Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 52
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Leitura bíblica
Atos 15:1-35
Atos 15:1-35
1 Alguns indivíduos que desceram da Judeia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos. 2 Tendo havido, da parte de Paulo e Barnabé, contenda e não pequena discussão com eles, resolveram que esses dois e alguns outros dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e presbíteros, com respeito a esta questão. 3 Enviados, pois, e até certo ponto acompanhados pela igreja, atravessaram as províncias da Fenícia e Samaria e, narrando a conversão dos gentios, causaram grande alegria a todos os irmãos. 4 Tendo eles chegado a Jerusalém, foram bem-recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros e relataram tudo o que Deus fizera com eles. 5 Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés. 6 Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão. 7 Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que, desde há muito, Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem. 8 Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera. 9 E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração. 10 Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós? 11 Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram. 12 E toda a multidão silenciou, passando a ouvir a Barnabé e a Paulo, que contavam quantos sinais e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios. 13 Depois que eles terminaram, falou Tiago, dizendo: Irmãos, atentai nas minhas palavras: 14 expôs Simão como Deus, primeiramente, visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome. 15 Conferem com isto as palavras dos profetas, como está escrito: 16 Cumpridas estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e, levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei. 17 Para que os demais homens busquem o Senhor, e também todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome, 18 diz o Senhor, que faz estas coisas conhecidas desde séculos. 19 Pelo que, julgo eu, não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus, 20 mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue. 21 Porque Moisés tem, em cada cidade, desde tempos antigos, os que o pregam nas sinagogas, onde é lido todos os sábados. 22 Então, pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja, tendo elegido homens dentre eles, enviá-los, juntamente com Paulo e Barnabé, a Antioquia: foram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos, 23 escrevendo, por mão deles: Os irmãos, tanto os apóstolos como os presbíteros, aos irmãos de entre os gentios em Antioquia, Síria e Cilícia, saudações. 24 Visto sabermos que alguns [que saíram] de entre nós, sem nenhuma autorização, vos têm perturbado com palavras, transtornando a vossa alma, 25 pareceu-nos bem, chegados a pleno acordo, eleger alguns homens e enviá-los a vós outros com os nossos amados Barnabé e Paulo, 26 homens que têm exposto a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27 Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais pessoalmente vos dirão também estas coisas. 28 Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais: 29 que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde. 30 Os que foram enviados desceram logo para Antioquia e, tendo reunido a comunidade, entregaram a epístola. 31 Quando a leram, sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido. 32 Judas e Silas, que eram também profetas, consolaram os irmãos com muitos conselhos e os fortaleceram. 33 Tendo-se demorado ali por algum tempo, os irmãos os deixaram voltar em paz aos que os enviaram. 34 [Mas pareceu bem a Silas permanecer ali.] 35 Paulo e Barnabé demoraram-se em Antioquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra do Senhor.
Versão Almeida Revista e Atualizada
Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 102-103
Capítulo 19 — Judeus e Gentios
Havendo chegado à Antioquia da Síria, de onde haviam saído para a sua missão, Paulo e Barnabé aproveitaram logo uma oportunidade para reunir os crentes a fim de contar-lhes “quão grandes coisas Deus fizera por eles, e como abrira aos gentios a porta da fé” (At 14:27). A igreja de Antioquia era grande e próspera. Centro de atividade missionária, era uma das mais importantes dentre os grupos de crentes cristãos. Sua congregação era composta de pessoas de diferentes classes, tanto de judeu como de gentios.
Enquanto os apóstolos se uniam aos ministros e membros leigos em Antioquia, num fervoroso esforço para ganhar almas para Cristo, alguns crentes judeus vindos da judéia, “da seita dos fariseus” (At 15:5), conseguiram introduzir uma questão que em breve levou a vasta desinteligência na igreja, produzindo consternação nos crentes gentílicos. Com grande segurança esses mestres judaizantes afirmavam que, para salvar-se, era preciso ser circuncidado e observar toda a lei cerimonial.
Paulo e Barnabé enfrentaram com prontidão essas falsas doutrinas, e se opuseram à introdução do assunto aos gentios. Por outro lado, muitos crentes judeus de Antioquia favoreciam a posição dos irmãos recentemente vindos da Judéia.
Os conversos judeus não eram geralmente inclinados a mudar tão rapidamente quanto a providência de Deus abria o caminho. Do resultado do trabalho dos apóstolos entre os gentios, ficou evidente que os conversos dentre este último povo excederiam muito aos conversos judeus em número. Os judeus temiam que se as restrições e cerimônias de sua lei não fossem tornadas obrigatórias aos gentios como condição para se tornarem membros da igreja, as peculiaridades nacionais dos judeus, que até então os tinham mantido como um povo distinto de todos os outros povos, desapareceriam finalmente dentre os que recebiam a mensagem do evangelho.
