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Profetas e Reis, páginas 285-286

derrubado e destruído. “Alguns dos chefes dos pais” deram o exemplo em oferecer donativos para ajudar a enfrentar as despesas de reconstrução do templo; e o povo, seguindo seu exemplo, deu livremente de seus pobres recursos. Esdras 2:64-70.

Tão depressa quanto possível, foi construído um altar no sítio do antigo altar no recinto do templo. Para as solenidades relacionadas com a dedicação deste altar, o povo alegremente “se ajuntou como um só homem”, e aí se uniram no restabelecimento das cerimônias que tinham sido interrompidas quando da destruição de Jerusalém por Nabucodonosor. Antes de se separarem para habitar nos lares que estavam procurando reparar, “celebraram a festa dos tabernáculos”. Esdras 3:1-6.

O levantamento do altar para o sacrifício diário alegrou sobremaneira o fiel remanescente. De coração entregaram-se à preparação necessária para a reconstrução do templo, ganhando alento à medida que esses preparativos progrediam de mês em mês. Durante muitos anos eles haviam estado privados dos visíveis sinais da presença de Deus. E agora, circundados como estavam por muitas recordações tristes da apostasia de seus pais, ansiavam por algum perdurável sinal do perdão e favor divinos. Acima da reconquista de propriedades pessoais e antigos privilégios, eles consideravam a aprovação de Deus. Maravilhosamente havia Ele operado em seu favor, e eles sentiam consigo a segurança de Sua presença; contudo desejavam maior bênção ainda. Com jubilosa antecipação olhavam para o tempo em que, com o templo reconstruído, poderiam contemplar o brilho de Sua glória vindo do interior.

Os obreiros empenhados na preparação do material de construção, encontraram entre as ruínas algumas das enormes pedras levadas ao local do templo nos dias de Salomão. Essas pedras foram preparadas para serem usadas, e muito material novo foi provido; e logo a obra chegou ao ponto em que a pedra fundamental devia ser posta. Isto foi feito na presença de milhares que se haviam reunido para testemunhar o progresso da obra e manifestar a expressão da sua alegria, tomando parte nela. Enquanto a pedra fundamental estava sendo posta em sua posição, o povo, acompanhado pelas trombetas dos sacerdotes e os címbalos dos filhos de Asafe, “cantava a revezes, louvando e celebrando ao Senhor; porque é bom; porque a Sua benignidade dura para sempre sobre Israel”. Esdras 3:11.

A casa que estava prestes a ser reconstruída tinha sido objeto de muitas profecias concernentes ao favor que Deus desejava mostrar a Sião, e todos os que estavam presentes no lançamento dos alicerces devem ter estado, de coração, possuídos do espírito do momento. Mas em meio à música e às exclamações de louvor que se ouviam nesse dia feliz, houve um anota discordante. “Muitos dos sacerdotes, e levitas, e chefes dos pais, já velhos, que viram a primeira casa, sobre o seu fundamento, vendo perante os seus olhos esta casa, choraram em altas vozes”. Esdras 3:12.

Era natural que a tristeza enchesse o coração desses homens encanecidos, ao considerarem os resultados da longa impenitência. Tivessem eles e a sua geração obedecido a Deus, executando o Seu propósito para Israel, e o templo construído por Salomão não teria sido destruído nem teria sido necessário o cativeiro. Mas em virtude da ingratidão e deslealdade, eles haviam sido espalhados entre as nações gentílicas.

Mudadas estavam agora as condições. Em terna misericórdia o Senhor havia visitado outra vez o Seu povo, e permitira-lhe retornar a sua própria terra. A tristeza pelos erros do passado devia ceder lugar a sentimentos de grande alegria. Deus tinha movido o coração de Ciro para que os ajudasse a reconstruir o templo, e isto devia ter despertado expressões de profunda gratidão. Mas alguns não discerniram as providências de Deus em operação. Em vez de se alegrarem, acariciaram pensamentos de descontentamento e desânimo. Haviam visto a glória do templo de Salomão, e lamentavam a inferioridade da construção a ser agora construída.

As murmurações e queixas, e a desfavorável comparação feita, tiveram uma influência deprimente sobre o espírito de muitos, e debilitaram as mãos dos construtores. Os trabalhadores levantaram a pergunta se deviam prosseguir com a construção de um edifício que já de início era tão francamente criticado e se tornava causa de tanta lamentação.

Havia muitos na congregação, no entanto, cuja maior fé e mais ampla visão não os tinha levado a considerar esta glória menor com tal descontentamento. “Muitos levantaram as vozes com júbilo e com alegria. De maneira que não discernia o povo as vozes de alegria das vozes do choro do povo; porque o povo jubilava com tão grande júbilo que as vozes se ouviam de mui longe”. Esdras 3:12, 13.

Se os que tinham deixado de rejubilar-se no lançamento dos fundamentos do templo, tivessem previsto os resultados de sua falta de fé nesse dia, teriam empalidecido. Pouco haviam eles imaginado o peso de suas palavras de desaprovação e desapontamento; pouco sabiam do muito que seu manifesto descontentamento haveria de retardar a terminação da casa do Senhor.

A beleza do primeiro templo, e os impressionantes ritos de seus cultos, haviam sido uma fonte de orgulho para Israel do seu cativeiro; mas a sua adoração havia não raro faltado aquelas qualidades que Deus considera como as essenciais. A glória do primeiro templo, e o esplendor de suas cerimônias, não poderiam recomendá-los a Deus; pois unicamente aquilo que é de valor a Sua vista eles não ofereciam. Eles não Lhe levavam o sacrifício de um espírito contrito e humilde.

É quando os princípios vitais do reino de Deus são perdidos de vista, que as cerimônias se tornam numerosas e extravagantes. É quando a edificação do caráter é negligenciada, quando falta o adorno da alma, quando é desprezada a simplicidade da piedade, que o orgulho e o amor da ostentação

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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