Cristo Nossa Esperança
Plano Encontro 4 Dia 230
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Leitura do livro
Profetas e Reis, páginas 238-239
Tivesse este conselho sido ouvido através dos séculos seguintes, quão diferentes teria sido a história de Israel Somente pela reverência à Palavra santa de Deus no coração do povo, poderiam eles esperar cumprir o divino propósito. Foi o respeito pela lei de Deus que deu a Israel força durante o reinado de Davi e nos primeiros anos do reinado de Salomão; foi pela fé na viva Palavra que se operou a reforma nos dias de Elias e Josias. E foi para essas mesmas Escrituras de verdade — a mais rica herança de Israel — que Jeremias apelou em seus esforços no sentido da reforma. Onde quer que ministrasse, ele ia ao encontro do povo com o fervente apelo: “Ouvi as palavras deste concerto” (Jeremias 11:2), palavras que lhes daria a eles plena compreensão do propósito de Deus de estender a todas as nações o conhecimento da verdade salvadora.
Nos anos finais da apostasia de Judá, as exortações dos profetas foram aparentemente de pouco valor; e ao virem os exércitos dos caldeus pela terceira e última vez para sitiarem Jerusalém, a esperança fugiu dos corações. Jeremias predisse total ruína; e foi em virtude de sua insistência para que se rendessem que finalmente ele foi levado à prisão. Mas Deus não deixou em desespero sem remédio o fiel remanescente que ainda estava na cidade. Mesmo quando Jeremias estava mantido sob severa vigilância pelos que lhe repeliam as mensagens, vieram-lhe novas revelações concernentes à disposição do Céu para perdoar e salvar — revelações que têm sido uma infalível fonte de conforto para a igreja de Deus nos dias que correm.
Descansando confiante nas promessas de Deus, Jeremias, mediante uma parábola representativa, ilustrou perante os habitantes da cidade condenada sua forte fé no cumprimento final do propósito de Deus por Seu povo. Na presença de testemunhas, e com cuidadosa observância de toda formalidade legal, ele comprou por dezessete siclos de prata um campo de família situado na vizinha vila de Anatote.
Do ponto de vista humano, a aquisição deste terreno já sob o controle dos babilônios, pareceria um ato de loucura. O profeta mesmo predissera a destruição de Jerusalém, a desolação da Judéia e a completa ruína do reino Ele profetizara de um longo período de cativeiro na distante Babilônia. Já avançado em anos, jamais poderia ele esperar receber os benefícios pessoais da compra que fizera. Entretanto, os estudos que havia feito das profecias registradas nas Escrituras, tinham criado em seu coração a firme convicção de que o Senhor Se propunha restaurar para os filhos do cativeiro sua antiga possessão na terra da promessa. Com os olhos da fé, Jeremias viu os exilados retornando ao fim dos anos de aflição, e reocupando a terra de seus pais. Comprando o campo de Anatote, inspiraria a outros a esperança que tanto conforto havia levado ao próprio coração.
Havendo assinado os papéis de transferência, com as respectivas assinaturas das testemunhas, Jeremias ordenou a Baruque, seu secretário:
“Toma estes autos, este auto de compra, tanto o selado, como o aberto, e mete-o num vaso de barro, para que se possam conservar muitos dias. Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Ainda se comprarão casas, e campos, e vinhas nesta terra”. Jeremias 32:14, 15.
Tão desencorajadoras eram as perspectivas para Judá ao tempo desta extraordinária transação, que imediatamente após formalizar os pormenores da compra e os arranjos para a preservação do registro escrito, a fé de Jeremias, inabalável como tivesse sido, era agora duramente provada.
Teria ele, em seus esforços por encorajar Judá, agido presunçosamente? Em seu desejo de estabelecer a confiança nas promessas da Palavra de Deus, teria ele dado lugar a uma falsa esperança? Os que haviam entrado em relação de concerto com Deus desde muito tinham menosprezado as provisões feitas em seu favor. Encontrariam as promessas feitas à nação escolhida completo cumprimento?
Perplexo em espírito, subjugado pela tristeza em virtude dos sofrimentos dos que se haviam recusado a arrepender-se de seus pecados, o profeta apelou a Deus por mais luz sobre o propósito divino para a humanidade.
“Ah Senhor Jeová” ele orou. “eis que Tu fizeste os céus e a Terra com o Teu grande poder, e com o Teu braço estendido; não Te é maravilhosa coisa alguma; Tu usas de benignidade com milhares e tornas a maldade dos pais ao seio dos filhos depois deles; o grande e poderoso Deus cujo nome é o Senhor dos Exércitos, grande em conselho, e magnífico em obras; porque os Teus olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens, para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas obras. Tu puseste sinais e maravilhas na terra do Egito até ao dia de hoje, tanto em Israel, como entre os outros homens, e Te criaste um nome, qual é o que tens neste dia. E tiraste o Teu povo Israel da terra do Egito, com sinais e com maravilhas, e com mão forte e com braço estendido, e com grande espanto; e lhes deste esta terra, que juraste a seus pais que lhes havia de dar; terra que mana leite e mel. E entraram nela, e a possuíram, mas não obedeceram a Tua voz, nem andaram na Tua lei; tudo o que lhes mandaste que fizessem, eles não o fizeram; pelo que ordenaste lhes sucedesse todo este mal”. Jeremias 32:17-23.
Os exércitos de Nabucodonosor estavam prestes a tomar de assalto os muros de Sião. Milhares estavam perecendo numa tentativa final e desesperada de defender a cidade. Muitos milhares mais estavam morrendo de fome e enfermidades. A sorte de Jerusalém estava já selada. As torres sitiantes das forças inimigas estavam já superando os muros. “Eis aqui os valados” o profeta continuou em sua oração a Deus, “já vieram contra a cidade para tomá-la, e a cidade está dada nas mãos dos caldeus, que pelejam contra ela, pela espada, e pela fome, e pela pestilência; e o que disseste se cumpriu, e eis aqui o estás presenciando. Contudo me disseste, ó Deus:
Profetas e Reis · Ellen G. White