Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 48
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 94-96
dormiu, e foi posto junto de seus pais e viu a corrupção. Mas aquele a quem Deus ressuscitou nenhuma corrupção viu” (At 13:32-37).
E agora, tendo falado claramente do cumprimento de profecias familiares concernentes ao Messias, Paulo pregou-lhes o arrependimento e a remissão dos pecados mediante os méritos de Jesus, Salvador deles. “Seja-vos pois notório, varões irmãos”, disse ele, “que por Este se vos anuncia a remissão dos pecados. E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por Ele é justificado todo aquele que crê” (At 13:38-39).
O Espírito de Deus acompanhou as palavras faladas e os corações foram tocados. O apelo dos apóstolos às profecias do Antigo Testamento, e sua declaração de que elas haviam sido cumpridas no ministério de Jesus de Nazaré, levaram a convicção a muitas almas que suspiravam pelo advento do Messias prometido. As palavras de afirmação dos apóstolos, de que “as boas-novas” (Is 52:7) de salvação eram para judeus e gentios igualmente, trouxeram esperança e alegria a todos os que não haviam sido contados entre os filhos de Abraão segundo a carne.
“E, saídos os judeus da sinagoga, os gentios rogaram que no sábado seguinte lhes fossem ditas as mesmas coisas.” Tendo finalmente a congregação se dispersado, “muitos dos judeus e dos prosélitos religiosos”, que tinham aceitado as boas-novas que lhes foram apresentadas naquele dia, “seguiram a Paulo e Barnabé, os quais, falando-lhes, os exortavam a que permanecessem na graça de Deus” (At 13:42, 43).
O interesse despertado em Antioquia da Pisídia pelo discurso de Paulo, reuniu no “sábado seguinte... quase toda a cidade a ouvir a Palavra de Deus. Então os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja; e, blasfemando, contradiziam o que Paulo dizia.
“Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: Era necessário que a vós se vos pregasse primeiro a Palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e vos não julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios; porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, para que sejas de salvação até aos confins da Terra.”
“E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a Palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.” Eles se rejubilaram grandemente de Jesus os reconhecer como filhos de Deus, e com coração grato atentavam à palavra pregada. Os que creram foram zelosos em comunicar a mensagem evangélica a outros, e assim “a Palavra do Senhor se divulgava por toda aquela província” (At 13:44-49).
Séculos antes, a pena da inspiração tinha traçado esta colheita de gentios; mas aquelas previsões proféticas tinham sido apenas obscuramente entendidas. Oséias havia dito: “Todavia o número dos filhos de Israel será como a areia do mar, que não pode medir-se nem contar-se; e acontecerá que no lugar onde se lhes dizia: Vós não sois Meu povo, se lhes dirá: Vós sois filhos do Deus vivo” (Os 1:10). E outra vez: “E semeá-la-ei para Mim na terra, e compadecer-Me-ei de Lo-Ruama; e a Lo-Ami direi: Tu és Meu povo; e ele dirá: Tu és o meu Deus!” (Os 2:23). O próprio Salvador, durante o Seu ministério terrestre, predisse a disseminação do evangelho entre os gentios. Na parábola da vinha Ele declarou aos impenitentes judeus: “O reino de Deus vos será tirado, e será
dado a uma nação que dê os seus frutos” (Mt 21:43). E depois de Sua ressurreição Ele comissionou os discípulos para irem “por todo o mundo” (Mt 28:19), a ensinar “todas as nações”. Não deviam deixar de advertir a ninguém, mas deviam pregar “o evangelho a toda a criatura” (Mc 16:15).
Voltando-se para os gentios em Antioquia da Pisídia, Paulo e Barnabé não deixaram de trabalhar pelos judeus de outras partes, onde quer que a oportunidade lhes deparasse ouvintes. Posteriormente, em Tessalônica, em Corinto, em Éfeso e em outros importantes centros, Paulo e seus companheiros de trabalho pregaram o evangelho tanto a judeus como a gentios. Mas suas maiores energias eram daí por diante dirigidas no sentido de estabelecer o reino de Deus em território gentílico, entre povos que tinham pouco ou nenhum conhecimento do verdadeiro Deus e de Seu Filho.
O coração de Paulo e seus associados no trabalho estava aberto em benefício dos que estavam “sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” (Ef 2:12). Mediante a incansável ministração dos apóstolos aos gentios, os “estrangeiros e forasteiros”, os “que antes estáveis longe”, aprenderam que “pelo sangue de Cristo”, chegaram perto, e que pela fé em Seu sacrifício expiatório, podiam tornar-se “concidadãos dos santos, e da família de Deus” (Ef 2:13, 19).
Avançando pela fé, Paulo trabalhou sem cessar pela edificação do reino de Deus entre os que tinham sido negligenciados pelos mestres de Israel. Exaltava constantemente a Cristo Jesus como o “Rei dos reis, e Senhor dos senhores” (1Tm 6:15), e exortava os crentes a permanecerem “arraigados e sobreedificados nEle, e confirmados na fé” (Cl 2:7).
Para os que crêem, Cristo é o firme Fundamento. Sobre esta Pedra viva podem edificar igualmente judeus e gentios. Ela é suficientemente grande para todos, e forte bastante para sustentar o peso e o fardo de todo o mundo. Este é um fato plenamente reconhecido pelo próprio Paulo.
Nos dias finais de seu ministério, quando, dirigindo-se a um grupo de crentes gentios que tinham permanecido firmes em seu amor pela verdade do evangelho, o apóstolo escreve: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal Pedra da esquina” (Ef 2:20).
Como a mensagem do evangelho se espalhasse na Pisídia, judeus incrédulos de Antioquia, em seu cego preconceito, “incitaram algumas mulheres religiosas e honestas, e os principais da cidade, e levantaram perseguição contra Paulo e Barnabé, e os lançaram” (At 13:50) fora daquele distrito.
Os apóstolos não ficaram desencorajados por este tratamento; lembraram-se das palavras de seu Mestre: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo o mal contra vós por Minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos Céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mt 5:11, 12).
A mensagem do evangelho estava avançando, e os apóstolos tinham todo o motivo de sentir-se encorajados. Suas atividades entre os de Antioquia da Pisídia, tinham sido
ricamente abençoadas, e os crentes a quem tinham deixado a conduzir a obra sozinhos por algum tempo, “estavam cheios de alegria e do Espírito Santo” (At 13:52).
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White