se unirão com eles em seu culto. O louvor e ações de graças do coração agradecido ascenderão a Deus como suave oferenda.
“Louvai ao Senhor,
porque Ele é bom;
porque a Sua benignidade é para sempre.
Digam-no os remidos do Senhor,
os que remiu da mão do inimigo”.
“Cantai-Lhe, cantai-Lhe salmos;
falai de todas as Suas maravilhas.
Gloriai-vos no Seu santo nome;
alegre-se o coração daqueles que buscam ao Senhor”.
“Pois fartou a alma sedenta,
e encheu de bens a alma faminta”.
Profetas e Reis · Ellen G. White