Cristo Nossa Redenção

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Leitura do livro

Patriarcas e Profetas, páginas 205-206

A história da vida de Israel no deserto foi registrada para o benefício do Israel de Deus até o final do tempo. O registro do trato de Deus aos errantes no deserto, em todas as suas marchas de um para outro lado, em sua exposição a fome, sede e cansaço, e nas notáveis manifestações de Seu poder em auxílio deles, acha-se repleto de advertências e instruções para o Seu povo, em todos os tempos. A experiência variada dos hebreus era uma escola preparatória para o seu lar prometido em Canaã. Deus quer que Seu povo nestes dias reveja com humilde coração e espírito dócil as provações pelas quais passou o antigo Israel, a fim de que possa instruir-se em seu preparo para a Canaã celestial.

Muitos consideram os israelitas daquele tempo, e admiram-se de sua incredulidade e murmuração, achando que, se tivessem estado em lugar deles, não teriam sido tão ingratos; mas, quando sua fé é provada, mesmo com pequenas aflições, não manifestam maior fé ou paciência do que fez o antigo Israel. Quando levados a situações angustiosas, murmuram contra o meio que Deus escolheu para os purificar. Posto que sejam supridas suas necessidades presentes, muitos não estão dispostos a confiar em Deus para o futuro, e se acham em constante ansiedade, receosos de que a pobreza lhes sobrevenha, e seu filhos venham a sofrer. Alguns estão sempre a ver antecipadamente o mal, ou a aumentar as dificuldades que realmente existem, de modo que seus olhos ficam cegos às muitas bênçãos que lhes reclamam gratidão. Os obstáculos que encontram em vez de os levar a buscar auxílio de Deus, a única Fonte de força, separam-nos dEle, porque despertam inquietação e descontentamento.

Fazemos bem em ser assim duvidosos? Por que deveríamos ser ingratos e desconfiados? Jesus é nosso amigo; todo o Céu se interessa em nosso bem-estar; e nossa ansiedade e temor entristecem ao Espírito Santo de Deus. Não devemos condescender com cuidados que apenas nos impacientem e fatiguem, mas não nos auxiliam a suportar as provações. Nenhum lugar deve dar-se àquela desconfiança para com Deus, a qual nos leva a fazer dos preparativos para as futuras necessidades a principal preocupação da vida, como se nossa felicidade consistisse nessas coisas terrestres. Não é vontade de Deus que Seu povo se sobrecarregue de cuidados. Nosso Senhor, porém, não nos diz que não há perigos em nosso caminho. Não Se propõe tirar Seu povo do mundo de pecado e mal, mas aponta-nos um refúgio que nunca falha. Convida o cansado e carregado de cuidados: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei.” Deponde o jugo da ansiedade e cuidados mundanos que vos impusestes, e “tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas”. Mateus 11:28, 29. Podemos encontrar descanso e paz em Deus, lançando sobre Ele todos os nossos cuidados; pois Ele cuida de nós. 1 Pedro 5:7.

Diz o apóstolo Paulo: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo”. Hebreus 3:12. Em vista de tudo que Deus tem feito por nós, nossa fé deve ser forte, ativa e duradoura. Em vez de murmurarmos e queixarmo-nos, a expressão de nosso coração deve ser: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o Seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de Seus benefícios”. Salmos 103:1, 2.

Deus não Se esquecia das necessidades de Israel. Disse a seu guia: “Eis que vos farei chover pão dos céus.” E foram dadas instruções para que o povo apanhasse uma porção para cada dia, e porção dupla no sexto dia, para que se pudesse manter a sagrada observância do sábado.

Moisés afirmou à congregação que suas necessidades haviam de ser supridas: “Isso será quando o Senhor à tarde vos der carne para comer, e pela manhã pão a fartar.” E acrescentou: “Quem somos nós? As vossas murmurações não são contra nós, mas sim contra o Senhor.” Mandou, ainda, Arão dizer-lhes: “Chegai-vos para diante do Senhor, porque ouviu as vossas murmurações.” Enquanto Arão estava a falar, “eles se viraram para o deserto, eis que a glória do Senhor apareceu na nuvem”. Êxodo 16:8-10. Um esplendor qual nunca antes haviam testemunhado, simbolizava a presença divina. Por meio de manifestações que se dirigiam aos seus sentidos, deviam obter conhecimento de Deus. Devia ensinar-se-lhes que o Altíssimo, e não meramente o homem Moisés, era seu dirigente, a fim de que temessem o Seu nome e Lhe obedecessem à voz.

Ao cair da noite, o acampamento foi rodeado de vastos bandos de codornizes, bastantes para suprirem toda a multidão. Pela manhã, jazia na superfície do solo “uma coisa miúda, redonda; miúda como a geada”. “Era como semente de coentro branco.” O povo chamou-o maná. Disse Moisés: “Este é o pão que o Senhor vos deu para comer”. Êxodo 16:14, 15, 31. O povo apanhou o maná, e viu que havia um suprimento abundante para todos. “Em moinhos o moía, ou num gral o pisava, e em panelas o cozia, e dele fazia bolos”. Números 11:8. Era “seu sabor como bolos de mel”. Êxodo 16:31. Determinou-se-lhes apanhar diariamente um gômer [aproximadamente três litros] para cada pessoa; e dele não deveriam deixar para a manhã seguinte. Alguns tentaram guardar uma porção até o dia seguinte, mas achou-se então estar impróprio para alimento. A provisão para o dia deveria ser colhida na manhã; pois tudo que ficava no solo derretia-se com o sol.

No colher o maná verificou-se que alguns obtinham mais e alguns menos do que a quantidade estipulada; mas “medindo-o com o gômer, não sobejava ao que colhera muito, nem faltava ao que colhera pouco”. Êxodo 16:18. Uma explicação desta passagem bem como uma lição prática da mesma, é dada pelo apóstolo Paulo em sua segunda epístola ao Coríntios: Diz ele: “Não digo isto para que os outros tenham alívio, e vós

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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