Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 316
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 494-496
impulsos temerários, e com palavras de calma e bem dirigida sabedoria aplacassem grandes males!
Uma vida cristã consagrada está sempre a derramar luz, consolação e paz. Caracteriza-se pela pureza, tato, simplicidade e utilidade. É dirigida por aquele amor abnegado que santifica a influência. Está repleta de Cristo, e deixa um rasto de luz aonde quer que seu possuidor vá. Abigail tinha sabedoria para reprovar e aconselhar. A paixão de Davi esvaiu-se, sob o poder de sua influência e raciocínio. Ele ficou convicto de que assumira uma conduta imprudente, e perdera o domínio de seu próprio espírito.
Com humilde coração recebeu a repreensão em conformidade com suas próprias palavras: “Fira-me o justo, será isso uma benignidade; e repreenda-me, será um excelente óleo”. Salmos 141:5. Ele deu graças e louvores porque ela o aconselhara retamente. Muitos há que, quando reprovados, julgam ser dignos de elogio se recebem a repreensão sem se tornarem impacientes; mas quão poucos recebem a reprovação com coração grato, e abençoam aqueles que os procuram salvar de seguirem por um mau caminho!
Quando Abigail voltou para casa, encontrou Nabal e seus hóspedes em um grande banquete, que tinham convertido em cenas de orgia e embriaguez. Não foi senão na manhã seguinte que ela relatou a seu esposo o que ocorrera em sua entrevista com Davi. Nabal era de ânimo covarde; e, quando se compenetrou de quão perto de uma morte súbita o havia trazido a sua loucura, pareceu achar-se atacado de paralisia. Receoso de que Davi ainda prosseguisse com seus intuitos de vingança, encheu-se ele de terror, e prostrou-se em uma condição de irremediável insensibilidade. Dez dias depois, morreu. A vida que Deus lhe dera tinha sido apenas uma maldição para o mundo. Em meio a seu regozijo e alegria, Deus lhe dissera, como disse ao homem rico da parábola: “Esta noite te pedirão a tua alma”. Lucas 12:20.
Davi mais tarde desposou Abigail. Já era marido de uma mulher; mas o costume das nações de seu tempo tinha-lhe pervertido o discernimento, influenciando-o em suas ações. Mesmo grandes homens, e bons, têm errado, seguindo os costumes do mundo. O amargo resultado de desposar muitas mulheres foi dolorosamente sentido durante toda a vida de Davi.
Depois da morte de Samuel, Davi ficou em paz por alguns meses. Novamente se dirigiu à solidão dos zifeus; mas estes inimigos, esperando conseguir favor do rei, informaram a este do esconderijo de Davi. Tal conhecimento despertou o demônio da paixão que estivera a dormir no peito de Saul. Mais uma vez convocou seus homens de armas, e os levou à perseguição de Davi. Espias que lhe eram amigos, porém, levaram ao filho de Jessé a notícia de que Saul de novo o estava a perseguir; e com alguns de seus homens Davi partiu para saber o lugar em que estava seu inimigo. Era noite, quando, avançando cautelosamente, chegaram ao acampamento, e viram diante de si as tendas do rei e de seus auxiliares. Não foram notados; pois o arraial estava a dormir em silêncio. Davi chamou seus amigos,
para irem com ele ao próprio meio de seus adversários. Em resposta à sua pergunta: “Quem descerá comigo a Saul ao arraial?” respondeu prontamente Abisai: “Eu descerei contigo”. 1 Samuel 26:6.
Ocultos pelas densas sombras das colinas, Davi e seu auxiliar entraram no arraial do inimigo. Procurando certificar-se do número exato de seus adversários, chegaram a Saul, adormecido, estando sua lança cravada no solo, e uma bilha de água a sua cabeceira. Ao lado dele estava deitado Abner, chefe do exército, e ao redor deles estavam os soldados, entregues ao sono. Abisai levantou sua lança e disse a Davi: “Deus te entregou hoje nas tuas mãos a teu inimigo; deixa-mo, pois, agora encravar com a lança duma vez na terra, e não o ferirei segunda vez.” Esperou a palavra que lhe desse permissão; caíram, porém, em seus ouvidos estas palavras cochichadas: “Nenhum dano lhe faças; porque quem estendeu a sua mão contra o ungido do Senhor, e ficou inocente? [...] Vive o Senhor, que o Senhor o ferirá, ou o seu dia chegará em que morra, ou descerá para a batalha e perecerá; o Senhor me guarde, de que eu estenda a mão contra o ungido do Senhor; agora, porém, toma lá a lança que está à sua cabeceira e a bilha da água, e vamo-nos. Tomou, pois, Davi a lança e a bilha da água, da cabeceira de Saul, e foram-se; e ninguém houve que o visse, nem que o advertisse, nem que acordasse; porque todos estavam dormindo, pois havia caído sobre eles um profundo sono do Senhor”. 1 Samuel 26:8-12. Quão facilmente o Senhor pode enfraquecer o mais forte, remover a prudência dos prudentes, e zombar da perícia do mais atento!
