Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 78
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 151-152
puderam dar a interpretação. A perplexidade e angústia do rei aumentavam, e o terror espalhou-se por seu palácio. A agitação geral evocou à mente do copeiro-mor as circunstâncias de seu próprio sonho; com este veio a lembrança de José, e uma compunção de remorso pelo seu esquecimento e ingratidão. Ele informou de pronto ao rei como o seu sonho e o do padeiro-mor foram interpretados por um cativo hebreu, e como se cumpriram as predições.
Foi humilhante a Faraó volver dos mágicos e sábios de seu reino para consultar um estrangeiro e escravo; mas estava pronto para aceitar o mais humilde serviço caso pudesse seu espírito perturbado encontrar alívio. Mandaram chamar imediatamente a José; tirou suas roupas de prisioneiro, barbeou-se, pois o cabelo crescera muito durante o tempo de opróbrio e reclusão. Foi então conduzido à presença do rei.
“E Faraó disse a José: Eu sonhei um sonho, e ninguém há que o interprete; mas de ti ouvi dizer que quando ouves um sonho o interpretas. E respondeu José a Faraó, dizendo: Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó”. Gênesis 41:15. A resposta de José ao rei, revela sua humildade e fé em Deus. Modestamente não se atribui a honra de possuir em si sabedoria superior. “Isso não está em mim”. Gênesis 41:16. Unicamente Deus pode explicar estes mistérios.
Faraó então se põe a relatar os sonhos: “Estava eu em pé na praia do rio, e eis que subiam do rio sete vacas gordas de carne e formosas à vista, e pastavam no prado. E eis que outras sete vacas subiam após estas, muito feias à vista, e magras de carne; não tenho visto outras tais, quanto à fealdade, em toda a terra do Egito. E as vacas magras e feias comiam as primeiras sete vacas gordas; e entraram em suas entranhas, mas não se conhecia que houvessem entrado em suas entranhas; porque o seu parecer era feio como no princípio. Então acordei. Depois vi em meu sonho, e eis que dum mesmo pé subiam sete espigas cheias e boas; e eis que sete espigas secas, miúdas e queimadas do vento oriental, brotavam após elas. E as sete espigas miúdas devoravam as sete espigas boas. E eu disse-o aos magos, mas ninguém houve que mo interpretasse”. Gênesis 41:17-24.
“O sonho de Faraó é um só”, disse José. “O que Deus há de fazer, notificou-o a Faraó”. Gênesis 41:25. Haveria sete anos de grande abundância. Campos e hortas produziriam mais abundantemente do que nunca haviam produzido. E este período seria seguido de sete anos de fome. “E não será conhecida a abundância na terra, por causa daquela fome que haverá depois; porquanto será gravíssima”. Gênesis 41:31. A repetição do sonho era prova tanto da certeza como da proximidade do cumprimento. “Portanto”, continuou ele, “Faraó se proveja agora dum varão entendido e sábio, e o ponha sobre a terra do Egito. Faça isso Faraó, e ponha governadores sobre a terra, e tome a quinta parte da terra do Egito nos sete anos de fartura. E ajuntem toda a comida destes bons anos que vêm, e
amontoem trigo debaixo da mão de Faraó, para mantimento nas cidades, e o guardem; assim será o mantimento para provimento da terra, para os sete anos de fome”. Gênesis 41:33-36.
A interpretação foi tão razoável e coerente, e a política que a mesma recomendava tão sólida e sagaz era, que sua correção não poderia ser posta em dúvida. Mas a quem se poderia confiar a execução do plano? Da sabedoria desta escolha dependia a preservação da nação. O rei estava perturbado. Por algum tempo foi considerada a questão desta indicação. Pelo copeiro-mor soubera o rei da sabedoria e prudência demonstradas por José na administração da prisão; era evidente que ele possuía habilidade administrativa em grau preeminente. O copeiro, cheio agora de reprovação a si mesmo, esforçava-se por reparar sua anterior ingratidão, mediante o mais caloroso elogio ao seu benfeitor; e novas indagações feitas pelo rei demonstraram a correção do que referia ele. Em todo o reino foi José o único homem dotado de sabedoria para indicar o perigo que ameaçava o país, e o preparo necessário para enfrentá-lo; e o rei estava convencido de que ele era o mais bem qualificado para executar os planos que propusera. Era evidente que um poder divino estava com ele, e que ninguém havia entre os ministros de Estado do rei tão habilitado para dirigir os negócios da nação em tal momento crítico. O fato de que ele era hebreu e escravo, era de pouca importância quando ponderado em confronto com sua sabedoria evidente e são juízo. “Acharíamos um varão como este, em quem haja o Espírito de Deus?” (Gênesis 41:38) disse o rei aos conselheiros.
Esta indicação foi decidida, e a José foi feito o surpreendente anúncio: “Pois que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão entendido e sábio como tu. Tu estarás sobre a minha casa, e por tua boca se governará todo o meu povo; somente no trono eu serei maior que tu”. Gênesis 41:39, 40. O rei pôs-se em seguida a investir José com as insígnias de seu elevado cargo. “E tirou Faraó o anel da sua mão, e o pôs na mão de José, e o fez vestir vestidos de linho fino, e pôs um colar de ouro no seu pescoço. E o fez subir no segundo carro que tinha, e clamavam diante dele: Ajoelhai”. Gênesis 41:42, 43.
“Fê-lo senhor da sua casa, e governador de toda a sua fazenda; para, a seu gosto, sujeitar os seus príncipes, e instruir os seus anciãos”. Salmos 105:21, 22. Do calabouço José foi elevado a governador sobre toda a terra do Egito. Era uma posição de alta honra, e, contudo, assediada de dificuldades e perigo. Ninguém pode ficar a uma elevada altura, isento de perigo. Assim como a tempestade deixa ilesa a humilde flor do vale, ao mesmo tempo em que desarraiga a majestosa árvore no cimo da montanha, também aqueles que têm mantido sua integridade na vida humilde podem ser arrastados ao abismo pelas tentações que assaltam o êxito e as honras mundanas. Mas o caráter de José resistiu de modo semelhante à prova da adversidade e da prosperidade. A mesma fidelidade que manifestou para com Deus quando estava na cela de prisioneiro, manifestou no palácio
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White