Cristo Nossa Esperança

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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 202-203

Os estímulos oferecidos como recompensa da obediência foram acompanhados por profecias de juízo contra o desobediente; e ao ouvir o rei as inspiradas palavras, reconheceu, no quadro que lhe estava diante, condições similares às predominantes então no reino. Em conexão com essa retratação profética do afastamento de Deus, ele ficou alarmado ao encontrar afirmações claras de molde a concluir que o dia da calamidade seguir-se-ia depressa, e que não haveria remédio. A linguagem era clara; não se poderia compreender diferentemente o significado das palavras. E no encerramento do volume, num sumário do trato de Deus com Israel e uma repetição dos eventos futuros, esses assuntos foram tornados duplamente claros. Aos ouvidos de todo o Israel, Moisés havia declarado:

“Inclinai os ouvidos, ó Céus, e falarei;
e ouça a Terra as palavras da minha boca.
Goteje a minha doutrina como a chuva,
destile o meu dito como o orvalho,
como chuvisco sobre a erva
e como gotas de água sobre a relva.
Porque apregoarei o nome do Senhor;
dai grandeza a nosso Deus.
Ele é a Rocha cuja obra é perfeita,
porque todos os Seus caminhos juízos são;
Deus é a verdade, e não há nEle injustiça;
justo e reto é”.

Deuteronômio 32:1-4.

“Lembra-te dos dias da antiguidade,
atenta para os anos de muitas gerações;
pergunta a teu pai, e ele te informará,
aos teus anciãos, e eles to dirão.
Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações,
quando dividia os filhos de Adão uns dos outros,
pôs os termos dos povos,
conforme ao número dos filhos de Israel.
Porque a porção do Senhor é o Seu povo;
Jacó é a corda da Sua herança.
Achou-o na terra do deserto,
e num ermo solitário cheio de uivos;
trouxe-o ao redor, instruiu-o,
guardou-o como a menina do Seu olho”.

Deuteronômio 32:7-10.

Mas Israel deixou a Deus, que o fez,
e desprezou a Rocha da sua salvação.
Como deuses estranhos O provocaram a zelos;
com abominações O irritaram.
Sacrifícios ofereceram aos diabos, não a Deus;
aos deuses que não conheceram,
novos deuses que vieram há pouco,
dos quais não se estremeceram vossos pais.
Esqueceste-te da Rocha que te gerou,
e em esquecimento puseste o Deus que te formou.

O que, vendo o Senhor, os desprezou,
provocado à ira contra Seus filhos e Suas filhas;
e disse: Esconderei o Meu rosto deles,
verei qual será o seu fim,
porque são geração de perversidade,
filhos em quem não há lealdade.
A zelos Me provocaram com aquilo que não é Deus.
Com as suas vaidades Me provocaram à ira;
portanto Eu os provocarei a zelos
com os que não são povo,
com nação louca os despertarei à ira.
Males amontoarei sobre eles,
as Minhas setas esgotarei contra eles.
Exaustos serão de fome, comidos de carbúnculo,
e de peste amarga.
Porque são gente falta de conselhos,
e neles não há entendimento.
Oxalá eles fossem sábios que isto entendessem,
e atentassem para o seu fim!

Como pode ser que um só perseguisse mil,
e dois fizessem fugir dez mil,
se a sua Rocha os não vendera,
E o Senhor os não entregara?
Porque

a sua rocha não é como a nossa Rocha,
sendo até os nossos inimigos juízes disto.
Não está isto encerrado comigo?
Selado nos Meus tesouros?
Minha é a vingança e a recompensa,
ao tempo que resvalar o seu pé;
porque o dia da sua ruína está próximo,
e as coisas que lhes hão de suceder se apressam a chegar”.

Deuteronômio 32:15-21, 23, 24, 28-31, 34, 35.

Essas passagens revelaram a Josias o amor de Deus por Seu povo e Sua aversão ao pecado. Lendo o rei as profecias de apressado juízo sobre os que persistissem na rebelião, tremeu ante o futuro. A perversidade de Judá havia sido grande; qual seria o resultado de sua continuada apostasia?

Em anos anteriores o rei não havia sido indiferente à predominante apostasia. “No oitavo ano do seu reinado, sendo ainda moço”, ele se consagrou inteiramente ao serviço de Deus. Quatro anos mais tarde, com a idade de vinte anos, havia ele feito um fervoroso esforço para remover a tentação de seus súditos, purificando “a Judá e Jerusalém, dos altos e dos bosques, e das imagens de escultura e de fundição”. “E derribaram perante ele os altares de Baalim; e cortou as imagens do Sol, que estavam acima deles; e os bosques, e as imagens de escultura e de fundição quebrou e reduziu a pó, e o espargiu sobre as sepulturas dos que lhes tinham sacrificado. E os ossos dos sacerdotes queimou sobre os seus altares, e purificou a Judá e a Jerusalém”. 2 Crônicas 34:3-5.

Não contente com fazer uma obra total na terra de Judá, o jovem rei havia estendido seus esforços às partes da Palestina anteriormente ocupadas pelas dez tribos de Israel, de que permanecia apenas um fraco remanescente. “O mesmo fez nas cidades de Manassés”, diz o relato, “e de Efraim, e de Simeão, e ainda até Naftali”. Não antes que tivesse percorrido de extremo a extremo esta região de lares arruinados, “e tendo derribado os altares, e os bosques, e as imagens de escultura, até reduzi-los a pó”, “tendo cortado todas as imagens do Sol em toda a terra de Judá” (2 Crônicas 34:6, 7) — não antes retornou ele para Jerusalém.

Assim Josias, desde o limiar mesmo de sua varonilidade, havia-se empenhado em tirar partido de sua posição como rei para exaltar os princípios da santa lei de Deus. E agora, enquanto o escriba Safã lia para ele no livro da lei, o rei discerniu neste volume um tesouro de conhecimento, um poderoso aliado na obra de reforma que tanto desejava ver executada na terra. Resolveu andar na luz dos seus conselhos, e também fazer tudo que estivesse em seu poder para familiarizar seu povo com seus ensinos, e levá-los, se possível, a cultivar reverência e amor pela lei do Céu.

Seria, porém, possível levar a efeito a necessitada reforma? Israel havia alcançado, quase, os limites da divina paciência; logo Deus Se levantaria para punir os que haviam desonrado Seu nome. Já a ira do Senhor estava inflamada contra o povo. Oprimido pela tristeza e desânimo, Josias rasgou seus vestidos, e se prostrou perante Deus em agonia de espírito, suplicando perdão para os pecados de uma nação impenitente.

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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