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Leitura do livro

Atos dos Apóstolos, páginas 70-71

Este chamado lhe veio, “não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai” (Gl 1:1). A magnitude da obra que estava a sua frente levou-o a dedicar muito estudo às Escrituras Sagradas, a fim de que pudesse pregar o evangelho, “não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã”, “mas em demonstração de Espírito e de poder”, para que a fé de todos os que ouvissem “não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (1Co 1:17; 2:4, 5).

Ao examinar as Escrituras, Paulo aprendeu que através dos séculos “não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante Ele” (1Co 1:26-29). E assim, considerando a sabedoria do mundo à luz que promana da cruz, Paulo se propôs nada “saber... se não a Jesus Cristo, e Este crucificado” (1Co 2:2).

Através de todo o seu ministério posterior, Paulo jamais perdeu de vista a Fonte de sua sabedoria e força. Ouviu-o declarar anos mais tarde: “Porque para mim o viver é Cristo” (Fp 1:21). E de novo: “Tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas... para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nEle, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé; para conhecê-Lo, e à virtude da Sua ressurreição, e à comunicação de Suas aflições” (Fp 3:8-10).

Da Arábia, Paulo voltou outra vez a Damasco (Gl 1:17), e “falava ousadamente... no nome de Jesus”. Incapazes de resistir à sabedoria de seus argumentos, “os judeus tomaram conselho entre si para o matar”. As portas da cidade eram guardadas diligentemente, de dia e de noite, para impedir que ele escapasse. Esta situação crítica levou os discípulos a buscar a Deus com fervor; e, finalmente, “tomando-o de noite, os discípulos o desceram, dentro de um cesto, pelo muro” (At 9:25).

Depois de escapar de Damasco, Paulo foi a Jerusalém, tendo já passado três anos de sua conversão. Seu principal objetivo ao fazer esta visita, como ele próprio mais tarde declarou, era “ver a Pedro” (Gl 1:18). Tendo chegado à cidade onde outrora fora bem conhecido como “Saulo, o perseguidor”, “procurava ele juntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo”. Era-lhes difícil crer que tão fanático fariseu, e um dos que tanto fizeram para destruir a igreja, se pudesse transformar num sincero seguidor de Jesus. “Então Barnabé, tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos, e lhes contou como no caminho ele vira ao Senhor e lhe falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus.”

Ouvindo isso, os discípulos o receberam como um de seu número. Logo tiveram provas abundantes da genuinidade de sua experiência cristã. O futuro apóstolo dos gentios agora se achava na cidade em que viviam muitos de seus anteriores companheiros; e a estes chefes judeus almejava ele explicar as profecias relativas ao Messias, as quais se cumpriam no advento do Salvador. Paulo estava certo de que esses mestres em Israel, com os quais estivera tão bem familiarizado, eram tão sinceros e

honestos como ele o fora. Mas apreciara erradamente o espírito de seus irmãos judeus, e na esperança de sua rápida conversão estava condenado a amargo desapontamento. Ainda que falasse “ousadamente no nome de Jesus”, e disputasse “também contra os gregos”, aqueles que estavam à testa da igreja judaica se recusaram a crer, antes “procuravam matá-lo”. A tristeza encheu-lhe o coração. De boa vontade teria ele dado a vida se, por este meio, pudesse trazer alguns ao conhecimento da verdade. Com vergonha pensava na parte ativa que tomara no martírio de Estêvão; e agora, em sua ansiedade por apagar a mancha que repousava sobre aquele que fora tão falsamente acusado, procurava reivindicar a verdade pela qual Estêvão dera a vida.

Sentindo a responsabilidade em relação aos que se recusavam a crer, estava Paulo a orar no templo, como ele próprio testificou mais tarde, quando caiu em êxtase. Nisso aparece diante dele um mensageiro celestial e diz:

“Dá-te pressa, e sai apressadamente de Jerusalém; porque não receberão o teu testemunho acerca de Mim” (At 22:18).

Paulo se inclinava a permanecer em Jerusalém, onde poderia fazer frente à oposição. Parecia-lhe um ato de covardia fugir, se, permanecendo, pudesse convencer alguns dos obstinados judeus quanto à verdade da mensagem evangélica, mesmo que o permanecer lhe custasse a vida. E assim respondeu: “Senhor, eles bem sabem que eu lançava na prisão e açoitava nas sinagogas os que criam em Ti. E quando o sangue de Estêvão, Tua testemunha, se derramava, também eu estava presente, e consentia na sua morte, e guardava os vestidos dos que o matavam.” Mas não estava de acordo com os propósitos de Deus que Seu servo desnecessariamente expusesse a vida; e o mensageiro celestial respondeu: “Vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe” (At 22:19-21).

Ao saberem desta visão, os irmãos apressaram-se em efetuar ocultamente a saída de Paulo de Jerusalém, receosos de que fosse assassinado. Os irmãos “o acompanharam até Cesaréia, e o enviaram a Tarso” (At 9:30). A partida de Paulo suspendeu por algum tempo a oposição violenta dos judeus, e a igreja teve um período de descanso, no qual muitos foram acrescentados ao número dos crentes.

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

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