Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 40
Este plano não foi iniciado. Marque a leitura como lida para iniciá-lo hoje.
Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 79-80
que, sem o auxílio especial de Deus, a igreja de Cristo seria destruída.
Entrementes, adoradores de todas as nações procuravam o templo que havia sido dedicado à adoração de Deus. Resplandecendo em ouro e pedras preciosas, ostentava um aspecto de magnificência e encanto. Mas Jeová não seria mais achado nesse palácio de beleza. Israel, como nação, tinha-se divorciado de Deus. Quando Cristo, perto do fim de Seu ministério terrestre, olhou pela última vez para o interior do templo, disse: “Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta” (Mt 23:38). Até então Ele tinha considerado o templo como a casa de Seu Pai, mas ao deixar o Filho de Deus o interior dessas paredes, a presença de Deus abandonou para sempre o templo construído para Sua glória.
O dia para a execução de Pedro foi finalmente marcado, mas ainda as orações dos crentes ascendiam ao Céu; e, enquanto todas as suas energias e simpatias eram suscitadas em fervorosos pedidos de auxílio, anjos de Deus estavam a vigiar o apóstolo prisioneiro.
Lembrando-se do anterior libertamento dos apóstolos da prisão, Herodes tomara desta vez precauções dobradas. Para evitar toda a possibilidade de escape, Pedro tinha sido posto sob o cuidado de dezesseis soldados, que, em diferentes vigílias, o guardavam dia e noite. Em sua cela, fora colocado entre dois soldados, ligado por duas correntes, cada uma presa ao pulso de um dos soldados. Não podia mover-se sem o conhecimento deles. Com as portas da prisão firmemente seguras e uma forte guarda diante delas, toda a possibilidade de livramento ou escape por meios humanos estava excluída. Mas os extremos do homem são a oportunidade de Deus.
Pedro estava encerrado em uma cela cavada na rocha, cujas portas tinham fortes ferrolhos e barras; e os soldados em guarda ficaram responsabilizados pela custódia do prisioneiro. Mas os ferrolhos e barras, e a guarda romana, que eficazmente removiam toda a possibilidade de auxílio humano, não deveriam senão tornar mais completa a vitória de Deus no livramento de Pedro. Herodes estava a levantar a sua mão contra o Onipotente, e deveria ser totalmente derrotado. Aplicando o Seu poder, Deus estava prestes a salvar a vida preciosa cuja destruição estavam os judeus tramando.
Era a última noite antes da tencionada execução. É enviado do Céu um poderoso anjo para libertar Pedro. As vigorosas portas que encerravam o santo de Deus abrem-se sem auxílio de mãos humanas. O anjo do Altíssimo por elas penetra, fechando-se as portas sem ruído por trás dele. Ele entra na cela, e ali está Pedro, dormindo tranqüilamente o sono de uma perfeita confiança.
A luz que circunda o anjo enche a cela, mas não desperta o apóstolo. Só quando ele sente o toque da mão do anjo e ouve uma voz dizendo: “Levanta-te depressa”, (At 12:7)
acorda o suficiente para ver a cela iluminada pela celeste luz, e um anjo de grande glória, em pé diante dele. Automaticamente obedece à ordem que lhe é dada e, como ao se levantar erguesse as mãos, torna-se meio consciente de que as cadeias lhe caíram dos pulsos.
De novo lhe ordena a voz do mensageiro celestial: “Cinge-te, e ata as tuas alparcas” (At 12:8), e de novo Pedro automaticamente obedece, conservando o admirado olhar voltado para o visitante, e crendo estar sonhando ou em visão. Mais uma vez o anjo ordena: “Lança às costas a tua capa, e segue-me.” Ele se move em direção à porta,
seguido por Pedro, usualmente loquaz, agora mudo de espanto. Passam pela guarda e chegam à porta, pesadamente aferrolhada, que por si mesma se abre, e imediatamente se fecha de novo, enquanto os guardas dentro e fora estão imóveis em seu posto.
Alcançam a segunda porta, também guardada por dentro e por fora. Abre-se, como o fez a primeira, sem ranger de dobradiças ou ruído dos fechos de ferro. Passam por ela e novamente se fecha também sem ruído. De modo idêntico passam pela terceira porta, e acham-se em plena rua. Não se troca uma palavra; não há ruído de passos. O anjo se move suavemente diante de Pedro, cercado de uma luz de deslumbrante brilho, e Pedro, desorientado, e julgando-se ainda em sonho, segue o seu libertador. Assim eles percorrem uma rua, e então, estando cumprida a missão do anjo, desaparece ele subitamente.
Dissipou-se a luz celestial, e a Pedro pareceu achar-se em profundas trevas; mas, acostumando-se-lhe os olhos, pareceram elas diminuir gradualmente, e ele se encontrou só na rua silenciosa, com o ar fresco da noite a soprar-lhe no rosto. Compreendeu então que estava livre, em uma parte da cidade que lhe era familiar; reconheceu o lugar como sendo um que freqüentara muitas vezes, e por onde esperara passar no dia seguinte pela última vez.
Procurou rememorar os fatos dos últimos poucos momentos. Lembrou-se de ter adormecido, ligado entre dois soldados, com as sandálias e vestes exteriores removidas. Examinou sua pessoa e achou-se completamente vestido e cingido. Seus pulsos, inchados pela pressão dos ferros cruéis, estavam livres das algemas. Compenetrou-se de que sua liberdade não era engano, sonho ou visão, mas bendita realidade. No dia seguinte deveria ser levado para morrer; mas, eis, um anjo o livrara da prisão e da morte. “E Pedro, tornando a si, disse: Agora sei verdadeiramente que o Senhor enviou o Seu anjo, e me livrou da mão de Herodes, e de tudo que o povo dos judeus esperava” (At 12:11).
O apóstolo se encaminhou de pronto à casa onde seus irmãos estavam reunidos, e onde naquele momento se encontravam em oração fervorosa por ele. “E batendo Pedro à porta do pátio, uma menina chamada Rode saiu a escutar; e, conhecendo a voz de Pedro, de gozo não abriu a porta, mas, correndo para dentro, anunciou que Pedro estava à porta. E disseram-lhe: Estás fora de ti. Mas ela afirmava que assim era. E diziam: É o seu anjo” (At 12:13-15).
“Mas Pedro perseverava em bater, e, quando abriram, viram-no e se espantaram. E, acenando-lhes ele com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirara da prisão.” E Pedro, “saindo, partiu para outro lugar” (At 12:16, 17). Alegria e louvor encheram o coração dos crentes porque Deus ouvira e atendera as suas orações, e libertara Pedro das mãos de Herodes.
Pela manhã uma grande multidão se reuniu para presenciar a execução do apóstolo. Herodes enviou oficiais à prisão para buscarem a Pedro, que devia ser trazido com grande aparato de guardas e armas, não apenas para se evitar possível fuga, como também para intimidar os simpatizantes e mostrar o poder do rei.
Quando os guardas diante da porta verificaram que Pedro tinha escapado, foram possuídos de terror. Tinha sido expressamente declarado que a vida deles responderia pela do prisioneiro; e por isso haviam eles estado especialmente vigilantes. Quando os
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White