Cristo A Igreja

Plano Encontro 2 Dia 258

Dia 258 ▾
Aa
Tamanho Fonte Tema

Leitura do livro

O Grande Conflito, páginas 307-310

paisagem; os homens voltavam de seus labores nos campos; o carpinteiro deixava as suas ferramentas, o ferreiro a forja, o negociante o balcão. As aulas eram suspensas, e as crianças, tremendo, fugiam para casa. Os viajantes acolhiam-se à fazenda mais próxima. ‘O que será?’ inquiriam todos os lábios e corações. Dir-se-ia que um furacão estivesse prestes a precipitar-se sobre o país, ou fosse o dia da consumação de todas as coisas.

“Acenderam-se velas, e o fogo na lareira brilhava tanto como em noite de outono sem luar. ... As aves retiravam-se para os poleiros e iam dormir; o gado ajuntava-se no estábulo e berrava; as rãs coaxavam; os pássaros entoavam seus gorjeios vespertinos; e os morcegos voavam em derredor. Mas os seres humanos sabiam que não era vinda a noite. ...

“O Dr. Natanael Whittaker, pastor da igreja do Tabernáculo, em Salém, dirigia cerimônias religiosas na casa de culto e pregava um sermão no qual sustentou que as trevas eram sobrenaturais. Reuniram-se congregações em muitos outros lugares. Os textos para esses sermões extemporâneos eram invariavelmente os que pareciam indicar as trevas de acordo com a profecia bíblica. ... As trevas foram densíssimas logo depois das onze horas.” — The Essex Antiquarian, Salém, Mass., abril de 1899. “Na maioria dos lugares do país foram tão grandes durante o dia, que as pessoas não podiam dizer a hora, quer pelo relógio de bolso quer pelo de parede, nem jantar, nem efetuar suas obrigações domésticas, sem a luz de velas. ...

“A extensão dessas trevas foi extraordinária. Observaram-se na parte oriental até Falmouth. Para o oeste, atingiram a parte mais remota de Connecticut e Albany. Para o sul foram observadas ao longo das costas, e ao norte até onde se estende a colonização americana.” — História do Início, Progressos e Estabelecimento da Independência dos Estados Unidos, Dr. William Gordon.

Seguiu-se às intensas trevas daquele dia, uma ou duas horas, antes da noite, um céu parcialmente claro, e apareceu o Sol, posto que ainda obscurecido por negro e pesado nevoeiro. “Depois do pôr-do-sol, as nuvens novamente subiram, e

escureceu muito rapidamente.” “Tampouco foram as trevas da noite menos incomuns e aterrorizadoras do que as do dia; não obstante haver quase lua cheia, nenhum objeto se distinguia a não ser com o auxílio de alguma luz artificial, que, quando vista das casas vizinhas ou de outros lugares a certa distância, aparecia através de uma espécie de trevas egípcias, que se afiguravam quase impermeáveis aos raios.” — Massachusetts Spy, ou Oráculo Americano da Liberdade, Thomas. Disse uma testemunha ocular daquela cena: “Não pude senão concluir, naquela ocasião que, se todos os corpos luminosos do Universo tivessem sido envoltos em sombras impenetráveis, ou arrancados da existência, as trevas não teriam sido mais completas.” — Carta pelo Dr. Samuel Tenney, de Exeter, N. H., dezembro de 1785. Posto que às nove horas daquela noite a Lua surgisse cheia, “não produziu o mínimo efeito em relação àquelas sombras sepulcrais.” Depois de meia-noite as trevas se desvaneceram, e a Lua, ao tornar-se visível, tinha a aparência de sangue.

O dia 19 de maio de 1780 figura na História como “o Dia Escuro.” Desde o tempo de Moisés, nenhum período de trevas de igual densidade, extensão e duração, já se registrou. A descrição deste acontecimento, como a dá uma testemunha ocular, não é senão um eco das palavras do Senhor, registradas pelo profeta Joel, dois mil e quinhentos anos antes de seu cumprimento: “O Sol se converterá em trevas, e a Lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.” Joel 2:31.

