Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 79
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 144-145
como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem tão pouco ainda agora podeis” (1Co 3:1, 2). Muitos dos crentes coríntios haviam sido tardos em aprender as lições que ele procurava lhes ensinar. Seu progresso no conhecimento espiritual não havia sido proporcional a seus privilégios e oportunidades. Quando deviam estar muito adiantados na experiência cristã, e capazes de compreender e praticar as profundas verdades da Palavra, ainda estavam onde estiveram os discípulos quando Cristo lhes dissera: “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora” (Jo 16:12). Inveja, desconfianças e acusações haviam fechado o coração de muitos dos crentes coríntios para uma completa obra do Espírito Santo, o qual “penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus” (1Co 2:10). Sábios como pudessem ser em conhecimentos seculares, eram não obstante meninos no conhecimento de Cristo.
Tinha sido a obra de Paulo instruir os conversos coríntios nos rudimentos, o próprio alfabeto, da fé cristã. Havia ele sido obrigado a instruí-los como a pessoas ignorantes das operações do poder divino sobre o coração. A esse tempo eram eles incapazes de compreender os mistérios da salvação; pois “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2:14). Paulo tinha procurado semear a semente que outros deviam regar. Os que viessem depois dele deviam continuar a obra do ponto em que ele a havia deixado, proporcionando luz e conhecimento espirituais no tempo devido, conforme a igreja fosse capaz de compreender.
Quando o apóstolo se empenhou em sua obra em Corinto, sentiu que precisava introduzir da maneira mais cuidadosa as grandes verdades que lhes desejava ensinar. Ele sabia que entre seus ouvintes estariam crentes que se orgulhavam de teorias humanas, expositores de falsos sistemas de adoração, que tateavam como cegos, esperando encontrar no livro da natureza teorias que pudessem contradizer a realidade da vida espiritual e imortal como revelada nas Escrituras. Sabia também que críticos se esforçariam por controverter a interpretação cristã da Palavra revelada, e que céticos tratariam o evangelho de Cristo com zombaria e escárnio.
Enquanto se esforçava por levar as almas para o pé da cruz, Paulo não se aventurava a repreender diretamente os licenciosos, ou a mostrar quão abominável era o pecado deles aos olhos de um Deus santo. Antes expunha diante deles o verdadeiro objetivo da vida, e procurava imprimir-lhes na mente as lições do divino Mestre, as quais, se recebidas, levantá-los-iam da mundanidade e do pecado, para a pureza e justiça. Frisou especialmente a piedade prática, e a santidade que deviam alcançar os que desejassem ser considerados dignos de um lugar no reino de Deus. Almejava ver a luz do evangelho de Cristo rasgando-lhes as trevas do espírito, para que pudessem ver quão ofensivas eram à vista de Deus suas práticas imorais. Por isto, o peso de seus ensinos entre eles era Cristo, e Este crucificado. Procurava mostrar-lhes que seu mais fervente estudo e sua maior alegria deviam ser a maravilhosa verdade da salvação mediante o arrependimento para com Deus e a fé no Senhor Jesus Cristo.
Os filósofos se desviam da luz da salvação, porque ela expõe à vergonha suas
orgulhosas teorias; os mundanos recusam recebê-la, porque ela haveria de separá-los de seus ídolos terrenos. Paulo viu que o caráter de Cristo precisava ser compreendido antes que os homens pudessem amá-Lo, ou contemplarem a cruz com os olhos da fé. Aqui deve começar o estudo que será a ciência e o cântico dos remidos através de toda a eternidade. Somente à luz do Calvário pode o verdadeiro valor da alma humana ser avaliado.
A enobrecedora influência da graça de Deus muda a disposição natural do homem. O Céu não seria um lugar desejável à mente carnal; seu coração natural, não santificado, não sentiria nenhuma atração para esse puro e santo lugar; e se lhes fosse possível ali entrar, nada encontrariam que lhes fosse afim. As tendências que controlam o coração natural devem ser subjugadas pela graça de Cristo, antes que o homem caído esteja em condições de entrar no Céu, e partilhar da comunhão com os anjos puros e santos. Quando o homem morre para o pecado, e passa a viver nova vida em Cristo, divino amor enche-lhe o coração; seu entendimento é santificado; ele bebe da inesgotável fonte de alegria e conhecimento; e brilha em seu caminho a luz de um eterno dia, pois com ele está continuamente a luz da vida.
Paulo tinha procurado imprimir na mente de seus irmãos coríntios o fato de que ele e os ministros que com ele trabalhavam eram apenas homens comissionados por Deus para ensinar a verdade; que estavam todos empenhados na mesma obra; e que igualmente dependiam de Deus para alcançar sucesso em sua obra. A discussão que se levantara na igreja com respeito ao mérito relativo de diferentes ministros não era do plano divino, mas foi o resultado de acariciarem os atributos do coração natural. “Porque, dizendo um: eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais? Pois quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Pelo que, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento” (1Co 3:4-7).
Foi Paulo quem primeiro havia pregado o evangelho em Corinto, e organizara a igreja ali. Esta era a obra que o Senhor lhe havia designado. Mais tarde, pela direção de Deus, outros obreiros foram admitidos, para ocuparem seu lugar e cargo. A semente semeada devia ser regada, e isto Apolo devia fazer. Ele seguiu a Paulo em sua obra, a fim de dar instruções posteriores e ajudar a semente a se desenvolver. Ele logrou alcançar o coração do povo, mas foi Deus que deu o crescimento. Não é o poder humano, mas o divino, que opera a transformação do caráter. Nem os que plantam nem os que regam, promovem a germinação da semente; trabalham sob a orientação de Deus, como instrumentos por Ele indicados, com Ele cooperando em Sua obra. Ao Obreiro Mestre pertencem a honra e a glória que vêm com sucesso.
Nem todos os servos de Deus possuem os mesmos dons, mas são todos obreiros a Seu serviço. Cada um deve aprender do grande Mestre, e então comunicar o que aprendeu. Deus deu a cada um de Seus mensageiros uma obra individual. Há diversidade de dons, mas todos os obreiros devem fundir-se em harmonia, controlados pela santificadora influência do Espírito Santo. Ao tornarem conhecido o evangelho de salvação, muitos
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White