Os judeus se haviam sempre orgulhado de seu cerimonial de instituição divina; e muitos dos que se haviam convertido à fé de Cristo ainda sentiam que uma vez que Deus havia claramente esboçado a forma hebréia de adoração, era pouco provável que Ele tivesse autorizado uma mudança em quaisquer de suas especificações. Insistiam em que as leis e cerimônias judaicas deviam ser incorporadas aos ritos da religião cristã. Eram tardos em discernir que todas as ofertas sacrificais não tinham senão prefigurado a morte do Filho de Deus, em que o tipo encontrou o antítipo, depois do que os ritos e cerimônia da dispensação mosaica não mais deviam perdurar.
Antes de sua conversão, Paulo se havia considerado como irrepreensível “segundo a justiça que há na lei” (Fp 3:6). Mas desde sua mudança de coração, ele havia alcançado uma clara concepção da missão do Salvador como Redentor da raça toda, judeus e
gentios, e aprendera a diferença entre uma fé viva e um formalismo morto. À luz do evangelho, os antigos ritos e cerimônias confiados a Israel haviam ganho uma nova e mais profunda significação. Aquilo que haviam prefigurado tinha-se cumprido, e os que estavam vivendo sob a dispensação evangélica tinham ficado livres de sua observância. A imutável lei de Deus, dos Dez Mandamentos, entretanto, Paulo ainda guardava no espírito bem como na letra. Na igreja de Antioquia, a consideração do assunto da circuncisão deu em resultado muitas discussões e litígio. Afinal, os membros da igreja, temendo que o resultado de continuada discussão fosse uma divisão entre eles, decidiram enviar a Jerusalém Paulo e Barnabé, juntamente com alguns homens de responsabilidade na igreja, a fim de exporem a questão perante os apóstolos e anciãos. Ali deviam eles encontrar-se com delegados de diversas igrejas e com os que tinham ido a Jerusalém para assistir às próximas festas. Enquanto isto, toda a discussão devia cessar até que fosse pronunciada a decisão do concílio geral. Esta decisão devia ser então universalmente aceita pelas várias igrejas em todo o país.
Em caminho para Jerusalém, os apóstolos visitavam os crentes das cidades por onde passavam e encorajavam-nos relatando-lhes sua experiência da obra de Deus e da conversão dos gentios.
Em Jerusalém os delegados de Antioquia se encontraram com os irmãos das várias igrejas, que se haviam congregado para a reunião geral; e a estes relataram os sucessos que seu ministério entre os gentios haviam alcançado. Deram-lhes então um claro esboço da confusão que resultara porque certos fariseus convertidos tinham ido a Antioquia declarando que, para se salvarem, os conversos gentios precisavam ser circuncidados e deviam guardar a lei de Moisés.
Esta questão foi ardorosamente debatida na assembléia. Em íntima relação com o assunto da circuncisão estavam vários outros que demandavam cuidadoso estudo. Um deles era quanto à atitude a ser tomada com respeito a carnes sacrificadas a ídolos. Muitos dos gentios convertidos estavam vivendo entre pessoas ignorantes e supersticiosas, que faziam freqüentes sacrifícios e ofertas a ídolos. Os sacerdotes deste culto pagão mercadejavam extensamente com ofertas a eles trazidas; e os judeus temiam que os gentios conversos pudessem levar descrédito ao cristianismo por comprar aquilo que tinha sido sacrificado aos ídolos, sancionando assim, em certa medida, costumes idólatras.
Além disto, os gentios estavam acostumados a comer a carne de animais estrangulados, aos passo que os judeus tinham sido divinamente instruídos de que, quando animais fossem mortos para alimento, se tomasse particular cuidado para que o sangue fosse derramado do corpo; a não ser assim a carne não poderia ser considerada saudável. Deus havia dado estas injunções aos judeus a fim de preservar-lhes a saúde, Os judeus consideravam pecaminoso usar sangue como artigo alimentar. Consideravam que o sangue era a vida, e que o derramamento do sangue era conseqüência do pecado.
Os gentios, ao contrário, costumavam aparar o sangue derramado da vítima sacrifical e usá-lo na preparação de alimento. Os judeus não podiam crer que estivessem obrigados a mudar de costumes que haviam adotado sob a especial direção de Deus. Portanto, como as coisas então se apresentavam, se um judeu e um gentio se assentassem à mesma mesa
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White