Cristo Nossa Esperança
Plano Encontro 4 Dia 150
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Leitura do livro
Profetas e Reis, páginas 166-168
povo para a fraqueza da posição deste entre as nações da Terra; e mostrou que isto era o resultado da impiedade que se praticava nas altas esferas. “Eis”, disse ele, “que o Senhor Deus dos Exércitos tirará de Jerusalém e de Judá o bordão e o cajado, todo o sustento de pão, e toda a sede de água; o valente, e o soldado, o juiz e o profeta, e o adivinho, e o ancião; o capitão de cinqüenta, e o respeitável, e o conselheiro, e o sábio entre os artífices, e o eloqüente; e dar-lhes-ei mancebos por príncipes, e crianças governarão sobre eles.” “Porque Jerusalém tropeçou, e Judá caiu; porquanto a sua língua e as suas obras são contra o Senhor”. Isaías 3:1-4, 8.
“Os que te guiam”, continuou o profeta, “te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas”. Isaías 3:12. Durante o reinado de Acaz isto foi literalmente verdade; pois dele está escrito: “Andou nos caminhos dos reis de Israel, e, demais disto, fez imagens fundidas a Baalim. Também queimou incenso no vale do filho de Hinom, e queimou a seus filhos no fogo, conforme a todas as abominações dos gentios que o Senhor tinha desterrado de diante dos filhos de Israel”. 2 Crônicas 28:2, 3; 2 Reis 16:3.
Esse foi sem dúvida um tempo de grande perigo para a nação escolhida. Poucos anos mais e as dez tribos do reino de Israel seriam espalhadas entre as nações gentílicas. E no reino de Judá também as perspectivas eram negras. As forças do bem estavam diminuindo rapidamente, e as do mal aumentando. O profeta Miquéias, em vista da situação foi constrangido a exclamar: “Pereceu o benigno da terra, e não há entre os homens um que seja reto.” “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que um espinhal”. Miquéias 7:2, 4. “Se o Senhor dos Exércitos não nos deixara algum remanescente”, exclamou Isaías, “já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra”. Isaías 1:9.
Em todos os séculos, por amor dos que permaneceram leais, bem como em virtude do Seu infinito amor pelo transviado, Deus tem manifestado tolerância para com os rebeldes, e tem-nos admoestado a que abandonem seu mau caminho, e tornem para Ele. “Mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali” (Isaías 28:10), Ele tem ensinado aos transgressores o caminho da justiça por intermédio de homens por Ele indicados.
E assim foi durante o reinado de Acaz. Convite sobre convite foi enviado ao extraviado Israel para que retornasse à submissão a Jeová. Ternas foram as súplicas dos profetas; e ao estarem diante do povo, fervorosamente exortando ao arrependimento e reforma, suas palavras produziam fruto para a glória de Deus.
Através de Miquéias veio o maravilhoso apelo: “Ouvi agora o que diz o Senhor: levanta-te, contende com os montes, e ouçam os outeiros a tua voz. Ouvi, montes, a contenda do Senhor, e vós, fortes fundamentos da Terra; porque o Senhor tem uma contenda com o Seu povo, e com Israel entrará em juízo.
“Ó povo Meu que te tenho feito? e em que te enfadei? testifica contra Mim. Certamente te fiz subir da terra do Egito e da casa da servidão te remi; e pus diante de ti a Moisés, Arão e Miriã.
“Povo Meu, ora lembra-te da consulta de Balaque, rei de Moabe, e do que lhe respondeu Balaão, filho de Beor, desde Sitim até Gilgal, para que conheças as justiças do Senhor”. Miquéias 6:1-5.
O Deus a quem servimos é longânimo; “Suas misericórdias não têm fim”. Lamentações 3:22. Através de um período de graça, Seu Espírito está apelando aos homens para que aceitem o dom da vida. “Vivo Eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos, pois por que razão morrereis, ó casa de Israel?” Ezequiel 33:11. É um especial artifício de Satanás levar o homem ao pecado, e então deixá-lo ali, desajudado e desesperançado, temendo buscar perdão. Mas Deus convida: “Que se apodere da Minha força, e faça paz comigo; sim, que faça paz comigo”. Isaías 27:5. Em Cristo cada provisão está feita, cada incentivo oferecido.
