Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 256
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Leitura do livro
O Grande Conflito, páginas 298-302
do tempo de Cristo ou os romanistas do tempo de Lutero, contentava-se em crer como creram seus pais, e viver como eles viveram. Portanto, a religião degenerou novamente em formalismo; e erros e superstições que, houvesse a igreja continuado a andar à luz da Palavra de Deus, teriam sido repudiados, foram acalentados e retidos. Destarte, o espírito que fora inspirado pela Reforma, foi gradualmente arrefecendo até haver quase tão grande necessidade de reforma nas igrejas protestantes como na igreja romana ao tempo de Lutero. Havia o mesmo mundanismo e apatia espiritual, idêntica reverência às opiniões de homens, e substituição dos ensinos da Palavra de Deus pelas teorias humanas.
A ampla circulação da Escritura Sagrada nos princípios do século XIX, e a grande luz assim derramada sobre o mundo, não foram seguidas de um correspondente progresso no conhecimento da verdade revelada e na piedade prática. Satanás não pôde, como nos séculos anteriores, privar o povo da Palavra de Deus; esta foi posta ao alcance de todos; com o intuito porém, de ainda cumprir seu objetivo, levou muitos a tê-la em pouca conta. Os homens negligenciavam pesquisar as Escrituras, e assim continuaram a aceitar falsas interpretações e acalentar doutrinas que não tinham fundamento na Bíblia.
Vendo o malogro de seus esforços em aniquilar a verdade pela perseguição, Satanás de novo recorreu ao plano de condescendência, que deu como resultado a grande apostasia e a formação da Igreja de Roma. Induziu os cristãos a se aliarem, não com os pagãos, mas com os que, por seu apego às coisas deste mundo, tinham demonstrado ser tão verdadeiramente idólatras como o eram os adoradores de imagens de escultura. E os resultados desta união não foram menos perniciosos então do que nos séculos anteriores; o orgulho e a extravagância eram incentivados sob o disfarce de religião, e as igrejas se tornaram corruptas. Satanás continuou a perverter as doutrinas da Escritura Sagrada, e tradições que deveriam fazer a ruína de milhões estavam a deitar profundas raízes. A igreja mantinha e defendia essas tradições, em vez de contender pela “fé que uma vez foi dada aos santos.” Assim se degradaram os princípios por que os reformadores tanto haviam realizado e sofrido.
Capítulo 17 — A esperança que infunde alegria
Uma das verdades mais solenes, e não obstante mais gloriosas, reveladas na Escritura Sagrada, é a da segunda vinda de Cristo, para completar a grande obra da redenção. Ao povo de Deus, por tanto tempo a peregrinar em sua jornada na “região e sombra da morte”, é dada uma esperança preciosa e inspiradora de alegria, na promessa do aparecimento dAquele que é “a ressurreição e a vida”, a fim de levar de novo ao lar Seus filhos exilados. A doutrina do segundo advento é, verdadeiramente, a nota tônica das Sagradas Escrituras. Desde o dia em que o primeiro par volveu os entristecidos passos para fora do Éden, os filhos da fé têm esperado a vinda do Prometido, para quebrar o poder do destruidor e de novo levá-los ao Paraíso perdido. Santos homens de outrora aguardavam o advento do Messias em glória, para a consumação de sua esperança. Enoque, apenas o sétimo na descendência dos que habitaram no Éden, e que na Terra durante três séculos andou com Deus, teve permissão para contemplar de muito longe a vinda do Libertador. “Eis que é vindo o Senhor”, declarou ele, “com milhares de Seus santos, para fazer juízo contra todos.” Jud. 14 e 15. O patriarca Jó, na noite de sua aflição, exclamou com inabalável confiança: “Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim Se levantará sobre a Terra: ... ainda em minha carne verei a Deus. Vê-Lo-ei por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros, O verão.” Jó 19:25-27.
A vinda de Cristo, para inaugurar o reino de justiça, tem inspirado as mais sublimes e exaltadas declarações dos escritores sagrados. Os poetas e videntes da Bíblia dela trataram com palavras incendidas de fogo celestial. O salmista cantou do poder e majestade do Rei de Israel: “Desde Sião, a perfeição da formosura, resplandeceu Deus. Virá o nosso Deus, e não Se calará. ... Chamará os céus, do alto, e a Terra, para julgar o Seu povo.” Salmos 50:2-4. “Alegrem-se os céus, e regozije-se a Terra: ... ante a face do Senhor, porque vem, porque vem a julgar a Terra: julgará o mundo com justiça, e os povos com a Sua verdade.” Salmos 96:11-13.
Disse o profeta Isaías: “Despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos.” “Os teus mortos viverão, os teus mortos ressuscitarão.” “Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor Jeová as lágrimas de todos os rostos, e tirará o opróbrio do Seu povo de toda a Terra; porque o Senhor o disse. E, naquele dia se dirá: Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e Ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na Sua salvação gozaremos e nos alegraremos.” Isaías 26:19; 25:8, 9.
