Cristo Nossa Redenção

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Leitura do livro

Patriarcas e Profetas, páginas 170-171

Miriã estivera a notar secretamente tudo que se passava; percebendo que a criança era olhada com ternura, arriscou-se a aproximar-se, e disse finalmente: “Irei eu a chamar uma ama das hebréias, que crie este menino para ti?” Êxodo 2:7. E a permissão foi dada.

A irmã correu para a mãe com a feliz nova, e sem demora voltou com ela à presença da filha de Faraó. “Leva este menino, e cria-mo; eu te darei teu salário”, disse a princesa. Êxodo 2:9.

Deus tinha ouvido as orações da mãe; fora recompensada a sua fé. Com profunda gratidão foi que ela deu início à sua tarefa, agora sem perigos e feliz. Fielmente aproveitou a oportunidade para educar seu filho para Deus. Confiava em que ele fora preservado para alguma grande obra, e sabia que breve deveria ser entregue à sua régia mãe, para ser cercado de influências que tenderiam a desviá-lo de Deus. Tudo isto a tornava mais diligente e cuidadosa em sua instrução do que na dos demais filhos. Esforçou-se por embeber seu espírito com o temor de Deus e com o amor à verdade e justiça, e fervorosamente orava para que ele pudesse preservar-se de toda a influência corruptora. Mostrou-lhe a loucura e o pecado da idolatria, e cedo o ensinou a curvar-se e a orar ao Deus vivo, que unicamente poderia ouvi-lo e auxiliá-lo em toda a emergência.

Ela conservou consigo o rapaz tanto quanto pôde; foi, porém, obrigada a entregá-lo quando ele teve aproximadamente doze anos. Foi levado de sua humilde choupana ao palácio real, para a filha de Faraó, e se tornou seu filho. Contudo, mesmo ali, ele não perdeu as impressões recebidas na infância. As lições aprendidas ao lado de sua mãe, não as esquecia. Eram uma proteção contra o orgulho, a incredulidade e o vício, que cresciam por entre os esplendores da corte.

De que grande alcance em seus resultados foi a influência daquela mãe hebréia, sendo ela entretanto uma exilada e escrava! Toda a vida futura de Moisés, a grande missão que ele cumpriu como chefe de Israel, testificam da importância da obra de uma mãe cristã. Não há outro trabalho que possa igualar a este. Em parte muito grande, a mãe tem nas mãos o destino de seus filhos. Ela trata com mentes e caracteres em desenvolvimento, trabalhando não somente para o tempo, mas para a eternidade. Está a semear sementes que brotarão e frutificarão, quer para o bem quer para o mal. Ela não tem a desenhar formas de beleza na tela, ou esculpi-las no mármore, mas imprimir na alma humana a imagem do divino. Especialmente durante os primeiros anos recai sobre ela a responsabilidade de formar o caráter de seus filhos. As impressões então produzidas na mente destes, em desenvolvimento, permanecerão com eles por toda a vida. Os pais devem dirigir a instrução e ensino de seus filhos enquanto muito pequenos, com o objetivo de poderem eles ser cristãos. São postos sob o nosso cuidado para serem ensinados, não como herdeiros do trono de um reino terrestre, mas como reis para Deus, a fim de reinarem pelos séculos eternos.

Que toda mãe sinta serem inapreciáveis os seus momentos; sua obra será provada no dia solene do ajuste de contas. Achar-se-á então que muitos dos fracassos e crimes de homens e mulheres, resultaram da ignorância ou negligência daqueles cujo dever era guiar os pés infantis no caminho direito. Ver-se-á então que muitos que têm abençoado o mundo com a luz do gênio, da verdade e santidade, devem os princípios que foram a mola mestra de sua influência e êxito, a uma mãe cristã, que orava.

Na corte de Faraó, Moisés recebeu o mais elevado ensino civil e militar. O rei resolvera fazer de seu neto adotivo o seu sucessor no trono, e o jovem foi educado para a sua elevada posição. “E Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras”. Atos dos Apóstolos 7:22. Sua habilidade como chefe militar tornou-o favorito dos exércitos do Egito, e era geralmente considerado personagem notável. Satanás fora derrotado em seu propósito. O mesmo decreto que condenava as crianças hebréias à morte, tinha sido encaminhado por Deus de modo a favorecer o ensino e educação do futuro chefe de Seu povo.

Os anciãos de Israel foram instruídos pelos anjos de que o tempo para o seu libertamento estava próximo, e que Moisés era o homem que Deus empregaria para realizar esta obra. Os anjos também instruíam a Moisés quanto a havê-lo Jeová escolhido para quebrar o cativeiro de Seu povo. Supondo que deveriam obter sua liberdade, pela força das armas, tinha ele a expectativa de levar o exército hebreu contra as hostes do Egito e, tendo isto em vista, prevenia-se contra suas afeições, receando que, pelo seu apego à mãe adotiva ou a Faraó, não estivesse livre para fazer a vontade de Deus.

Pelas leis do Egito, todos os que ocupavam o trono dos Faraós deviam fazer-se membros da sacerdócio; e Moisés, como o herdeiro presumível, deveria iniciar-se nos mistérios da religião nacional. Este dever foi confiado aos sacerdotes. Mas, ao mesmo tempo em que era um estudante ardoroso e incansável, não pôde ser induzido a participar do culto aos deuses. Foi ameaçado com a perda da coroa, e advertiu-se-lhe de que seria repudiado pela princesa caso persistisse em sua adesão à fé hebréia. Mas ele foi inabalável em sua decisão de não prestar homenagem a não ser ao único Deus, o Criador do céu e da Terra. Arrazoava com os sacerdotes e adoradores, mostrando a loucura de sua veneração supersticiosa a objetos insensíveis. Ninguém lhe podia refutar os argumentos nem mudar o propósito; contudo, provisoriamente foi tolerada a sua firmeza, por causa de sua elevada posição, e do favor em que era tido pelo rei, bem como pelo povo.

“Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa”. Hebreus 11:24-26. Moisés estava em condições para ter preeminência entre os grandes da Terra, para brilhar nas cortes do mais

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

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