Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 240
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 373-375
subjugadas, devia ser repartida entre as tribos. E era o dever de cada tribo conquistar completamente sua própria herança. Se o povo se mostrasse fiel a Deus, Ele repeliria seus inimigos de diante deles; e prometeu-lhes ainda maiores possessões se tão-somente fossem fiéis ao Seu concerto.
A Josué, juntamente com Eleazar, o sumo sacerdote, e aos chefes das tribos, foi confiada a distribuição da terra, sendo a localização de cada tribo determinada por sorte. O próprio Moisés fixara os limites do país, conforme devia ser dividido entre as tribos, ao entrarem elas em posse de Canaã; e designara um príncipe de cada tribo para auxiliar na distribuição. A tribo de Levi, sendo dedicada ao serviço do santuário, não deveria ser contada neste aquinhoamento; porém, quarenta e oito cidades nas diferentes partes do país foram designadas aos levitas como sua herança.
Antes que entrasse em vigor a distribuição das terras, Calebe, acompanhado pelos chefes de sua tribo, veio à frente com um pedido especial. Com exceção de Josué, Calebe era agora o homem mais velho em Israel. Calebe e Josué eram os únicos entre os espias que haviam trazido uma boa notícia da terra da promessa, animando o povo a subir e possuí-la em nome do Senhor. Calebe lembrou então a Josué a promessa feita naquela ocasião, como recompensa de sua fidelidade: “A terra que pisou o teu pé será tua, e de teus filhos, em herança perpetuamente; pois perseveraste em seguir o Senhor”. Josué 14:6-15. Apresentou portanto o pedido de que o Hebrom lhe fosse dado em possessão. Ali haviam habitado durante muitos anos Abraão, Isaque e Jacó; e, ali, na caverna de Macpela, foram sepultados. Hebrom era a sede dos temidos enaquins, cuja aparência formidável tanto havia aterrorizado os espias, e por meio destes destruíra a coragem de todo o Israel. Este lugar, de preferência a todos os outros, foi o que Calebe, confiando na força de Deus, escolheu para sua herança.
“Eis que o Senhor me conservou em vida”, disse ele; “quarenta e cinco anos há agora, desde que o Senhor falou esta palavra a Moisés. [...] E agora eis que já hoje sou de idade de oitenta e cinco anos. E ainda estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual a minha força então era, tal é agora a minha força, para a guerra, e para sair e para entrar. Agora pois dá-me este monte de que o Senhor falou aquele dia; pois naquele dia tu ouviste que os enaquins estão ali, grandes e fortes cidades há ali. Porventura o Senhor será comigo para os expelir, como o Senhor disse.” Este pedido foi apoiado pelos principais homens de Judá. O próprio Calebe, sendo um dos indicados daquela tribo para repartir a terra, escolhera esses homens para que a ele se unissem ao apresentar seu pedido, para que não houvesse a aparência de ter ele empregado sua autoridade para proveito próprio.
Seu pedido foi imediatamente satisfeito. A ninguém poderia a conquista daquela gigantesca fortaleza ser com mais segurança confiada. “Josué o abençoou, e deu a Calebe, filho de Jefoné, Hebrom em herança”,
“porquanto perserverara em seguir ao Senhor Deus de Israel.” A fé de Calebe era agora precisamente o que fora quando seu testemunho havia contradito o mau relato dos espias. Acreditara na promessa de Deus de que Ele poria Seu povo na posse de Canaã, e nisto seguira inteiramente ao Senhor. Suportara juntamente com Seu povo a longa peregrinação no deserto, participando assim dos desapontamentos e trabalhos dos culpados; não apresentou contudo queixa contra isto, mas exaltou a misericórdia de Deus que o preservara em vida no deserto, quando foram eliminados seus irmãos. Entre todas as dificuldades, perigos e pragas, nas vagueações pelo deserto, e durante os anos de guerra desde que entraram em Canaã, preservara-o o Senhor; e agora, passados os oitenta anos, não se encontrava abatido o seu vigor. Ele não pedia para si uma terra já conquistada, mas o lugar que mais do que todos, os outros espias haviam julgado impossível subjugar. Com a ajuda de Deus ele arrancaria essa fortaleza daqueles mesmos gigantes, cujo poder fizera abalar a fé de Israel. Não foi o desejo de honras ou engrandecimento próprio que determinou o pedido de Calebe. O bravo e velho guerreiro estava desejoso de dar ao povo um exemplo que honraria a Deus, e incentivaria as tribos a subjugar completamente a terra que seus pais haviam imaginado invencível.
