Cristo A Igreja

Plano Encontro 2 Dia 81

Dia 81 ▾
Aa
Tamanho Fonte Tema

Leitura do livro

Atos dos Apóstolos, páginas 147-148

próprias mãos; somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos; somos blasfemados, e rogamos; até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos. Não escrevo estas coisas para vos envergonhar; mas admoesto-vos como meus filhos amados. Porque ainda que tivésseis dez mil aios em Cristo não teríeis contudo muitos pais; porque eu pelo evangelho vos gerei em Jesus Cristo” (1Co 4:11-15).

Aquele que envia obreiros evangelistas como Seus embaixadores, é desonrado quando se manifesta entre os ouvintes um tão forte apego a algum pastor favorito, a ponto de haver má vontade em aceitar os trabalhos de outro mestre. O Senhor envia auxílio a Seu povo nem sempre da maneira por que eles preferem, mas sim, conforme as suas necessidades; pois os homens são curtos de vista, e não podem discernir o que é para seu maior bem. É raro ter um pastor todas as qualidades necessárias para aperfeiçoar uma igreja em todas as exigências do cristianismo; por isso Deus muitas vezes lhes envia outros pastores, possuindo cada qual habilitações em que os outros eram deficientes.

A igreja deve acolher com gratidão esses servos de Cristo, da mesma forma que acolheria o Senhor mesmo. Deveriam procurar tirar das instruções que cada ministro lhes proporciona da Palavra de Deus, todo o benefício possível. As verdades apresentadas pelos servos de Deus devem ser aceitas e apreciadas com docilidade e humildade, mas ministro algum deve ser idolatrado.

Mediante a graça de Cristo, os ministros de Deus são feitos mensageiros de luz e bênção. Quando mediante oração fervorosa e perseverante obtiverem a dotação do Espírito Santo e saírem possuídos do desejo de salvar almas, os corações plenos de zelo para estender os triunfos da cruz, verão os frutos de seus labores. Recusando resolutamente exibir sabedoria humana ou a exaltar-se, eles realizarão uma obra que resistirá aos assaltos de Satanás. Muitas almas sairão das trevas para a luz, e muitas igrejas serão estabelecidas. Os homens se converterão, não ao instrumento humano, mas a Cristo. O eu será mantido para trás; somente Jesus, o Homem do Calvário, aparecerá.

Os que trabalham por Cristo hoje, podem revelar as mesmas distintas excelências reveladas pelos que proclamaram o evangelho na era apostólica. Deus está tão pronto a dar poder a Seus servos hoje quanto esteve quando o deu a Paulo e Apolo, a Silas e Timóteo, a Pedro, Tiago e João.

Nos dias dos apóstolos havia algumas almas mal orientadas que diziam crer em Cristo, mas recusavam demonstrar respeito aos Seus representantes. Declaravam que não seguiam mestres humanos, mas eram diretamente instruídas por Cristo, sem a ajuda dos ministros do evangelho. Eram de espírito independente e indispostos para se submeterem à orientação da igreja. Tais criaturas estavam em grave perigo de serem enganadas.

Deus pôs na igreja, como Seus auxiliares indicados, homens de talentos diferentes para que, mediante a sabedoria de muitos, seja feita a vontade do Espírito. Os homens que agem de conformidade com seus próprios fortes traços de caráter, recusando aliar-se a outros que têm tido mais longa experiência na obra de Deus, ficarão cegos pela confiança própria, incapazes de discernir entre o falso e o verdadeiro. Não é seguro escolher tais pessoas para líderes na igreja; pois seguirão seu próprio juízo e planos, sem

consideração pelo juízo de seus irmãos. É fácil para o inimigo agir por intermédio dos que, necessitando eles próprios de conselho a cada passo, se encarregam do cuidado das almas em sua própria força, sem ter aprendido a mansidão de Cristo.

Impressões apenas não são guias seguros no cumprimento do dever. Muitas vezes o inimigo persuade os homens a crer que é Deus que os está guiando, quando na realidade estão seguindo apenas o impulso humano. Mas se vigiarmos cuidadosamente, e tomarmos conselho com nossos irmãos, ser-nos-á dada compreensão da vontade do Senhor; pois a promessa é: “Guiará os mansos retamente, e aos mansos ensinará o Seu caminho” (Sl 25:9).

Na primitiva igreja cristã havia alguns que recusavam reconhecer a Paulo ou a Apolo, mas consideravam Pedro seu guia. Afirmavam que Pedro tinha estado na maior intimidade de Cristo quando o Mestre esteve na Terra, ao passo que Paulo fora um perseguidor dos crentes. Suas opiniões e sentimentos estavam atados ao preconceito. Não mostravam a liberalidade, a generosidade, a brandura que revelam estar Cristo habitando no coração.

Havia o perigo desse espírito de partidarismo resultar em grande mal para a igreja cristã; e Paulo foi instruído pelo Senhor a usar palavras de fervente admoestação e solene protesto. Aos que diziam: “Eu sou de Paulo; e, Eu de Apolo; e, Eu de Cefas; e, Eu de Cristo”, o apóstolo interroga: “Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo” (1Co 1:12, 13). “Ninguém se glorie nos homens”, suplicou ele. “Porque tudo é vosso; seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro, tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus” (1Co 3:21-23).

Paulo e Apolo estavam em perfeita harmonia. O último ficou desapontado e magoado por causa da dissensão na igreja de Corinto; não tirou vantagem da preferência a ele mostrada, nem a encorajou, mas apressadamente deixou o campo da contenda. Quando mais tarde Paulo insistiu com ele para que tornasse a visitar Corinto, ele declinou, e não voltou a trabalhar ali por muito tempo, até que a igreja tivesse alcançado melhor estado espiritual.

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

Abrir em sua própria página