Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 292
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 454-456
naquela ocasião encheu de temor todos os corações. Com humilhação o povo confessou agora o seu pecado, o próprio pecado de que haviam sido culpados: “Roga pelos teus servos ao Senhor teu Deus, para que não venhamos a morrer; porque a todos os nossos pecados temos acrescentado este mal, de pedirmos para nós um rei”. 1 Samuel 12:11-19.
Samuel não deixou o povo em estado de desânimo, pois isto teria impedido todo o esforço para uma vida melhor. Satanás levá-los-ia a considerar Deus como severo e implacável, e assim estariam expostos a muitas tentações. Deus é misericordioso e perdoador, desejando sempre mostrar favor para com Seu povo, quando este obedece à Sua voz. “Não temais”, foi a mensagem de Deus pelo Seu servo; “vós tendes cometido todo este mal; porém não vos desvieis de seguir ao Senhor, mas servi ao Senhor com todo o vosso coração. E não vos desvieis; pois seguiríeis as vaidades, que nada aproveitam, e tampouco vos livrarão, porque vaidades são. Pois o Senhor não desamparará o Seu povo.”
Samuel nada disse quanto à indiferença que havia sido mostrada para com ele; não proferiu exprobração pela ingratidão com que Israel havia pago sua longa vida de dedicação; antes, assegurou-lhes seu incessante interesse por eles: “Longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós; antes vos ensinarei o caminho bom e direito. Tão-somente temei ao Senhor, e servi-O fielmente com todo o vosso coração; porque vede quão grandiosas coisas vos fez. Porém, se perseverardes em fazer mal, perecereis, assim vós como o vosso rei”. 1 Samuel 12:20-25.
Capítulo 60 — A presunção de Saul
Este capítulo é baseado em 1 Samuel 13-14.
Depois da assembléia em Gilgal, Saul dispensou o exército que se havia levantado ao seu chamado para subverter os amonitas, reservando apenas dois mil homens para ficarem localizados sob o seu comando em Micmas, e mil para auxiliar seu filho Jônatas em Gibeá. Nisto houve um grave erro. Seu exército estava cheio de esperança e coragem pela vitória recente; e, caso ele houvesse imediatamente prosseguido contra outros inimigos de Israel, poderia ter sido desferido um golpe eficaz em prol da liberdade da nação.
Enquanto isso, seus belicosos vizinhos, os filisteus, estavam em atividade. Depois da derrota em Ebenézer, tinham ainda conservado a posse de algumas fortalezas nas colinas, na terra de Israel; e agora estabeleceram-se no centro mesmo do país. Em recursos, armamentos e aparato militar, os filisteus tinham grande vantagem sobre Israel. Durante o longo período de seu domínio opressivo, esforçaram-se eles por fortalecer o seu poder, proibindo aos israelitas praticar o ofício de ferreiro, com o receio de que fizessem armas de guerra. Depois da conclusão da paz, os hebreus ainda haviam recorrido às guarnições filistéias para obter tais trabalhos conforme eram necessários. Dirigidos pelo amor à comodidade, e pelo espírito vil causado pela longa opressão, os homens de Israel tinham em grande parte negligenciado prover-se de armas de guerra. Arcos e fundas eram usados na guerra e estes podiam os israelitas obter; mas nenhum havia entre eles, com exceção de Saul e seu filho Jônatas, que possuísse lança ou espada. 1 Samuel 13:22.
Não foi senão no segundo ano do reinado de Saul que se fez uma tentativa para submeter os filisteus. O primeiro golpe foi desferido por Jônatas, o filho do rei, que atacou e venceu a guarnição deles em Geba. Os filisteus, exasperados por esta derrota, aprontaram-se para um ataque imediato a Israel. Saul fez agora proclamar a guerra pelo som da trombeta, por toda a terra, chamando a todos os homens de guerra, incluindo as tribos de além do Jordão, para se reunirem em Gilgal. Esta convocação foi atendida.
Os filisteus tinham reunido uma imensa força em Micmas — “trinta mil carros, e seis mil cavaleiros, e povo em multidão como a areia que está à borda do mar”. 1 Samuel 13:5. Quando a notícia chegou a Saul e seu exército, em Gilgal, o povo ficou assombrado ao ter idéia das forças poderosas que teriam de enfrentar em batalha. Não estavam preparados
para defrontar-se com o inimigo, e muitos ficaram tão aterrorizados que não ousaram ir à prova de um encontro. Alguns atravessaram o Jordão, enquanto outros se esconderam em cavernas e covas, e entre as rochas que eram comuns naquela região. Aproximando-se o tempo do encontro, o número das deserções aumentou rapidamente, e aqueles que se não retiraram das fileiras estavam cheios de terror.
Quando Saul foi ungido rei de Israel, recebera de Samuel instruções explícitas concernentes à conduta a ser adotada no tempo em questão. “Tu porém descerás diante de mim a Gilgal”, disse o profeta; “e eis que eu descerei a ti, para sacrificar holocaustos, e para oferecer ofertas pacíficas; ali sete dias esperarás, até que eu venha a ti, e te declare o que hás de fazer”. 1 Samuel 10:8.
Dia após dia, Saul esperou, mas sem fazer decididos esforços para animar o povo e inspirar confiança em Deus. Antes que o tempo designado pelo profeta houvesse expirado completamente, ele se tornou impaciente com a demora, e deixou-se desanimar pelas circunstâncias difíceis que o cercavam. Em vez de procurar fielmente preparar o povo para a cerimônia que Samuel vinha realizar, alimentou incredulidade e maus pressentimentos. Buscar a Deus pelo sacrifício, era uma obra soleníssima e importante; e Deus exigia que Seu povo examinasse o coração e se arrependesse de seus pecados, a fim de que se pudesse fazer a oferta com aceitação perante Ele, e a bênção divina acompanhasse seus esforços para vencer o inimigo. Mas Saul se tornara inquieto; e o povo, em vez de confiar em Deus para obter auxílio, olhava para o rei a quem tinham escolhido, para que os guiasse e dirigisse.
Contudo o Senhor ainda cuidava deles, e os não abandonou aos reveses que lhes teriam sobrevindo se o frágil braço da carne houvesse sido o seu único apoio. Ele os levou a situações angustiosas, para que pudessem convencer-se da loucura de confiar no homem, e a Ele se voltassem como seu único auxílio. Havia chegado o tempo para a prova de Saul. Ele deveria agora mostrar se confiaria ou não em Deus, e se esperaria pacientemente conforme à Sua ordem, mostrando-se assim ser aquele com quem Deus poderia contar em situações difíceis, na qualidade de governador de Seu povo, ou se seria vacilante e indigno da responsabilidade sagrada que lhe fora entregue. O rei a quem Israel escolhera, ouviria ao Rei de todos os reis? Volveria ele a atenção de seus soldados esmorecidos para Aquele em quem estão a força e o livramento eternos?
Com impaciência crescente esperava a chegada de Samuel, e atribuiu a confusão, angústia e deserção de seu exército à ausência do profeta. Veio o tempo aprazado, mas o homem de Deus não apareceu imediatamente. A providência de Deus havia detido o Seu servo. O espírito inquieto e impulsivo de Saul, porém, não se restringiria por mais tempo. Entendendo que se deveria fazer algo para acalmar os temores do povo, decidiu-se
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White