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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 227-228

As palavras de Jeremias aconselhando submissão levaram Hananias a um ousado desafio quanto à fidedignidade da mensagem apresentada. Tomando o jugo simbólico do pescoço de Jeremias, Hananias quebrou-o, dizendo: “Assim diz o Senhor: Assim quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei de Babilônia, depois de passados dois anos completos”.

“E Jeremias, o profeta, se foi no seu caminho”. Jeremias 28:11. Aparentemente nada mais podia ele fazer senão retirar-se do cenário do conflito. Mas a Jeremias foi dada outra mensagem. “Vai”, o Senhor lhe ordenou, “e fala a Hananias, dizendo: Assim diz o Senhor: Jugo de madeira quebraste, mas em vez deles farás jugo de ferro. Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Jugo de ferro pus sobre o pescoço de todas estas nações, para servirem a Nabucodonosor, rei de Babilônia, e servi-lo-ão. [...]

“E disse Jeremias, o profeta, a Hananias, o profeta: Ouve agora, Hananias: Não te enviou o Senhor, mas tu fizeste que este povo confiasse em mentiras. Pelo que assim diz o Senhor: Eis que te lançarei de sobre a face da Terra; este ano morrerás, porque falaste em rebeldia contra o Senhor. E morreu Hananias, o profeta, no mesmo ano, no sétimo mês”. Jeremias 28:13-17.

O falso profeta tinha fortalecido a incredulidade do povo em Jeremias e sua mensagem. Impiamente havia-se declarado mensageiro do Senhor, e sofrera a morte como conseqüência. No quinto mês Jeremias profetizou a morte de Hananias, e no sétimo mês suas palavras se provaram verdadeiras pelo seu cumprimento.

O desassossego causado pelas declarações dos falsos profetas pôs Zedequias sob suspeita de traição, e não foi senão por ação imediata e decisiva de sua parte que lhe foi permitido continuar a reinar como vassalo. A oportunidade para tal ação se tornou propícia pouco tempo após o retorno dos embaixadores, de Jerusalém às nações circunvizinhas, quando o rei de Judá acompanhou Seraías, “um príncipe pacífico” (Jeremias 51:59), numa importante missão a Babilônia. Durante esta visita à corte caldaica, Zedequias renovou seu voto de submissão a Nabucodonosor.

Por intermédio de Daniel e outros dentre os hebreus cativos, o monarca babilônio tinha sido informado do poder e suprema autoridade do verdadeiro Deus; e quando Zedequias uma vez mais solenemente prometeu permanecer leal, Nabucodonosor requereu dele que fizesse esta promessa com juramento em nome do Senhor Deus de Israel. Tivesse Zedequias respeitado esta renovação do seu concerto com juramento, sua lealdade teria tido uma profunda influência sobre a mente de muitos que estavam observando a conduta daqueles que diziam reverenciar o nome e estimar a honra do Deus dos hebreus.

Mas o rei de Judá perdeu de vista seu alto privilégio de honrar o nome do Deus vivo. De Zedequias está escrito: “Fez o que era mau aos

olhos do Senhor seu Deus; nem se humilhou perante o profeta Jeremias, que falava da parte do Senhor. Demais disto, também se rebelou contra o rei Nabucodonosor, que o tinha juramentado por Deus. Mas endureceu a sua cerviz, e tanto se obstinou no seu coração, que se não converteu ao Senhor, Deus de Israel”. 2 Crônicas 36:12, 13.

Enquanto Jeremias continuava a dar o seu testemunho na terra de Judá, o profeta Ezequiel foi suscitado entre os cativos em Babilônia, para advertir e confortar os exilados, e também para confirmar a palavra do Senhor que fora exposta pelo profeta Jeremias. Durante os anos que restaram do reinado de Zedequias, Ezequiel tornou muito clara a loucura de confiar nas falsas predições dos que estavam levando os cativos a esperar para breve o retorno a Jerusalém. Ele foi também instruído a predizer, por meio de uma variedade de símbolos e solenes mensagens, o cerco e posterior destruição de Jerusalém.

No sexto ano do reinado de Zedequias, o Senhor revelou a Ezequiel em visão algumas das abominações que estavam sendo praticadas em Jerusalém, dentro das portas da casa do Senhor e até mesmo no átrio interior. As câmaras das imagens, os ídolos pintados, “toda a forma de répteis, e animais abomináveis, e de todos os ídolos da casa de Israel” (Ezequiel 8:10), tudo passou em rápida sucessão ante o olhar atônito do profeta.

Os que deviam ter sido líderes espirituais entre o povo, “os anciãos da casa de Israel”, setenta homens, foram vistos oferecendo incenso perante as representações idólatras que tinham sido introduzidas nas câmaras secretas dentro dos recintos sagrados do átrio do templo. “O Senhor não nos vê”, lisonjeavam-se os homens de Judá ao se entregarem a práticas pagãs: “o Senhor abandonou a terra” (Ezequiel 8:11, 12), declaravam em blasfêmia.

Havia ainda “maiores abominações” para que o profeta contemplasse. À entrada da porta que levava do pátio exterior para o interior foram-lhe mostradas “mulheres assentadas chorando por Tamuz”; e dentro, no “átrio interior da casa do Senhor [...] à entrada do templo do Senhor, entre o pórtico e o altar, cerca de vinte e cinco homens, de costas para o templo do Senhor, e com os rostos para o Oriente [...] adoravam o Sol, virados para o Oriente”. Ezequiel 8:13-16.

E agora o Ser glorioso que acompanhava Ezequiel nessa espantosa visão de impiedade nos lugares altos da terra de Judá, inquiriu do profeta: “Viste, filho do homem? há coisa mais leviana para a casa de Judá do que essas abominações que fazem aqui? havendo enchido a terra de violência, tornam a irritar-Me; e, ei-los a chegar o ramo ao seu nariz. Pelo que também Eu procederei com furor; o Meu olho não poupará, nem terei piedade. Ainda que Me gritem aos ouvidos com grande voz, Eu não os ouvirei”. Ezequiel 8:17, 18.

Por intermédio de Jeremias o Senhor havia declarado a respeito dos homens ímpios que presunçosamente ousavam apresentar-se diante do

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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