Calebe obteve a herança na qual tinha o coração durante quarenta anos; e, confiando em que Deus estava consigo, “expeliu Calebe dali os três filhos de Enaque”. Josué 15:14. Havendo assim conseguido posse para si e sua casa, o zelo não se lhe abateu; não se estabeleceu a fim de desfrutar a herança, mas levou avante novas conquistas para o benefício da nação e para a glória de Deus.
Os covardes e rebeldes haviam perecido no deserto; mas os espias justos comeram das uvas de Escol. A cada um deles foi dado segundo sua fé. Os incrédulos viram cumprir-se seus temores. Apesar da promessa de Deus, declararam que era impossível herdar Canaã, e não a possuíram. Mas aqueles que confiaram em Deus, não olhando tanto para as dificuldade a se encontrarem, como para a força de seu Auxiliador todo-poderoso, entraram na boa terra. Foi pela fé que os antigos heróis “venceram reinos, [...] escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fugida os exércitos dos estranhos”. Hebreus 11:33, 34. “Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé”. 1 João 5:4.
Outro pedido com relação à divisão da terra, revelou um espírito grandemente diverso do de Calebe. Foi apresentado pelos filhos de José, da tribo de Efraim juntamente com a meia tribo de Manassés. Em consideração ao seu número superior, essas tribos pediram uma porção dupla de território. O quinhão a eles designado era o mais rico da terra, incluindo a fértil planície de Sarom; porém muitas das cidades principais do vale estavam ainda de posse dos cananeus, e as tribos temiam executar a perigosa tarefa de conquistar suas possessões, e desejavam uma porção
adicional de território já conquistado. A tribo de Efraim era uma das maiores em Israel, bem como aquela a que o próprio Josué pertencia; e seus membros naturalmente se julgavam com direito a consideração especial. “Por que me deste por herança só uma sorte e um quinhão”, disseram eles, “sendo eu um tão grande povo?” Josué 17:14-18. Mas nenhum desvio da estrita justiça poder-se-ia obter do inflexível líder.
Sua resposta foi: “Se tão grande povo és, sobe ao bosque e corta para ti ali lugar na terra dos ferezeus e dos refains, pois que as montanhas de Efraim te são tão estreitas”. Josué 17:15.
Sua réplica mostrou a causa real da queixa. Faltavam-lhe fé e coragem para expulsar os cananeus. “As montanhas nos não bastariam”, disseram; “também carros ferrados há entre todos os cananeus que habitam na terra do vale”. Josué 17:16.
O poder do Deus de Israel tinha sido empenhado em favor de Seu povo; e, caso possuíssem os efraimitas a coragem e a fé de Calebe, nenhum inimigo lhes teria feito frente. Seu desejo evidente de excluir dificuldades e perigos, foi com firmeza defrontado por Josué. “Grande povo és e grande força tens”, disse ele; “expelirás os cananeus, ainda que tenham carros ferrados, ainda que sejam fortes”. Josué 17:17, 18. Assim, seus próprios argumentos voltaram-se contra eles. Sendo um povo grande, como alegavam, eram perfeitamente capazes de seguir seu próprio caminho, como fizeram seus irmãos. Com o auxílio de Deus, não necessitavam temer os carros de ferro.
Até ali Gilgal fora o quartel-general da nação e a sede do tabernáculo. Agora, porém, o tabernáculo devia ser removido ao lugar escolhido para a sua localização permanente. Este foi Siló, cidadezinha na porção de Efraim. Achava-se perto do centro do país, e era de fácil acesso a todas as tribos. Ali, parte do território havia sido completamente subjugada, de maneira que os adoradores não seriam incomodados. “E toda a congregação dos filhos de Israel se ajuntou em Siló, e ali armaram a tenda da congregação”. Josué 18:1. As tribos que ainda estavam acampadas quando o tabernáculo foi removido de Gilgal, seguiram-no, e armaram suas tendas próximo de Siló. Ali permaneceram essas tribos até que se dispersaram às suas possessões.
A arca ficou em Siló, durante trezentos anos, até que, por causa dos pecados da casa de Eli, caiu nas mãos dos filisteus, e Siló foi arruinada. A arca nunca mais voltou ao tabernáculo ali; o cerimonial do santuário transferiu-se finalmente para o templo em Jerusalém, e Siló tornou-se decadente. Apenas ruínas existem para assinalar o local em que se erguera. Muito tempo mais tarde fez-se uso de sua sorte como advertência a Jerusalém. “Ide agora ao Meu lugar, que estava em Siló”, declarou o Senhor pelo profeta Jeremias, “onde, a princípio, fiz habitar o Meu nome, e vede o que lhe fiz, por causa da maldade de Meu povo Israel. [...] Farei
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White