Quando Davi se encontrou a uma distância do acampamento que o punha fora de perigo, pôs-se em pé no cimo de uma colina, e clamou com grande voz ao povo, e a Abner, dizendo: “Porventura não és varão? e quem há em Israel como tu, por que, pois, não guardaste tu o rei teu senhor? porque um do povo veio para destruir o rei teu senhor. Não é bom isto, que fizeste; vive o Senhor, que sois dignos de morte, vós que não guardastes a vosso senhor, o ungido do Senhor; vede, pois, agora onde está a lança do rei, e a bilha da água, que tinha à sua cabeceira. Então conheceu Saul a voz de Davi, e disse: Não é esta a tua voz, meu filho Davi? E disse Davi: Minha voz é, ó rei meu senhor. Disse mais: Por que persegue meu senhor assim o seu servo? Pois que fiz eu? E que maldade se acha nas minhas mãos? Ouve, pois, agora, te rogo, rei meu senhor, as palavras de teu servo.” De novo caiu dos lábios do rei o reconhecimento: “Pequei; volta, meu filho Davi, porque não mandarei fazer-te mal; porque foi hoje preciosa a minha vida aos teus olhos. Eis que procedi loucamente, e errei grandissimamente. Davi então respondeu, e disse: Eis aqui a lança do rei; passe cá um dos mancebos, e leve-a.” Embora Saul fizesse a promessa: “Não mais te farei mal” (1 Samuel 26:15-22), Davi não se pôs sob o seu poder.
Este segundo exemplo do respeito de Davi pela vida de seu soberano, produziu impressão ainda mais profunda no espírito de Saul, e alcançou
dele um reconhecimento mais humilde de sua falta. Ficou admirado e vencido com tal manifestação de bondade. Despedindo-se de Davi, Saul exclamou: “Bendito sejas tu, meu filho Davi; pois grandes coisas farás, e também prevalecerás”. 1 Samuel 26:21. Mas o filho de Jessé não tinha esperança que o rei continuasse muito tempo nesta disposição de espírito.
Davi não esperava uma reconciliação com Saul. Parecia inevitável que finalmente ele tombasse como vítima da malícia do rei; e resolveu de novo buscar refúgio na terra dos filisteus. Com os seiscentos homens sob o seu comando, passou-se para Aquis, rei de Gate.
A conclusão de Davi, de que Saul certamente cumpriria seu intuito assassino, foi formulada sem o conselho de Deus. Mesmo quando Saul estava tramando e procurando levar a efeito a sua destruição, o Senhor agia com o fim de assegurar a Davi o reino. Deus efetua Seus planos, embora aos olhos humanos estejam velados em mistério. Os homens não podem compreender os caminhos de Deus; e, olhando às aparências, interpretam os sofrimentos, provações e experiências que Deus permite que venham sobre eles, como coisas que contra eles são, e que apenas farão a sua ruína. Assim Davi olhava para as aparências, e não para as promessas de Deus. Duvidava que algum dia viesse a ocupar o trono. Longas provações lhe tinham cansado a fé e esgotado a paciência.
O Senhor não mandou Davi, à busca de proteção, aos filisteus, os piores adversários de Israel. Esta nação, precisamente, estaria entre seus piores inimigos, até ao fim; e no entanto fugira para eles à procura de auxílio em seu tempo de necessidade. Tendo perdido toda a confiança em Saul e nos que o serviam, lançou-se à disposição dos inimigos de seu povo. Davi era um bravo general, e tinha-se mostrado guerreiro prudente e bem-sucedido; mas estava a agir diretamente contra seus próprios interesses quando foi aos filisteus. Deus o havia designado para levantar Seu estandarte na terra de Judá, e foi a falta de fé que o levou a abandonar seu posto de dever sem ordem da parte do Senhor.
Deus foi desonrado pela incredulidade de Davi. Os filisteus tinham temido a Davi mais do que a Saul e seus exércitos; e, colocando-se sob a proteção dos filisteus, Davi patenteara-lhes a fraqueza de seu povo. Assim ele animou esses implacáveis adversários a oprimirem Israel. Davi tinha sido ungido para ficar na defesa do povo de Deus; e o Senhor não queria que Seu servo animasse os ímpios, descobrindo-lhes a fraqueza de seu povo, ou dando uma aparência de indiferença pelo bem-estar do mesmo. Além disso, receberam seus irmãos a impressão de que ele fora aos gentios para servirem aos seus deuses. Por meio deste ato deu motivo a que fossem mal-interpretados os seus intuitos, e muitos foram levados a entreter preconceito contra ele. Davi foi levado a fazer exatamente o que Satanás desejava que ele fizesse; pois, procurando refúgio entre os filisteus, ele proporcionou grande exultação aos inimigos de Deus e de Seu povo.
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White