Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 51
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 100-101
trabalho dos apóstolos entre os licaônios, tinham determinado ir-lhes no encalço e persegui-los. Chegando a Listra, esses judeus logo alcançaram êxito em inspirar o povo com o mesmo amargo espírito que atuava em suas próprias mentes. Com palavras de mistificação e calúnia, os que recentemente haviam considerado a Paulo e Barnabé como seres divinos, foram convencidos de que na realidade os apóstolos eram piores que assassinos, e dignos de morte.
O desapontamento sofrido pelos listrianos por lhes ter sido recusado o privilégio de oferecer sacrifícios aos apóstolos, preparou-os para se voltarem contra Paulo e Barnabé com um entusiasmo aproximado ao com que os tinham honrado como deuses. Incitados pelos judeus, planejaram atacar os apóstolos pela força. Os judeus admoestaram-nos a que não dessem a Paulo a oportunidade de falar, alegando que se lhe fosse permitido este privilégio, ele poderia enfeitiçar o povo.
Logo os desígnios homicidas dos inimigos do evangelho foram executados. Rendendo-se à influência do mal, os listrianos tornaram-se possuídos de satânica fúria, e apoderando-se de Paulo o apedrejaram sem misericórdia.
O apóstolo imaginou que havia chegado o seu fim. O martírio de Estêvão, e a parte cruel que ele desempenhara na ocasião, lhe vieram vividamente ao espírito. Coberto de feridas e desfalecido de dor, ele caiu no chão, e a turba enfurecida o arrastou “para fora da cidade, cuidando que estava morto” (At 14:19).
Nesta hora escura e de prova, o grupo de crentes de Listra, convertidos por Paulo e Barnabé à fé de Jesus, permaneceu firme e leal. A oposição absurda e a cruel perseguição por parte de seus inimigos serviram apenas para confirmar a fé desses devotados irmãos; e agora, em face do perigo e escárnio, mostraram sua lealdade reunindo-se com tristeza ao redor daquele que supunham estar morto.
Qual não foi sua surpresa, quando, em meio a seus lamentos, o apóstolo subitamente levantou a cabeça e se ergueu, com o louvor de Deus nos lábios. Para os crentes, esta inesperada restauração do servo de Deus era considerada como milagre do poder divino, e parecia ser o selo do Céu sobre sua mudança de crença. Rejubilaram-se com inexprimível alegria, e louvaram a Deus com renovada fé.
Entre os que se haviam convertido em Listra, e que eram testemunhas oculares dos sofrimentos de Paulo, se achava alguém que se havia de tornar mais tarde preeminente obreiro de Cristo, e devia partilhar com o apóstolo as provas e alegrias do serviço pioneiro em campos difíceis. Era um jovem chamado Timóteo. Quando Paulo foi arrastado para fora da cidade, esse jovem discípulo estava entre os que se puseram ao lado de seu corpo aparentemente sem vida, e que o viram erguer-se ferido e coberto de sangue, mas com louvores nos lábios por lhe haver sido permitido sofrer por amor de Cristo.
No dia seguinte ao apedrejamento de Paulo, os apóstolos partiram para Derbe, onde seu trabalho foi abençoado e muitas almas foram levadas a aceitar a Cristo como o Salvador. Mas “tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos”, nem Paulo nem Barnabé estavam dispostos a iniciar trabalho em outra parte sem confirmar a fé dos conversos que eram forçados a deixar sozinhos por algum tempo, nos lugares onde tinham recentemente trabalhado. E assim, destemerosos perante os perigos,
“voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé” (At 14:21, 22). Muitos haviam aceito as alegres novas do evangelho e expuseram-se ao opróbrio e oposição. A esses procurou o apóstolo firmar na fé, para que a obra pudesse subsistir.
Como importante fator no crescimento espiritual dos novos conversos, os apóstolos tiveram o cuidado de cercá-los com a salvaguarda da ordem evangélica. As igrejas eram devidamente organizadas em todos os lugares da Licaônia e da Pisídia onde houvesse crentes. Eram indicados oficiais para cada igreja, e ordem e sistema próprios eram estabelecidos para que se conduzissem todas as atividades pertinentes ao bem-estar espiritual dos crentes.
Isto estava em harmonia com o plano evangélico de unir num só corpo todos os crentes em Cristo, e esse plano devia Paulo seguir cuidadosamente através de seu ministério. Aqueles que, em qualquer lugar, eram por seus labores levados a aceitar a Cristo como o Salvador, eram, a seu devido tempo, organizados em igreja. Ainda quando os crentes eram poucos era isto feito. Os cristãos eram desta maneira ensinados a se ajudarem mutuamente, recordando a promessa: “Onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles” (Mt 18:20).
E Paulo não esquecia as igrejas assim estabelecidas. O cuidado dessas igrejas ficava em sua mente como uma preocupação sempre maior. Não importava quão pequeno fosse um grupo, era não obstante objeto de sua constante solicitude. Ele cuidava ternamente das pequenas igrejas, sentindo que elas estavam em necessidade de especial cuidado, para que os membros pudessem ser inteiramente firmados na verdade e ensinados a fazer esforços fervorosos e altruístas pelos que lhes estavam ao redor.
Em todos os seus esforços missionários, Paulo e Barnabé procuravam seguir o exemplo de Cristo, com sacrifício voluntário e trabalho fiel e ardoroso em prol das almas. Despertos, zelosos e incansáveis, não consultavam as inclinações ou a comodidade pessoal, mas com uma ansiedade acompanhada de orações, e atividade incessante, semeavam a semente da verdade. E, com o semear da semente, os apóstolos tinham muito cuidado em proporcionar a todos os que tomavam posição ao lado do evangelho, instruções práticas de indizível valia. Este espírito de fervor e de temor piedoso produziu nos novos discípulos uma impressão duradoura com relação à importância da mensagem do evangelho.
Quando homens promissores e hábeis se convertiam, como no caso de Timóteo, Paulo e Barnabé procuravam zelosamente mostrar-lhes a necessidade de trabalhar na vinha. E, quando os apóstolos partiam para outro lugar, a fé daqueles homens não vacilava, antes aumentava. Haviam sido fielmente instruídos no caminho do Senhor, e se lhes ensinara como trabalhar abnegadamente, fervorosamente, perseverantemente pela salvação de seus semelhantes. Esta cuidadosa instrução aos novos conversos era um importante fator no êxito notável que acompanhava Paulo e Barnabé, pregando eles o evangelho nas terras gentílicas.
A primeira viagem missionária estava rapidamente chegando ao fim. Encomendando ao Senhor as igrejas recém-organizadas, os apóstolos foram para Panfília, “e, tendo anunciado a Palavra em Perge, desceram a Atália e dali navegaram para Antioquia”.
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White