Cristo Nossa Redenção

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Patriarcas e Profetas, páginas 487-489

era um mistério para Saul. Podia explicá-lo apenas pela crença de que tinha havido traidores no seu acampamento, os quais informaram o filho de Jessé quanto à sua aproximação e intuitos.

Afirmou a seus conselheiros que uma conspiração se formara contra ele, e, com o oferecimento de ricos presentes e cargos de honra, subornou-os para que revelassem a pessoa que entre seu povo favorecera a Davi. Doegue, o idumeu, fez-se informante. Movido pela ambição e cobiça, bem como pelo ódio ao sacerdote, que havia reprovado os seus pecados, relatou Doegue a visita de Davi a Aimeleque, apresentando isto sob uma luz tal que acendeu a ira de Saul contra o homem de Deus. As palavras daquela língua perniciosa, postas sobre o fogo do inferno, instigaram as piores paixões no coração de Saul. Enlouquecido de raiva, declarou que a família toda do sacerdote pereceria. E o terrível decreto foi executado. Não somente Aimeleque, mas os membros da casa de seu pai — “oitenta e cinco homens que vestiam o éfode de linho” — foram mortos por ordem do rei, pela mão assassina de Doegue.

“Também a Nobe, cidade destes sacerdotes, passou a fio de espada, desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de mama, e até os bois, jumentos e ovelhas”. 1 Samuel 22:18, 19. Isto foi o que Saul pôde fazer sob o domínio de Satanás. Quando Deus dissera que a iniqüidade dos amalequitas estava completa, e lhe mandara destruí-los inteiramente, ele se julgou demasiadamente compassivo para executar a sentença divina, e poupou aquilo que estava votado à destruição; mas agora, sem ordem de Deus, sob a guia de Satanás, matou os sacerdotes do Senhor, e acarretou a destruição aos habitantes de Nobe. Tal é a perversidade do coração humano que recusa a guia de Deus.

Esse acontecimento encheu de horror todo o Israel. Fora o rei que eles tinham escolhido que cometera tal afronta; e fizera-o unicamente segundo a maneira dos reis de outras nações que não temiam a Deus. A arca estava com eles; mas os sacerdotes por meio de quem haviam feito indagação foram mortos com a espada. O que aconteceria a seguir?

Capítulo 65 — A bondade de Davi

Este capítulo é baseado em 1 Samuel 22:20-23; 23-27.

Depois do atroz morticínio dos sacerdotes do Senhor, ordenado por Saul, “escapou um dos filhos de Aimeleque, filho de Aitube, cujo nome era Abiatar, o qual fugiu atrás de Davi. E Abiatar anunciou a Davi que Saul tinha matado os sacerdotes do Senhor. Então Davi disse a Abiatar: Bem sabia eu naquele dia que, estando ali Doegue, o idumeu, não deixaria de o denunciar a Saul. Eu dei ocasião contra todas as almas da casa de teu pai. Fica comigo, não temas, porque quem procurar a minha morte, também procurará a tua, pois estarás salvo comigo”. 1 Samuel 22:20-23.

Ainda perseguido pelo rei, Davi não encontrou lugar de descanso ou segurança. Em Queila, seu bravo grupo salvou a cidade de ser tomada pelos filisteus; mas não estavam livres de perigo, mesmo entre o povo que haviam livrado. De Queila dirigiram-se ao deserto de Zife.

Naquela ocasião, em que havia tão poucos pontos claros no caminho de Davi, ele se regozijou ao receber a visita inesperada de Jônatas, que soubera do lugar de seu refúgio. Preciosos foram os momentos que estes dois amigos passaram na companhia um do outro. Relataram suas variadas experiências, e Jônatas fortaleceu o coração de Davi, dizendo: “Não temas, que não te achará a mão de Saul, meu pai; porém tu reinarás sobre Israel, e eu serei contigo o segundo; o que também Saul, meu pai, bem sabe.” Conversando eles acerca do trato maravilhoso de Deus para com Davi, o aflito fugitivo ficou grandemente encorajado. “E ambos fizeram aliança perante o Senhor; Davi ficou no bosque, e Jônatas voltou para a sua casa”. 1 Samuel 23:17, 18.

