Cristo Nossa Redenção

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Patriarcas e Profetas, páginas 149-150

forte e sedutora, como poderia ser enfrentada? José bem sabia qual seria a conseqüência da resistência. De um lado estavam o encobrimento, os favores e as recompensas; do outro a desgraça, a prisão, a morte talvez. Toda sua vida futura dependia da decisão do momento. Triunfariam os princípios? Seria José ainda fiel a Deus? Com inexprimível ansiedade os anjos olhavam para aquela cena.

A resposta de José revela o poder do princípio religioso. Ele não trairia a confiança de seu senhor na Terra, e, quaisquer que fossem as conseqüências, seria fiel ao seu Senhor no Céu. Sob o olhar examinador de Deus e dos santos anjos, muitos tomam liberdades de que não se achariam culpados na presença de seus semelhantes; porém, o primeiro pensamento de José foi Deus. “Como pois faria eu este tamanho mal, e pecaria contra Deus?” disse ele. Gênesis 39:9.

Se acalentássemos uma impressão habitual de que Deus vê e ouve tudo que fazemos e dizemos, e conserva um registro fiel de nossas palavras e ações, e de que devemos deparar tudo isto, teríamos receio de pecar. Lembrem-se sempre os jovens de que, onde quer que estejam, e o que quer que façam, acham-se na presença de Deus. Parte alguma de nossa conduta escapa à observação. Não podemos ocultar nossos caminhos ao Altíssimo. As leis humanas, embora algumas vezes severas, são muitas vezes transgredidas sem que isto seja descoberto, e, portanto, impunemente. Não assim, porém, com a lei de Deus. A mais escura meia-noite não é uma cobertura para o criminoso. Ele pode julgar-se só, mas para cada ação há uma testemunha invisível. Os próprios motivos de seu coração estão patentes à inspeção divina. Cada ato, cada palavra, cada pensamento, é tão distintamente notado como se apenas houvesse uma pessoa no mundo inteiro, e a atenção do Céu nela estivesse centralizada.

José sofreu pela sua integridade; pois sua tentadora vingou-se acusando-o de um crime detestável, e fazendo com que ele fosse lançado na prisão. Houvesse Potifar acreditado na acusação feita pela esposa, contra José, e teria o jovem hebreu perdido a vida; mas a modéstia e correção que haviam uniformemente caracterizado sua conduta, eram prova de sua inocência; e, contudo, para salvar a reputação da casa de seu senhor, foi entregue à vergonha e ao cativeiro.

A princípio, José foi tratado com grande severidade pelos seus carcereiros. Diz o salmista, falando de José: “Cujos pés apertaram com grilhões e a quem puseram em ferros; até o tempo em que chegou a Sua Palavra; a palavra do Senhor o provou”. Salmos 105:18, 19. Mas o verdadeiro caráter de José resplandece, mesmo nas trevas da masmorra. Ele reteve com firmeza sua fé e paciência; seus anos de serviço fiel foram pagos da maneira mais cruel, todavia isto não o tornou obstinado ou desconfiado. Tinha a paz que vem de uma inocência consciente, e confiava seu caso a Deus. Não ficava a acalentar as ofensas que recebera, mas esquecia-se de

suas tristezas procurando aliviar as de outrem. Achou uma obra a fazer mesmo na prisão. Deus o estava preparando, na escola da aflição, para maior utilidade, e ele não recusou a necessária disciplina. Testemunhando na prisão os resultados da opressão e tirania, e os efeitos do crime, aprendeu lições de justiça, simpatia e misericórdia, que o prepararam para exercer o poder com sabedoria e compaixão.

José gradualmente ganhou a confiança do guarda da prisão, e foi-lhe finalmente confiado o cuidado de todos os presos. Foi a parte que ele desempenhou na prisão — integridade de sua vida diária e simpatia por aqueles que estavam em perturbação e angústia — o que abriu o caminho para a sua prosperidade e honra futura. Todo o raio de luz que derramamos sobre outrem, reflete-se em nós mesmos. Toda palavra amável e cheia de simpatia proferida aos tristes, todo ato feito para aliviar os oprimidos, e todo dom aos necessitados, se é determinado por um impulso justo, resultará em bênçãos ao doador.

O padeiro-mor e o copeiro-mor do rei tinham sido lançados na prisão por qualquer falta, e vieram a ficar sob o encargo de José. Uma manhã, observando que se mostravam muito tristes, amavelmente indagou a causa, e disseram que cada um tivera um sonho notável, de que estavam ansiosos por saber a significação. “Não são de Deus as interpretações?” disse José; “contai-mo, peço-vos”. Gênesis 40:8. Tendo cada um relatado o seu sonho, José fê-los saber a significação: em três dias o copeiro seria reintegrado em seu cargo, e daria o copo nas mãos de Faraó, como antes, mas o padeiro-mor seria morto por ordem do rei. Em ambos os casos ocorreu o acontecimento conforme fora predito.

O copeiro do rei dissera possuir a maior gratidão para com José, tanto pela interpretação consoladora de seu sonho como por muitos atos de bondosa atenção; e, por sua vez, este, referindo-se da maneira mais tocante ao seu injusto cativeiro rogou que seu caso fosse levado perante o rei. “Lembra-te de mim”, disse ele, “quando te for bem; e rogo-te que uses comigo de compaixão, e que faças menção de mim a Faraó, e faze-me sair desta casa; porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e tampouco aqui nada tenho feito para que me pusessem nesta cova”. Gênesis 40:14, 15. O copeiro-mor viu realizar-se o sonho em todos os pormenores; quando, porém, foi restabelecido ao favor real, não mais pensou em seu benfeitor. Durante mais dois anos José ficou como prisioneiro. A esperança que se lhe acendera no coração, gradualmente morrera; e a todas as outras provações acrescentou-se a amargura da ingratidão.

Uma mão divina, porém, estava prestes a abrir as portas da prisão. O rei do Egito teve em uma noite dois sonhos, que indicavam aparentemente o mesmo acontecimento, e pareciam prefigurar alguma grande calamidade. Não podia determinar sua significação, e no entanto continuavam a perturbar o seu espírito. Os magos e sábios de seu reino não

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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