Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 233
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 370-371
para aqueles cidadãos de uma “cidade real”, sendo “todos os seus homens valentes”, fazerem-se rachadores de lenha e carregadores de água por todas as suas gerações. Haviam eles, porém, adotado a aparência de pobreza com o fim de enganar, e esta se lhes fixou como distintivo de servidão perpétua. Assim, em todas as suas gerações, sua condição servil testificaria do ódio de Deus à falsidade.
A submissão de Gibeom aos israelitas encheu de pavor os reis de Canaã. Deram-se imediatamente passos para tirar-se uma desforra daqueles que fizeram paz com os invasores. Sob a chefia de Adonizedeque, rei de Jerusalém, cinco dos reis cananeus entraram em confederação contra Gibeom. Seus movimentos foram rápidos. Os gibeonitas não estavam preparados para a defesa, e enviaram uma mensagem a Josué, em Gilgal: “Não retires as tuas mãos dos teus servos; sobe apressadamente a nós, e livra-nos, e ajuda-nos, porquanto todos os reis dos amorreus, que habitam na montanha, se ajuntaram contra nós”. Josué 10:6. O perigo ameaçava não somente o povo de Gibeom, mas também Israel. Aquela cidade dominava as passagens para a Palestina central e do sul, e cumpria ser conservada, se se queria conquistar o território.
Josué preparou-se para ir logo em socorro de Gibeom. Os habitantes da cidade sitiada haviam receado que ele repelisse o seu apelo, por causa da fraude que haviam praticado; mas visto que se tinham submetido ao governo de Israel, e aceitaram o culto a Deus, ele se achou na obrigação de os proteger. Não agiu nesta ocasião sem o conselho divino, e o Senhor o animou àquele empreendimento. “Não os temas”, foi a mensagem divina, “porque os tenho dado na tua mão; nenhum deles parará diante de ti.” “Então subiu Josué de Gilgal, ele e toda a gente de guerra com ele, e todos os valentes e valorosos.”
Marchando toda a noite, trouxe suas forças diante de Gibeom pela manhã. Mal haviam os príncipes confederados reunido seus exércitos em redor da cidade, quando Josué se achou sobre eles. O ataque resultou na completa derrota dos assaltantes. A imensa hoste fugiu de diante de Josué pela garganta da montanha, acima, para Bete-Horom; e, havendo galgado a altura, lançaram-se do outro lado pela descida em precipício. Ali uma tremenda saraiva irrompeu sobre eles. “O Senhor lançou sobre eles, do céu, grandes pedras. [...] E foram muitos mais os que morreram das pedras da saraiva do que os que os filhos de Israel mataram à espada.”
Enquanto os amorreus continuavam na fuga precipitada, no intuito de encontrar refúgio nas fortalezas das montanhas, Josué, olhando do alto, viu que o dia seria curto demais para a realização de sua obra. Se não fossem inteiramente derrotados os seus inimigos, de novo se arregimentariam, e renovariam a luta. “Então Josué falou ao Senhor, [...] e disse aos olhos dos israelitas: Sol, detém-te em Gibeom, e tu, Lua, no vale de Aijalom. E o Sol se deteve, e a Lua parou, até que o povo se vingou de
seus inimigos. [...] O Sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro.”
Antes do cair da noite, a promessa de Deus a Josué fora cumprida. Toda a hoste do inimigo havia sido entregue em sua mão. Por longo tempo deviam os eventos daquele dia ficar na memória de Israel. “Não houve dia semelhante a este, nem antes nem depois dele, ouvindo o Senhor assim a voz de um homem; porque o Senhor pelejava por Israel.” “O Sol e a Lua pararam nas suas moradas; andaram à luz das Tuas flechas, ao resplendor do relâmpago da Tua lança. Com indignação marchaste pela terra, com ira trilhaste as nações. Tu saíste para salvamento do Teu povo”. Habacuque 3:11-13.
O Espírito de Deus inspirou a oração de Josué, para que de novo se pudesse dar prova do poder do Deus de Israel. Portanto o pedido não ostentou arrogância, por parte do grande líder. Josué recebera a promessa de que Deus certamente subverteria aqueles inimigos de Israel; contudo, aplicou tão decididos esforços como se o êxito dependesse unicamente dos exércitos de Israel. Fez tudo que a energia humana podia fazer, e então pela fé clamou rogando auxílio divino. O segredo do êxito está na união do poder divino com o esforço humano. Aqueles que levam a efeito os maiores resultados são os que mais implicitamente confiam no Braço todo-poderoso. O homem que ordenou: “Sol, detém-te em Gibeom, e Tu, Lua, no vale de Aijalom”, é o homem que durante horas jazeu prostrado em terra, em oração, no acampamento em Gilgal. Os homens de oração são os homens de poder.
Esse grande prodígio testifica que a criação está sob o governo do Criador. Satanás procura esconder dos homens a ação divina no mundo físico — a fim de conservar fora das vistas a incansável operação da primeira grande causa. Neste prodígio, são repreendidos todos os que exaltam a natureza acima do Deus da natureza.
Pela Sua própria vontade Deus convoca as forças da natureza para transtornar o poder de Seus inimigos: “Fogo e saraiva, neve e vapores, e vento tempestuoso que executa a Sua palavra”. Salmos 148:8. Quando os gentios amorreus se dispuseram a resistir aos Seus propósitos, Deus interveio, lançando “do céu grandes pedras” sobre os inimigos de Israel. Estamos informados de uma maior batalha a ocorrer nas cenas finais da história da Terra, quando “o Senhor abriu o Seu tesouro, e tirou os instrumentos de Sua indignação”. Jeremias 50:25. “Entraste tu”, pergunta Ele, “até aos tesouros da neve, e viste os tesouros da saraiva, que Eu retenho até ao tempo da angústia, até ao dia da peleja e da guerra?” Jó 38:22, 23.
O Revelador descreve a destruição que terá lugar quando a “grande voz do templo do Céu” anunciar: “Está feito.” Diz ele: “Sobre os homens caiu do céu uma grande saraiva, pedras do peso de um talento”. Apocalipse 16:17, 21.
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White