Cristo Nossa Esperança

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Profetas e Reis, página 276

estimativa do seu caráter. Ele percebeu logo o maligno propósito que tiveram na elaboração do decreto, mas não mudou a sua conduta num mínimo que fosse. Por que deveria ele deixar de orar agora, quando mais necessário era orar? Antes renunciaria à própria vida a renunciar a sua esperança de auxílio em Deus. Tranqüilamente ele desempenhou seus deveres como chefe dos príncipes; e na hora da oração dirigiu-se para o seu aposento, e com as janelas abertas para o lado de Jerusalém, de acordo com o costume, fez as suas petições ao Deus do Céu. Ele não procurou ocultar o seu ato. Embora soubesse muito bem quais as conseqüências de sua fidelidade a Deus, seu espírito não vacilou. Ante os que estavam tramando a sua ruína, ele não permitira sequer a aparência de que sua ligação com o Céu estava interrompida. Em todos os casos onde o rei tivesse o direito de ordenar, Daniel obedeceria; mas nem o rei nem o seu decreto poderiam fazê-lo desviar-se de sua obediência ao Rei dos reis.

Assim ousada, embora quieta e humildemente, o profeta declarou que nenhum poder terreno tem o direito de interpor-se entre a alma e Deus. Cercado por idólatras, ele era uma fiel testemunha desta verdade. Seu inquebrantável apego ao direito era uma brilhante luz nas trevas morais dessa corte pagã. Daniel está perante o mundo hoje como um digno exemplo do destemor e fidelidade cristãos.

Durante todo um dia os príncipes observaram Daniel. Três vezes viram-no dirigir-se ao seu aposento, e três vezes ouviram sua voz erguer-se em fervente intercessão a Deus. Na manhã seguinte fizeram sua denúncia perante o rei. Daniel, seu mais honrado e fiel estadista, tinha votado ao desprezo o decreto real. “Porventura não assinaste o edito”, lembraram-lhe, “pelo qual todo o homem que fizesse uma petição a qualquer deus, ou qualquer homem, por espaço de trinta dias, e não a ti, ó rei, seria lançado na cova dos leões?”

“Esta palavra é certa”, respondeu o rei, “conforme a lei dos medos e dos persas, que se não pode revogar”.

Exultantemente informaram eles agora a Dario da conduta do seu mais acatado conselheiro. “Daniel, que é dos transportados de Judá”, exclamaram, “não tem feito caso de ti, ó rei, nem do edito que assinaste, antes três vezes ao dia faz a sua oração”. Daniel 6:12, 13.

Quando o rei ouviu essas palavras, viu de imediato o laço que havia sido armado para o seu fiel servo. Compreendeu que não fora o zelo pela honra e glória real, mas a inveja de Daniel, o que os levara a propor o decreto real. “Penalizado” pela parte que havia desempenhado no mal que se praticara, o rei “até o pôr-do-sol trabalhou” para salvar seu amigo. Os príncipes, prevendo este esforço da parte do rei, vieram a ele com as palavras: “Sabe, ó rei, que é uma lei dos medos e dos persas que nenhum edito ou ordenança, que o rei determine, se pode mudar.” O decreto, embora feito de afogadilho, era inalterável, e devia produzir os seus efeitos.

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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