Cristo ordenara a Seu povo que atendesse aos sinais de seu advento e se regozijasse ao contemplar os indícios de seu vindouro Rei. “Quando estas coisas começarem a acontecer”, disse Ele, “olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima.” Ele indicou a Seus seguidores as árvores a brotarem na primavera, e disse: “Quando já têm rebentado, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão. Assim também vós, quando virdes

acontecer estas coisas, sabei que o reino de Deus está perto.” Lucas 21:28, 30, 31.

Mas como o espírito de humildade e devoção na igreja cedera lugar ao orgulho e formalismo, esfriaram o amor a Cristo e a fé em Sua vinda. Absorto nas coisas mundanas e na busca de prazeres, o povo professo de Deus estava cego às instruções do Salvador relativas aos sinais de Seu aparecimento. A doutrina do segundo advento tinha sido negligenciada; os textos que a ela se referem foram obscurecidos por interpretações errôneas, a ponto de ficarem em grande parte esquecidos e ignorados. Especialmente foi este o caso nas igrejas da América do Norte. A liberdade e conforto desfrutados por todas as classes da sociedade; o ambicioso desejo de haveres e luxo, de onde vem o absorvente empenho de adquirir dinheiro; a ansiosa procura de popularidade e poderio, que pareciam estar ao alcance de todos, levavam os homens a centralizar seus interesses e esperanças nas coisas desta vida, afastando ao futuro longínquo o dia solene em que passaria a presente ordem de coisas.

Quando o Salvador indicou a Seus seguidores os sinais de Sua volta, predisse o estado de apostasia que havia de existir precisamente antes de Seu segundo advento. Haveria, como nos dias de Noé, a atividade e a agitação das ocupações mundanas e da procura de prazeres — comprar, vender, plantar, edificar, casar, dar-se em casamento — com olvido de Deus e da vida futura. Para os que viverem nesse tempo, a advertência de Cristo é: “Olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia.” “Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer e de estar em pé diante do Filho do homem.” Lucas 21:34, 36.

A condição da igreja neste tempo é indicada nas palavras do Salvador, em Apocalipse: “Tens nome de que vives, e estás

morto.” E aos que se recusam despertar de seu descuidoso sentimento de segurança, é dirigido este aviso solene: “Se não vigiares, virei a ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.” Apocalipse 3:1, 3.

Era necessário que os homens fossem advertidos do perigo; que se despertassem a fim de preparar-se para os acontecimentos solenes ligados ao final do tempo da graça. Declara o profeta de Deus: “O dia do Senhor é grande e mui terrível e quem o poderá sofrer?” “Quem estará em pé quando aparecer Aquele que é tão puro de olhos que não pode ver o mal, e não pode contemplar a vexação?” Joel 2:11; Habacuque 1:13. Para os que clamam: “Deus meu! nós ... Te conhecemos”, e não obstante têm traspassado Seu concerto, e se apressaram após outro deus (Oséias 8:2, 1; Salmos 16:4), ocultando a iniqüidade no coração e amando os caminhos da injustiça, para esses o dia do Senhor são trevas e não luz, “completa escuridade, sem nenhum resplendor.” Amós 5:20. “E há de ser que naquele tempo”, diz o Senhor, “esquadrinharei a Jerusalém com lanternas e castigarei os homens que estão assentados sobre as suas fezes, que dizem no seu coração: O Senhor não faz bem nem mal.” Sofonias 1:12. “Visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniqüidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos.” Isaías 13:11. “Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar”; “será saqueada a sua fazenda, e assoladas as suas casas.” Sofonias 1:18, 13.

O profeta Jeremias, prevendo esse tempo terrível, exclamou: “Estou ferido no meu coração!” “Não posso calar; porque tu, ó minha alma, ouviste o som da trombeta e o alarido da guerra. Quebranto sobre quebranto se apregoa.” Jeremias 4:19, 20.

“Aquele dia é um dia de indignação, dia de angústia e de ânsia, dia de alvoroço e desolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, dia de trombeta e de alarido.” Sofonias 1:15, 16. “Eis que o dia do Senhor vem,

O Grande Conflito · Ellen G. White

Passagem bíblica

Abrir em sua própria página