Cristo A Igreja

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Leitura do livro

Atos dos Apóstolos, páginas 81-82

oficiais vieram buscar a Pedro, os soldados estavam ainda guardando a porta da prisão, os ferrolhos e barras ainda intatos, as cadeias presas aos pulsos dos dois soldados mas o prisioneiro havia escapado.

Quando foi trazida a Herodes a notícia de que Pedro escapara, ele ficou exasperado e enraivecido. Acusando a guarda da prisão de infidelidade, ordenou que fossem mortos. Herodes sabia que poder humano algum havia livrado a Pedro, mas estava decidido a não reconhecer que um poder divino lhe frustrara o desígnio, e pôs-se em ousado desafio a Deus.

Não muito tempo depois do livramento de Pedro da prisão, Herodes foi a Cesaréia. Enquanto ali se achava fez uma grande festa, destinada a provocar admiração e ganhar aplausos do povo. Compareceram à festa os amantes do prazer de todas as regiões, e houve muita glutonaria e bebedice. Com grande pompa e cerimônia Herodes apareceu diante do povo e se lhes dirigiu em eloqüente discurso. Vestido em roupas cintilantes de prata e ouro, em que os raios do Sol refletindo em suas luminosas dobras deslumbravam os olhos dos que o contemplavam, constituía ele uma figura magnífica. A majestade de sua aparência e a força de sua linguagem bem escolhida dominavam a assembléia com grande poder. Estando já seus sentidos pervertidos pelo beber e banquetear-se, ficaram deslumbrados pela ornamentação de Herodes, e encantados pelo seu porte e oratória; e, desenfreados pelo entusiasmo, cumulavam-no de lisonja, declarando que nenhum mortal poderia apresentar igual aparência, ou possuir eloqüência tão surpreendente. Declararam mais que, conquanto o houvessem sempre respeitado como governador, dali em diante o adorariam como a um deus.

Alguns daqueles cujas vozes agora eram ouvidas a glorificar um vil pecador, fazia poucos anos haviam levantado o grito frenético: Fora com Jesus! Crucifica-O, crucifica-O! Os judeus tinham-se recusado a receber a Cristo, cujas vestes, toscas e muitas vezes sujas pelas viagens, cobriam um coração de amor divino. Seus olhos não podiam discernir, sob o humilde exterior, o Senhor da vida e da glória, embora o poder de Cristo fosse revelado diante deles em obras que nenhum mero homem poderia fazer. Estavam, porém, prontos a adorar como a um deus, o altivo rei, cujas esplêndidas vestes de prata e ouro cobriam um coração corrupto e cruel.

Herodes sabia que não merecia nenhum dos louvores e homenagens que lhe eram tributados, todavia aceitou a idolatria do povo como se lhes fosse devida. Seu coração saltou de triunfo e um lampejo de orgulho satisfeito espalhou-se-lhe pelo rosto ao ouvir a aclamação: “Voz de deus, e não de homem” (At 12:22).

Subitamente, porém, sobreveio-lhe uma terrível mudança. Seu rosto se tornou pálido como a morte e contorcido pela agonia. Grandes gotas de suor lhe brotaram dos poros. Ficou por um momento como que traspassado de dor e terror; então, volvendo a face branqueada e lívida para seus amigos tomados de horror, exclamou em tom rouco e desesperado: Aquele que exaltastes como um deus, é ferido de morte!

Sofrendo a mais cruciante angústia, foi retirado daquela cena de orgia e ostentação. Um momento antes ele tinha sido o alvo orgulhoso do louvor e adoração daquela vasta multidão; agora se compenetra de que se acha nas mãos de um Governador mais

poderoso do que ele próprio. Remorsos o apanham: lembra-se de sua implacável perseguição aos seguidores de Cristo; lembra-se de sua ordem cruel para matar o inocente Tiago, e seu intento de tirar a vida ao apóstolo Pedro; recorda-se de como em seu desgosto e decepcionada raiva tirara uma injusta desforra dos guardas da prisão. Sentia que agora Deus estava a tratar com ele, o implacável perseguidor. Não encontrava alívio para a dor do corpo nem para a angústia do espírito, e nem esperava encontrar.

Herodes conhecia a lei de Deus, que diz: “Não terás outros deuses diante de Mim” (Êx 20:3); e sabia que, aceitando a adoração do povo, enchera a medida de sua iniqüidade e acarretara sobre si a justa ira de Jeová.

O mesmo anjo que viera dos palácios reais para libertar a Pedro, fora o mensageiro da ira e juízo a Herodes. O anjo tocou em Pedro para o despertar do sono; foi com um contato diferente que ele feriu o ímpio rei, derribando seu orgulho e trazendo sobre ele o castigo do Todo-poderoso. Herodes morreu em grande angústia de espírito e corpo, sob o juízo retributivo de Deus.

Esta demonstração de justiça divina teve uma influência poderosa sobre o povo. As novas de que o apóstolo de Cristo fora miraculosamente liberto da prisão e da morte, enquanto seu perseguidor fora atingido pela maldição de Deus, foram levadas a todos os países, e vieram a ser o meio para se levarem muitos a crer em Cristo.

A experiência de Filipe, incumbido por um anjo do Céu de ir ao lugar onde encontrou alguém que procurava a verdade; a experiência de Cornélio, visitado por um anjo com a mensagem de Deus; de Pedro na prisão e condenado à morte conduzido por um anjo à liberdade - tudo mostra a intimidade da ligação entre o Céu e a Terra.

Para o obreiro de Deus, o relato destas visitas de anjos deve trazer força e coragem. Hoje, tão verdadeiramente como nos dias dos apóstolos, mensageiros celestiais estão a passar por todo o comprimento e largura da Terra, procurando consolar os tristes, proteger os impenitentes, ganhar o coração dos homens para Cristo. Não os podemos ver pessoalmente; não obstante estão conosco, guiando-nos, dirigindo-nos, protegendo-nos.

O Céu se aproxima da Terra por meio daquela escada espiritual cuja base está firmemente plantada na Terra, enquanto seu último degrau atinge o trono do Ser infinito. Anjos estão constantemente subindo e descendo por esta escada de fulgurante brilho, levando as orações dos necessitados e angustiados ao Pai, no alto, e trazendo bênção e esperança, coragem e auxílio aos filhos dos homens. Esses anjos de luz criam uma atmosfera celestial em redor da alma, erguendo-nos para o invisível e eterno. Não lhes podemos contemplar as formas com nossa vista natural; somente pela visão espiritual podemos distinguir os seres celestiais. Somente o ouvido espiritual pode ouvir a harmonia de vozes celestiais.

“O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que O temem e os livra” (Sl 34:7). Deus encarrega Seus anjos de salvar Seus escolhidos da calamidade, de guardá-los da “peste que anda na escuridão”, e da “mortandade que assola ao meio-dia” (Sl 91:6). Repetidas vezes têm anjos falado com homens, do mesmo modo como um homem fala com seu amigo, e os têm levado para lugares livres de perigo. Uma e outra vez têm as encorajadoras palavras dos anjos renovado o ânimo prostrado dos fiéis, desviando-lhes o

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

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