Depois da visita de Jônatas, Davi animou a sua alma com cânticos de louvor, acompanhando a sua voz com a harpa, ao entoar:

“No Senhor confio; como dizeis, pois, à minha alma:
Fugi para a vossa montanha como pássaro?
Porque eis que os ímpios armam o arco, põem as flechas na corda,
para com elas atirarem, a ocultas, aos retos de coração.

Na verdade que já os fundamentos se transtornam: Que pode fazer o justo?
O Senhor está no Seu santo templo, o trono do Senhor está nos Céus;
os Seus olhos estão atentos, e as Suas pálpebras provam os filhos dos homens.

O Senhor prova o justo; mas a Sua alma aborrece o ímpio e o que ama a violência”.

Salmos 11:1-5.

Os zifeus, para cujas regiões ermas Davi fora de Queila, enviaram uma comunicação a Saul, em Gibeá, de que sabiam onde Davi se encontrava escondido, e de que guiariam o rei ao seu retiro. Davi, porém, avisado das intenções deles, mudou sua posição, procurando refúgio nas montanhas que ficavam entre Maom e o Mar Morto.

Foi de novo enviada comunicação a Saul: “Eis que Davi está no deserto de En-Gedi. Então tomou Saul três mil homens, escolhidos entre todo o Israel, e foi à busca de Davi e de seus homens, até aos cumes das penhas das cabras monteses.” Davi tinha apenas seiscentos homens em sua companhia, ao passo que Saul avançava contra ele com um exército de três mil. Em uma caverna isolada o filho de Jessé e seus homens aguardavam a direção de Deus quanto ao que deveria fazer-se. Estando Saul fazendo a ascensão das montanhas, desviou-se para um lado, e entrou, sozinho, na mesma caverna em que Davi e seu grupo estavam escondidos. Quando os homens de Davi viram isto, insistiram com seu chefe para que matasse Saul. O fato de que o rei estava agora em seu poder, era por eles interpretado como prova certa de que Deus mesmo entregara o inimigo em suas mãos, para que pudessem destruí-lo. Davi foi tentado a assumir esta opinião a tal respeito; mas a voz da consciência falou-lhe, dizendo: “Não toques no ungido do Senhor.”

Os homens de Davi ainda não estavam dispostos a deixar Saul em paz, e lembraram ao seu comandante as palavras de Deus: “Eis que te dou o teu inimigo nas tuas mãos, e far-lhe-ás como te parecer bem aos teus olhos. E levantou-se Davi, e mansamente cortou a orla do manto de Saul”. 1 Samuel 24:2-4, 6. Mas sua consciência o acusou depois, porque mesmo com isto deformara a veste do rei.

Saul levantou-se e saiu da caverna para continuar com suas pesquisas, quando uma voz atingiu seus ouvidos surpresos, dizendo: “Rei, meu senhor!” Voltou-se para ver quem se dirigia a ele, e, eis que era o filho de Jessé, o homem a quem havia tanto tempo desejava ter em seu poder, para que o pudesse matar. Davi inclinou-se ante o rei, reconhecendo-o como seu senhor. Então se dirigiu a Saul nestes termos: “Por que dás tu ouvidos às palavras dos homens que dizem: Eis que Davi procura o teu mal? Eis que este dia os teus olhos viram, que o Senhor hoje te pôs em minhas mãos nesta caverna, e alguns disseram que te matasse; porém a minha mão te poupou; porque disse: Não estenderei a minha mão contra o meu senhor, pois é o ungido do Senhor. Olha, pois, meu pai, vê aqui a orla do teu manto na minha mão; porque, cortando-te eu a orla do manto, te não matei. Adverte, pois, e vê que não há na minha mão nem mal nem prevaricação nenhuma, e não pequei contra ti; porém tu andas à caça da minha vida, para ma tirares”. 1 Samuel 24:8-11.

Quando Saul ouviu as palavras de Davi, ficou humilhado, e não pôde senão admitir a veracidade das mesmas. Seus sentimentos foram profundamente abalados, ao compenetrar-se de quão completamente estivera

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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