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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 262-263

Capítulo 42 — A verdadeira grandeza

Este capítulo é baseado em Daniel 4.

Exaltado ao pináculo da honra mundana, e reconhecido mesmo pela Inspiração como “rei dos reis” (Ezequiel 26:7), Nabucodonosor não obstante algumas vezes tinha atribuído ao favor de Jeová a glória do seu reino e o esplendor do seu reinado. Este foi o caso quando do seu sonho da grande imagem. Seu espírito havia sido profundamente influenciado por esta visão, e pelo pensamento de que o império babilônico, embora universal, devia finalmente cair, e outros reinos haveriam de dominar, até que afinal todos os poderes da Terra fossem substituídos pelo reino a ser estabelecido pelo Deus do Céu, sendo que esse reino não seria jamais destruído.

A nobre concepção que Nabucodonosor tinha dos propósitos de Deus no tocante às nações fora perdido de vista posteriormente em sua experiência; e quando o seu orgulhoso espírito foi humilhado aos olhos da multidão no campo de Dura, ele uma vez mais reconheceu que o reino de Deus é “um reino eterno, e o Seu domínio de geração em geração”. Idólatra por nascimento e educação, e cabeça de um povo idólatra, tinha ele contudo um inato senso da justiça e do direito, e Deus podia usá-lo como instrumento na punição dos rebeldes e para o cumprimento do propósito divino. Como um dos “mais formidáveis dentre as nações” (Ezequiel 28:7), foi dado a Nabucodonosor, após anos de paciência e infatigável labor, conquistar Tiro; o Egito também caiu presa de seus exércitos vitoriosos; e ao acrescentar ele nação após nação ao domínio babilônico, mais e mais cresceu a sua fama como o maior governante do século.

Não surpreende que o bem-sucedido monarca, tão ambicioso e de espírito tão exaltado, fosse tentado a desviar-se do caminho da humildade, o único que leva à verdadeira grandeza. Nos intervalos de suas guerras de conquista, dedicou-se muito a embelezar e fortificar sua capital, até que afinal a cidade de Babilônia se tornou a principal glória do seu reino, “a cidade dourada” (Isaías 14:4), o louvor de toda a Terra. Sua paixão como construtor, e seu assinalado sucesso em tornar Babilônia uma das maravilhas do mundo, trabalharam o seu orgulho, até que ele esteve no grave perigo de despojar o seu registro do fato de ser um sábio rei a quem Deus poderia usar como instrumento para executar o propósito divino.

Em misericórdia Deus deu ao rei outro sonho, para adverti-lo do perigo em que estava, e do engano a que tinha sido levado para sua ruína. Numa visão da noite, foi mostrado a Nabucodonosor uma grande árvore

que crescia no meio da Terra, cujo topo alcançava o céu, e seus ramos se estendiam até as extremidades da Terra. Animais dos campos e montanhas se abrigavam sob sua sombra, e as aves do céu construíam ninhos em seus ramos. “A sua folhagem era formosa, e o seu fruto, abundante, e havia nela sustento para todos; [...] e toda carne se mantinha dela”. Daniel 4:12.

Estando o rei a contemplar a árvore altaneira, viu ele que “um vigia, um santo” (Daniel 4:13), se aproximou da árvore, e em alta voz clamou:

“Derribai a árvore, e cortai-lhe os ramos, e sacudi as suas folhas, e espalhai o seu fruto; afugentem-se os animais de debaixo dela e as aves dos seus ramos. Mas o tronco, com as suas raízes, deixai na terra e, com cadeias de ferro e de bronze, na erva do campo; e seja molhado do orvalho do céu, e a sua porção seja com os animais na grama da terra. Seja mudado o seu coração, para que não seja mais coração de homem, e seja-lhe dado coração de animal; e passem sobre ele sete tempos. Esta sentença é por decreto dos vigiadores, e esta ordem, por mandado dos santos; a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens; e os dá a quem quer e até ao mais baixo dos homens constitui sobre eles”. Daniel 4:14-17.

Grandemente perturbado pelo sonho, que era evidentemente uma predição de adversidade, o rei repetiu-o para “os magos, os astrólogos, os caldeus e os adivinhadores” (Daniel 4:7), mas embora o sonho fosse muito explícito, nenhum dos sábios pôde interpretá-lo.

Uma vez mais nessa nação idólatra devia ser dado testemunho do fato de que unicamente aqueles que amam e temem a Deus podem compreender os mistérios do reino do Céu. O rei em sua perplexidade mandou em busca de seu servo Daniel, homem estimado por sua integridade e constância e por sua inigualada sabedoria.

Quando Daniel, em resposta à convocação real, apresentou-se ante o rei, Nabucodonosor disse: “Beltessazar, príncipe dos magos, eu sei que há em ti o espírito dos deuses santos, e nenhum segredo te é difícil; dize-me as visões do meu sonho que tive e a sua interpretação”. Daniel 4:9. Após relatar o sonho, Nabucodonosor disse: “Tu, pois, Beltessazar, dize a interpretação; todos os sábios do meu reino não puderam fazer-me saber a interpretação, mas tu podes; pois há em ti o espírito dos deuses santos”. Daniel 4:18.

Para Daniel o significado do sonho foi claro, e este significado o alarmou. Ele “esteve atônito quase uma hora, e os seus pensamentos o turbavam”. Percebendo a hesitação e angústia de Daniel, o rei manifestou simpatia por seu servo. “Beltessazar”, disse ele, “não te espante o sonho, nem a sua interpretação.”

“Senhor meu”, respondeu Daniel, “o sonho seja contra os que te têm ódio, e a sua interpretação, para os teus inimigos”. Daniel 4:19. O profeta compreendeu que sobre ele tinha Deus colocado o solene dever de revelar a Nabucodonosor o juízo que estava para lhe sobrevir em virtude de seu

Profetas e Reis · Ellen G. White

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