E Habacuque, transportado em santa visão, contemplou Seu aparecimento. “Deus veio de Temã e o Santo do monte de Parã. A Sua glória cobriu os céus, e a Terra encheu-se de Seu louvor. E o Seu resplendor era como a luz.” “Parou, e mediu a Terra; olhou, e separou as nações; e os montes perpétuos foram esmiuçados, os outeiros eternos se encurvaram; o andar eterno é Seu.” “Andaste sobre Teus cavalos, e Teus carros de salvação.” “Os montes Te viram, e tremeram: ... deu o abismo a sua voz, levantou as suas mãos ao alto. O Sol e a Lua
pararam nas suas moradas; andaram à luz das Tuas flechas, ao resplendor do relâmpago da Tua lança.” “Tu saíste para salvamento do teu povo, para salvamento do Teu Ungido.” Habacuque 3:3-13.
Quando o Salvador estava prestes a separar-Se de Seus discípulos, confortou-os em sua tristeza com a segurança de que viria outra vez: “Não se turbe o vosso coração. ... Na casa de Meu Pai há muitas moradas. ... Vou preparar-vos lugar. E, se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para Mim mesmo.” João 14:1-3. “E quando o Filho do homem vier em Sua glória, e todos os santos anjos com Ele, então Se assentará no trono de Sua glória. E todas as nações serão reunidas diante dEle.” Mateus 25:31, 32.
Os anjos que por momentos se detiveram no Monte das Oliveiras depois da ascensão de Cristo, repetiram aos discípulos a promessa de Sua volta: “Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no Céu, há de vir assim como para o Céu O vistes ir.” Atos 1:11. E o apóstolo Paulo, falando pelo Espírito de inspiração, testificou: “O mesmo Senhor descerá do Céu com alarido, e com voz de Arcanjo, e com a trombeta de Deus.” 1 Tessalonicenses 4:16. Diz o profeta de Patmos: “Eis que Ele vem com as nuvens, e todo o olho O verá.” Apocalipse 1:7.
Em torno de Sua vinda agrupam-se as glórias daquela “restauração de tudo”, de que “Deus falou pela boca de todos os Seus santos profetas desde o princípio.” Atos 3:21. Quebrar-se-á então o prolongado domínio do mal; “os reinos do mundo” tornar-se-ão “de nosso Senhor e de Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre.” Apocalipse 11:15. “A glória do Senhor se manifestará”, e toda carne juntamente a verá. “O Senhor Jeová fará brotar a justiça e o louvor para todas as nações.” Ele será por “coroa gloriosa, e por grinalda formosa, para os restantes de Seu povo.” Isaías 40:5; 61:11; 28:5.
É então que o pacífico e longamente almejado reino do Messias se estabelecerá sob todo o céu. “O Senhor consolará a Sião; consolará a todos os seus lugares assolados, e fará os seus desertos como o Éden, e a sua solidão como o jardim do Senhor.” “A glória do Líbano se lhe deu, a excelência do Carmelo e Sarom.” “Nunca mais te chamarão: Desamparada, nem à tua terra se denominará jamais: Assolada; mas chamar-te-ão: Meu deleite; e à tua terra: Beulá.” “Como o noivo se alegra da noiva, assim Se alegrará de ti o teu Deus.” Isaías 51:3; 35:2; 62:4, 5.
A vinda do Senhor tem sido em todos os séculos a esperança de Seus verdadeiros seguidores. A última promessa do Salvador no Monte das Oliveiras, de que Ele viria outra vez, iluminou o futuro a Seus discípulos, encheu-lhes o coração de alegria e esperança que as tristezas não poderiam apagar nem as provações empanar. Em meio de sofrimento e perseguição, “o aparecimento do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo” foi a “bem-aventurada esperança.” Quando os cristãos tessalonicenses estavam cheios de pesar ao sepultarem os seus queridos, que haviam esperado viver para testemunharem a vinda de Jesus, Paulo, seu instrutor, apontou-lhes a ressurreição a ocorrer por ocasião do advento do Salvador. Então os mortos em Cristo ressurgiriam, e juntamente com os vivos seriam arrebatados para encontrar o Senhor nos ares. “E assim”, disse ele, “estaremos sempre com o Senhor. Portanto consolai-vos uns aos outros com estas palavras.” 1 Tessalonicenses 4:16-18.
Na rochosa ilha de Patmos o discípulo amado ouve a promessa: “Certamente cedo venho”, e em sua anelante resposta sintetiza a prece da igreja em toda a sua peregrinação: “Amém. Ora vem, Senhor Jesus.” Apocalipse 22:20.
Do calabouço, da tortura, da forca, onde santos e mártires testificaram da verdade, vem através dos séculos a voz de sua fé e esperança. Estando “certos da ressurreição pessoal de Cristo e, por conseguinte, de sua própria, por ocasião da vinda de Jesus”, diz um desses cristãos, “desprezavam a morte, e verificava-se estarem acima dela.” — O Reino de Cristo Sobre a
O Grande Conflito · Ellen G. White