Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 55
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 115-117
A palavra de Deus, porém, não havia falhado; tampouco teve ela o seu cumprimento final na ocupação de Canaã pelo povo judeu. “As promessas foram feitas a Abraão e à sua posteridade”. Gálatas 3:16. O próprio Abraão deveria participar da herança. O cumprimento da promessa de Deus pode parecer achar-se muito demorado, pois “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (2 Pedro 3:8); pode parecer tardar; mas no tempo adequado “certamente virá, não tardará”. Hebreus 2:3. A dádiva a Abraão e sua semente incluirá não simplesmente a região de Canaã, mas a Terra toda. Assim, diz o apóstolo: “A promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé”. Romanos 4:13. E a Bíblia claramente ensina que as promessas feitas a Abraão devem cumprir-se por meio de Cristo. Todos os que são de Cristo são “descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” — herdeiros de uma “herança incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar” (Gálatas 3:19; 1 Pedro 1:4), a saber, a Terra livre da maldição do pecado. Pois “o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos, debaixo de todo o céu, serão dados ao povo dos santos do Altíssimo” (Daniel 7:27); e “os mansos herdarão a Terra, e se deleitarão na abundância de paz”. Salmos 37:11.
Deus proporcionou a Abraão uma perspectiva desta herança imortal, e com esta esperança ele se contentou. “Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus”. Hebreus 11:9, 10.
A respeito da posteridade de Abraão está escrito: “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas, vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na Terra”. Hebreus 11:13. Devemos morar neste mundo como peregrinos e estrangeiros se quisermos alcançar uma pátria “melhor, isto é, a celestial”. Hebreus 11:16. Aqueles que são filhos de Abraão estarão a procurar a cidade que ele estava, “da qual o artífice e construtor é Deus”.
Capítulo 15 — O casamento de Isaque
Este capítulo é baseado em Gênesis 24.
Abraão se tornara velho, e esperava logo morrer; todavia, restava-lhe cumprir um ato, assegurando o cumprimento da promessa à sua posteridade. Isaque era o que fora divinamente designado para suceder-lhe como guarda da lei de Deus, e ser pai do povo escolhido; ele, porém, ainda era solteiro. Os habitantes de Canaã eram dados à idolatria, e Deus havia proibido casamentos entre o Seu povo e aqueles, sabendo que tais casamentos conduziriam à apostasia. O patriarca receou o efeito das influências corruptoras que rodeavam seu filho. A fé habitual de Abraão em Deus, e sua submissão à vontade dEle, refletiam-se no caráter de Isaque; mas as afeições do jovem eram fortes, e ele era de uma disposição gentil e dócil. Unindo-se a alguém que não temesse a Deus, ele estaria em perigo de sacrificar os princípios por amor à harmonia. No espírito de Abraão, a escolha de uma esposa para seu filho era assunto de muita importância; estava desejoso de que ele se casasse com uma que não o afastasse de Deus.
Nos tempos antigos, os contratos de casamento eram geralmente feitos pelos pais; e este era o costume entre os que adoravam a Deus. De ninguém se exigia casar com aquele a quem não podia amar; mas na concessão de suas afeições o jovem era guiado pelo discernimento de seus pais experientes e tementes a Deus. Era considerado uma desonra para os pais, e mesmo crime, seguir caminho contrário a este.
Isaque, confiando na sabedoria e afeição de seu pai, estava satisfeito com a entrega desta questão a ele, crendo também que o próprio Deus dirigiria na escolha a fazer-se. Os pensamentos do patriarca volveram para os parentes de seu pai, na terra de Mesopotâmia. Posto que não estivessem livres de idolatria, acalentavam o conhecimento e o culto do verdadeiro Deus. Isaque não devia sair de Canaã para ir a eles; mas poderia ser que se encontrasse entre eles alguma mulher que quisesse deixar seu lar, e unir-se a ele para manter em sua pureza o culto ao Deus vivo. Abraão confiou este importante assunto “ao seu servo, o mais velho”, homem de piedade, experiência, e juízo são, que lhe havia prestado prolongado e fiel serviço. Exigiu que este servo fizesse um juramento solene perante o Senhor, de que não tomaria esposa para Isaque dentre os cananeus, mas que escolheria uma moça da família de Naor, na Mesopotâmia. Ele o incumbiu de não levar Isaque para lá. Se não pudesse encontrar uma jovem que quisesse deixar
seus parentes, o mensageiro estaria desobrigado de seu juramento. O patriarca animou-o em seu difícil e delicado empreendimento, com a segurança de que Deus coroaria de êxito a sua missão. “O Senhor, Deus dos Céus”, disse ele, “que me tomou da casa de meu pai e da terra da minha parentela, [...] enviará o Seu anjo adiante da tua face”. Gênesis 24:7.
O mensageiro partiu sem demora. Levando consigo dez camelos para uso de seu próprio grupo e do cortejo nupcial que com ele poderia voltar, provido também de presentes para a esposa em perspectiva e pessoas da amizade desta, fez a longa viagem para além de Damasco, e, a seguir, até as ricas planícies que margeiam o grande rio do Oriente. Chegando a Harã, “a cidade de Naor”, parou fora dos muros, perto do poço aonde vinham as mulheres do lugar, à tarde, a buscar água. Foi um momento de ansiosos pensamentos para ele. Importantes resultados, não somente para a casa de seu senhor, mas para as gerações futuras, poderiam seguir-se da escolha que ele fizesse; e como deveria ele sabiamente escolher entre pessoas completamente estranhas? Lembrando-se das palavras de Abraão, de que Deus enviaria com ele o Seu anjo, orou fervorosamente pedindo uma direção positiva. Na família de seu senhor ele estava acostumado ao exercício constante da bondade e hospitalidade, e agora pediu que um ato de cortesia indicasse a jovem que Deus escolhera.
Apenas proferira a oração, e a resposta fora dada. Entre as mulheres que estavam reunidas junto ao poço, as maneiras corteses de uma atraíram sua atenção. Retirando-se ela do poço, o estranho foi ao seu encontro, pedindo um pouco de água do cântaro sobre os seus ombros. O pedido recebeu amável resposta, juntamente com um oferecimento para tirar água para os camelos também, serviço este que era costume mesmo às filhas dos príncipes fazerem para os rebanhos e gado de seus pais. Assim foi dado o sinal desejado. A jovem “era mui formosa à vista”, e sua diligente cortesia deu prova de bom coração, e uma natureza ativa, enérgica. Até aí a mão divina estivera com ele. Depois de reconhecer sua bondade por meio de ricos presentes, o mensageiro perguntou quem eram os seus parentes, e, sabendo que ela era filha de Betuel, sobrinho de Abraão, “inclinou-se” e “adorou o Senhor”. Gênesis 24:26.
O homem havia pedido acolhida em casa do pai da moça e nas expressões de agradecimento por parte dele revelara o fato de sua ligação com Abraão. Voltando para casa, a moça contou o que acontecera, e Labão, seu irmão, logo se apressou a levar o estranho e os que o acompanhavam para participarem da hospitalidade deles.
Eliézer não quis participar do alimento antes que houvesse transmitido sua mensagem, falado sobre sua oração ao lado do poço, juntamente com todas as circunstâncias que a acompanharam. Então disse ele: “Agora, pois, se vós haveis de mostrar beneficência e verdade a meu senhor, fazei-mo saber; e se não, também mo fazei saber, para que eu olhe à mão direita, ou à esquerda.”
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White