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Profetas e Reis, páginas 152-153

aos filhos de teus filhos”. Deuteronômio 4:9. As impressionantes cenas relacionadas com a entrega da lei no Sinai não deviam jamais ser esquecidas. Claras e decididas foram as advertências então dadas a Israel contra os costumes idólatras predominantes entre as nações circunvizinhas. “Guardai pois com diligência as vossas almas” [...] foi o conselho dado; “para que não vos corrompais, e vos façais alguma escultura, semelhança de imagem”, “e não levantes os teus olhos aos céus e vejas o Sol, e a Lua, e as estrelas, todo o exército dos céus, e sejas impelido a que te inclines perante eles, e sirvas àqueles que o Senhor teu Deus repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus”. “Guardai-vos de que vos esqueçais do concerto do Senhor vosso Deus, que tem feito convosco, e vos façais alguma escultura, imagem de alguma coisa que o Senhor vosso Deus vos proibiu”. Deuteronômio 4:15, 16, 19-23.

Moisés assinalou os males que resultariam do abandono dos estatutos de Jeová. Tomando o Céu e a Terra como testemunha, ele declarou que se depois de haverem habitado longo tempo na terra da promessa, o povo introduzisse formas corrompidas de adoração, e se curvasse perante as imagens de escultura, e se recusasse a voltar à adoração do verdadeiro Deus, a ira do Senhor seria despertada, e eles seriam levados cativos e espalhados entre os pagãos. “Certamente perecereis depressa da Terra, a qual, passado o Jordão, ides possuir”, ele os advertiu. “Não prolongareis os vossos dias nela, antes sereis de todo destruídos. E o Senhor vos espalhará entre os povos, e ficareis poucos em número entre as gentes, às quais o Senhor vos conduzirá. E ali servireis a deuses que são obras de mãos de homens, madeira e pedra, que não vêem, nem ouvem, nem comem, nem cheiram”. Deuteronômio 4:26-28.

Essa profecia, cumprida em parte no tempo dos juízes, encontrou cumprimento mais completo e literal no cativeiro de Israel na Assíria, e de Judá em Babilônia.

A apostasia de Israel havia-se desenvolvido gradualmente. De geração a geração Satanás tinha feito repetidas tentativas para levar a nação escolhida a esquecer “os mandamentos, os estatutos e os juízos” (Deuteronômio 6:1) que eles haviam prometido guardar para sempre. Ele sabia que se pudesse levar Israel a esquecer-se de Deus, e a “andar após outros deuses, e servi-los, e adorá-los”, “certamente” pereceriam. Deuteronômio 8:19.

O inimigo da igreja de Deus sobre a Terra não tinha, porém, tomado inteiramente em conta a natureza compassiva dAquele que “ao culpado não tem por inocente”, e cuja glória é ser “misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade; que guarda a beneficência em milhares, que perdoa a iniqüidade, e a transgressão, e o pecado”. Êxodo 34:6, 7. A despeito dos esforços de Satanás para frustrar o propósito de Deus para Israel, embora mesmo em algumas das horas mais escuras de sua história parecesse que as forças do mal estavam para alcançar a

vitória, o Senhor graciosamente Se revelou. Ele desdobrou perante Israel as preciosidades que deveriam ser para o bem-estar da nação. “Escrevi para eles as grandezas da Minha lei”, Ele declarou por intermédio de Oséias, “mas isso é para ele como coisa estranha”. Oséias 8:12. “Eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os pelos seus braços, mas não conheceram que Eu os curava”. Oséias 11:3. Ternamente havia o Senhor tratado com eles, instruindo-os por intermédio de Seus profetas, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra.

Tivesse Israel aceito as mensagens dos profetas e teriam sido poupados à humilhação que se seguiu. Foi em virtude de haverem persistido no abandono de Sua lei, que Deus foi compelido a deixá-los ir em cativeiro. “O Meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento”, foi a mensagem enviada a eles por meio de Oséias. “Porque tu rejeitaste o conhecimento, também Eu te rejeitarei [...] visto que te esqueceste da lei do teu Deus”. Oséias 4:6.

Em todos os séculos a transgressão da lei de Deus tem sido seguida pelo mesmo resultado. Nos dias de Noé, quando todo princípio de reto proceder fora violado, e a iniqüidade se tornara tão profunda e difusa que Deus não a pôde mais suportar, saiu o decreto: “Destruirei, de sobre a face da Terra o homem que criei”. Gênesis 6:7. Nos dias de Abraão, o povo de Sodoma desafiava abertamente a Deus e Sua lei; e teve lugar aí a mesma impiedade, a mesma corrupção, a mesma incontida condescendência que haviam assinalado o mundo antediluviano. Os habitantes de Sodoma transpuseram os limites da divina paciência, e sobre eles se acendeu o fogo da vingança de Deus.

O tempo que precedeu o cativeiro das dez tribos de Israel foi de uma desobediência similar e similar impiedade. A lei de Deus era contada como de nenhuma importância, e isto abriu as comportas da iniqüidade sobre Israel. “O Senhor tem uma contenda com os habitantes da Terra”, declarou Oséias, “porque não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus na Terra. Só prevalecem o perjurar, e o mentir, e o adulterar, e há homicídios sobre homicídios”. Oséias 4:1, 2.

As profecias de juízo pronunciadas por Amós e Oséias foram acompanhadas por predição de glória futura. Às dez tribos, desde muito, rebeldes e impenitentes, não foi dada nenhuma promessa de completa restauração de seu anterior domínio na Palestina. Até o fim do tempo eles deviam ser “errantes entre as nações”. Mas por intermédio de Oséias foi dada uma profecia que punha perante eles o privilégio de ter uma parte na restauração final que deve ser feita para o povo de Deus no fim da história da Terra, quando Cristo aparecerá como Rei dos reis e Senhor dos senhores. “Por muitos dias”, o profeta declarou, as dez tribos deviam ficar “sem rei, e sem príncipe, e sem sacrifício, e sem estátua, e sem éfode ou terafim”. “Depois”, continuou o profeta, “tornarão os filhos de Israel,

Profetas e Reis · Ellen G. White

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