Cristo Nossa Redenção

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Patriarcas e Profetas, páginas 272-273

marcha, e estavam continuamente a achar defeito no modo como Moisés os estava a guiar, embora bem soubessem que ele, assim como todos, estavam seguindo a nuvem que os guiava. O descontentamento é contagioso, e logo espalhou-se pelo arraial.

Novamente começaram a clamar pedindo carne para comer. Se bem que abundantemente supridos de maná, não estavam satisfeitos. Os israelitas, durante seu cativeiro no Egito, tinham sido compelidos a passar com o mais trivial e simples alimento; mas o bom apetite provocado pela privação e árduo trabalho tornava-o saboroso. Muitos dos egípcios, entretanto, que agora se achavam entre eles, tinham estado acostumados a regime farto; e estes foram os primeiros a queixar-se. Ao dar o maná, precisamente antes de Israel chegar ao Sinai, o Senhor lhes concedera carne em resposta aos seus clamores; mas esta lhes foi fornecida apenas um dia.

Deus poderia tão facilmente tê-los provido de carne como de maná; impôs-se-lhes, porém, uma restrição, para o seu bem. Era Seu propósito supri-los de alimento mais adaptado às suas necessidades do que o regime estimulante a que muitos se haviam acostumado no Egito. O apetite pervertido devia ser posto em uma condição mais sadia, a fim de que pudessem usar o alimento originariamente provido ao homem: os frutos da Terra, que Deus dera a Adão e Eva no Éden. Foi por esta razão que os israelitas foram em grande medida privados do alimento cárneo.

Satanás tentou-os a considerar esta restrição como injusta e cruel. Fê-los cobiçar coisas proibidas, porque viu que a satisfação desenfreada do apetite tenderia a produzir a sensualidade, e por este meio o povo poderia ser mais facilmente submetido ao seu domínio. O autor da moléstia e da miséria assaltará os homens no ponto em que ele pode ter o maior êxito. Por meio de tentações que visam o apetite, tem ele, em grande parte, levado homens ao pecado, desde o tempo em que induziu Eva a comer do fruto proibido. Foi por este mesmo meio que levou Israel a murmurar contra Deus. A intemperança no comer e no beber, determinando, como o faz, a satisfação das paixões baixas, prepara aos homens o caminho para desrespeitarem todos os deveres morais. Ao serem assaltados pela tentação, pouco poder têm eles para resistir.

Deus tirou do Egito os israelitas para que os pudesse estabelecer na terra de Canaã como um povo puro, santo e feliz. Para a realização deste objetivo, sujeitou-os a um processo de disciplina, tanto para o seu bem como para o bem de sua posteridade. Estivessem eles dispostos a vencer o apetite, em obediência às Suas sábias restrições, e teriam sido desconhecidas entre eles a fraqueza e a moléstia. Seus descendentes teriam possuído força tanto física como mental. Teriam tido clara percepção da verdade e do dever, discernimento penetrante e são juízo. Mas sua falta de vontade para se sujeitarem às restrições e reclamos de Deus, impediu-os em grande parte de alcançarem a elevada norma que desejava atingissem, bem como de receberem as bênçãos que estava pronto para lhes conferir.

Diz o salmista: “Tentaram a Deus nos seus corações, pedindo carne para satisfazerem o seu apetite. E falaram contra Deus, e disseram: Poderá Deus porventura preparar-nos uma mesa no deserto? Eis que feriu a penha, e águas correram dela; rebentaram ribeiros em abundância: poderá também dar-nos pão, ou preparar carne para o Seu povo? Pelo que o Senhor os ouviu, e Se indignou”. Salmos 78:18-21. Murmurações e tumultos tinham sido freqüentes durante a jornada do Mar Vermelho ao Sinai; mas, compadecendo-Se de sua ignorância e cegueira, Deus não visitara então o pecado com juízos. Mas desde aquele tempo Ele Se lhes revelara em Horebe. Haviam recebido grande luz, visto que tinham sido testemunhas da majestade, do poder e da misericórdia de Deus; e sua incredulidade e descontentamento incorriam em maior delito. Ademais, haviam eles pactuado aceitar a Jeová como seu Rei, e obedecer à Sua autoridade. Sua murmuração era agora rebelião, e como tal devia receber imediato e assinalado castigo, para que Israel fosse preservado da anarquia e ruína. “O fogo do Senhor ardeu entre eles, e consumiu os que estavam na última parte do arraial”. Números 11:1. Os mais culpados dos queixosos foram mortos pelo relâmpago da nuvem.

O povo, aterrorizado, rogou a Moisés que pedisse ao Senhor por eles. Moisés o fez, e o fogo apagou-se. Em lembrança deste juízo ele deu àquele lugar o nome de Taberá, que quer dizer, “queima”.

Mas o mal logo foi pior do que antes. Em vez de levar os sobreviventes à humilhação e ao arrependimento, este terrível juízo pareceu apenas aumentar-lhes a murmuração. Em todas as direções o povo estava reunido à porta de suas tendas, chorando e lamentando. “E o vulgo [a mistura de gente], que estava no meio deles, veio a ter grande desejo; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar, e disseram: Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça; e dos pepinos e dos melões, e dos porros, e das cebolas, e dos alhos. Mas agora a nossa alma se seca; coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos”. Números 11:4-6. Assim manifestaram seu descontentamento pelo alimento que o Criador lhes provera. Tinham, contudo, prova constante de que o mesmo se adaptava às suas necessidades; pois, apesar das fadigas que suportavam, não havia um que fosse fraco, em todas as suas tribos.

O coração de Moisés desfaleceu. Pleiteara que Israel não fosse destruído, mesmo que sua própria posteridade se tornasse então uma grande nação. Em seu amor por eles, rogara fosse antes o seu nome riscado do livro da vida do que se deixassem eles a perecer. Por eles arriscara tudo, e este era o modo em que correspondiam. Todas as suas dificuldades, mesmo os sofrimentos imaginários, atribuíam a ele; e suas ímpias murmurações tornavam duplamente pesado o fardo de cuidados e responsabilidades sob que ele cambaleava. Em sua angústia foi tentado mesmo a não confiar em Deus. Sua oração foi quase uma queixa. “Por que fizeste mal a Teu servo, e por

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

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