Cristo Nossa Esperança
Plano Encontro 4 Dia 104
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Leitura do livro
Profetas e Reis, páginas 116-117
Capítulo 18 — As águas purificadas
Nos tempos patriarcais, a campina do Jordão “era toda bem regada [...] como o jardim do Senhor”. Foi neste aprazível vale que Ló escolheu estabelecer seu lar, quando “armou as suas tendas até Sodoma”. Gênesis 13:10, 12. No tempo em que as cidades da planície foram destruídas, a região em redor tornou-se como um desolado ermo, constituindo desde então parte do deserto da Judéia.
Uma porção da bela campina permaneceu, com suas fontes e torrentes vivificantes, para alegrar o coração do homem. Neste vale, rico de campos de cereais e florestas de tamareiras e outras árvores frutíferas, as tribos de Israel tinham acampado depois de cruzar o Jordão, e participavam pela primeira vez dos frutos da terra prometida. Perante eles erguiam-se os muros de Jericó, baluarte pagão, o centro do culto de Astarote, a mais vil e mais degradante de todas as formas cananéias de idolatria. Logo seus muros foram postos abaixo e seus habitantes mortos; e ao tempo de sua queda, foi feita na presença de todo o Israel a solene declaração: “Maldito diante do Senhor seja o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó; perdendo o seu primogênito a fundará, e sobre seu filho mais novo lhe porá as portas”. Josué 6:26.
Cinco séculos se passaram. O local jazia desolado, amaldiçoado de Deus. Até mesmo os mananciais que haviam feito residência nesta porção da campina tão desejável, sofreram os efeitos causticantes da maldição. Mas nos dias da apostasia de Acabe, quando foi revivida a influência do culto de Astarote por intermédio de Jezabel, Jericó, a antiga sede desse culto, foi reconstruída, embora a terrível preço para o seu reconstrutor. Hiel, o betelita, “morrendo Abirão, seu primogênito, a fundou, e morrendo Segube, seu último, pôs as suas portas; conforme a palavra do Senhor”. 1 Reis 16:34.
Não muito distante de Jericó, em meio de bosques frutíferos, estava uma das escolas dos profetas; e para lá se dirigiu Eliseu após a ascensão de Elias. Durante sua estada entre eles, os homens da cidade vieram ao profeta, e disseram: “Eis que boa é a habitação desta cidade, como o meu senhor vê; porém as águas são más, e a terra é estéril”. A fonte que nos anos anteriores tinha sido pura e vivificante, e havia contribuído grandemente para suprir a cidade e os seus arredores com água, era agora imprópria para uso.
Em resposta ao apelo dos homens de Jericó, Eliseu disse: “Trazei-me uma salva nova, e ponde nela sal”. Havendo recebido isto, “saiu ele ao manancial das águas, e deitou sal nele, e disse: Assim diz o Senhor: Sararei estas águas; não haverá mais nelas morte nem esterilidade”. 2 Reis 2:19-21.
A purificação das águas de Jericó foi realizada, não por qualquer sabedoria da parte do homem, mas pela miraculosa interposição de Deus. Aqueles que haviam reconstruído a cidade eram indignos do favor do Céu; contudo Aquele que “faz que Seu Sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mateus 5:45), achou oportuno neste caso revelar, através do toque de Sua compaixão, Seu desejo de sarar Israel de seus males espirituais.
A restauração fora permanente; “ficaram, pois, sãs aquelas águas até ao dia de hoje, conforme a palavra que Eliseu tinha dito”. 2 Reis 2:22. De século a século as águas têm fluído, tornando esta parte do vale um oásis de beleza.
Muitas são as lições espirituais a serem tiradas da história da cura das águas. A salva nova, o sal, o manancial — tudo é altamente simbólico.
Lançando o sal no manancial amargo, Eliseu ensinava a mesma lição espiritual dada séculos mais tarde pelo Salvador a Seus discípulos, quando declarou: “Vós sois o sal da Terra”. Mateus 5:13. O sal misturando-se com a fonte poluída purificou suas águas, e levou vida e bênção onde antes havia sequidão e morte. Quando Deus compara Seus filhos ao sal, Ele deseja ensinar-lhes que Seu propósito em fazê-los súditos de Sua graça é que possam tornar-se instrumentos na salvação de outros. O objetivo de Deus em escolher um povo perante todo o mundo, não foi apenas para que pudesse adotá-lo como Seus filhos e filhas, mas para que através deles o mundo pudesse receber a graça que resulta em salvação. Quando o Senhor escolheu Abraão, não foi somente para que ele fosse o especial amigo de Deus, mas um conduto dos privilégios peculiares que o Senhor desejava outorgar às nações.
O mundo necessita de evidências de sincero cristianismo. O veneno do pecado está em operação no coração da sociedade. Cidades e vilas estão mergulhadas em pecado e corrupção moral. O mundo está cheio de enfermidades, sofrimento, iniqüidade. Perto e longe estão almas em pobreza e ansiedade, carregadas com o senso da culpa, e perecendo por falta de uma influência salvadora. O evangelho da verdade é posto sempre perante eles, contudo eles perecem, porque o exemplo dos que deviam ser-lhes um cheiro de vida, é um cheiro de morte. Suas almas bebem amargura, porque as fontes estão envenenadas, quando deviam ser como uma fonte de água que salta para a vida eterna.
O sal deve ser misturado com a substância a que é adicionado; ele precisa penetrar, infundir-se nela, para que esta seja preservada. Assim, é através de associação e contato pessoal que os homens são alcançados
Profetas e Reis · Ellen G. White