Nos dias da apostasia em Judá e Israel, muitos estavam inquirindo: “Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei ante o Deus altíssimo? virei perante Ele com holocaustos? com bezerros de um ano? Agradar-Se-á o Senhor de milhares de carneiros? de dez mil ribeiros de azeite?” A resposta é clara e positiva: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?” Miquéias 6:6-8.
Insistindo sobre o valor da piedade prática, o profeta estava unicamente repetindo o conselho dado a Israel séculos antes. Por intermédio de Moisés, quando estavam para entrar na terra prometida, a palavra do Senhor havia sido: “Agora, pois, ó Israel, que é o que o Senhor teu Deus pede de ti, senão que andes em todos os Seus caminhos, e O ames, e sirvas ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, para que guardes os mandamentos do Senhor, e os Seus estatutos, que hoje te ordeno, para o teu bem?” Deuteronômio 10:12, 13. De século em século esses conselhos foram repetidos pelos servos de Jeová aos que estavam em perigo de cair nos hábitos do formalismo e de esquecer de demonstrar misericórdia. Quando, durante o Seu ministério terrestre, o próprio Cristo foi assediado por um doutor da lei com a pergunta: “Mestre, qual é o grande mandamento da lei?” Sua resposta foi: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas”. Mateus 22:36-40.
Estes claros pronunciamentos dos profetas e do próprio Mestre deviam ser recebidos por nós como a voz de Deus a cada alma. Não devemos perder oportunidade de praticar obras de benemerência, de terna
previdência e cortesia cristã em favor do sobrecarregado e oprimido. Se mais não podemos fazer, devemos dizer palavras de coragem e esperança aos que não estão familiarizados com Deus, dos quais se pode com mais facilidade aproximar pelas avenidas da simpatia e do amor.
Ricas e abundantes são as promessas feitas aos que são atentos a oportunidades para levar alegria e bênção à vida de outros. “E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares secos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam”. Isaías 58:10, 11.
A conduta idólatra de Acaz, em face dos ferventes apelos dos profetas, não podia ter senão um resultado. Veio grande ira do Senhor sobre Judá e Jerusalém, e os entregou à turbação, à assolação, e ao assobio”. 2 Crônicas 29:8. O reino sofreu rápido declínio, e sua própria existência foi posta logo em perigo pelos exércitos invasores. “Então subiu Rezim, rei da Síria, com Peca, filho de Remalias, rei de Israel, a Jerusalém, à peleja; e cercaram a Acaz”. 2 Reis 16:5.
Tivesse Acaz e os principais homens de seu reino sido leais ao Altíssimo, e nenhum temor manifestariam a respeito de aliança tão antinatural como a que se tinha formado contra eles. Mas a repetida transgressão tinha-os despojado de força. Atingidos por um enorme temor dos juízos de um Deus ofendido, “se moveu o coração do rei, e o coração do seu povo, como se movem as árvores do bosque com o vento”. Isaías 7:2. Nesta crise, a palavra do Senhor veio a Isaías, ordenando-lhe que fosse ao encontro do rei amedrontado, e dissesse:
“Acautela-te e aquieta-te; não temas, nem se desanime o teu coração [...] porquanto a Síria teve contra ti maligno conselho, com Efraim e com o filho de Remalias, dizendo: Vamos subir contra Judá e atormentemo-lo, e repartamo-lo entre nós, e façamos reinar no meio dele o filho de Tabeal. Assim diz o Senhor Deus: Isto não subsistirá, nem tampouco acontecerá”. O profeta declarou que o reino de Israel, bem como o da Síria, chegaria logo ao fim. “Se o não crerdes”, concluiu, “não ficareis firmes”. Isaías 7:4-7, 9.
Quão bom teria sido para o reino de Judá tivesse Acaz recebido esta mensagem como do Céu. Mas escolhendo apoiar-se no braço de carne, buscou ajuda de pagãos. Em desespero ele enviou uma mensagem a Tiglate-Pileser, rei da Assíria: “Eu sou teu servo e teu filho; sobe, e livra-me das mãos do rei da Síria, e das mãos do rei de Israel, que se levantam contra mim”. O pedido foi acompanhado de um rico presente tirado do tesouro do rei e das reservas do templo.
O auxílio pedido foi enviado, e ao rei Acaz foi dado um alívio temporário, mas a que preço para Judá O tributo oferecido despertou a cupidez da Assíria, e esta nação pérfida logo ameaçou invadir Judá e espoliá-la.
Profetas e Reis · Ellen G. White