Cristo A Igreja

Plano Encontro 2 Dia 174

Dia 174 ▾
Aa
Tamanho Fonte Tema

Leitura do livro

Atos dos Apóstolos, páginas 277-279

de Deus para salvar se fortalecera com os anos, até alcançar a prova suficiente de que não há possibilidade de fracasso para aquele que, avançando pela fé, ascende degrau a degrau, sempre para cima e para a frente, em direção ao último degrau da escada que alcança os próprios portais do Céu.

Por muitos anos estivera Pedro insistindo com os crentes sobre a necessidade do crescimento constante na graça e no conhecimento da verdade e agora, sabendo que logo deverá ser levado a sofrer martírio por sua fé, uma vez mais chama a atenção para os preciosos privilégios que estão ao alcance de todo crente. Com ampla certeza de fé, o idoso discípulo exorta os irmãos à firmeza de propósito na vida cristã. “Procurai”, suplica-lhes, “fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 1:10, 11). Preciosa garantia! Gloriosa é a esperança oferecida ao crente, ao avançar ele pela fé em direção às alturas da perfeição cristã!

“Pelo que”, continuou o apóstolo, “não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas ainda que bem as saibais, e estejais confirmados na presente verdade. E tenho por justo, enquanto estiver neste tabernáculo, despertar-vos com admoestações: Sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, como também nosso Senhor Jesus Cristo já mo tem revelado. Mas também eu procurarei em toda a ocasião que depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas” (2Pe 1:12-15).

O apóstolo estava bem qualificado para falar dos propósitos de Deus com respeito à raça humana; pois durante o ministério terrestre de Cristo ele vira e ouvira muito do que pertencia ao reino de Deus. “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas”, recordava ele aos crentes, “mas nós mesmos vimos a Sua majestade. Porquanto Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória Lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o Meu Filho amado, em quem Me tenho comprazido. E ouvimos esta voz dirigida do Céu, estando nós com Ele no monte santo” (2Pe 1:16-18).

No entanto, por convincente que fosse essa prova da certeza da esperança dos crentes, havia contudo outra evidência ainda mais convincente no testemunho da profecia, através do qual a fé de todos pode ser confirmada e ancorada com segurança. “E temos, mui firme, a palavra dos profetas”, declarou Pedro “à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2Pe 1:19-21).

Ao mesmo tempo que exaltava a “firme palavra dos profetas” como guia seguro em tempos de perigo, o apóstolo solenemente advertia a igreja contra a tocha da falsa profecia, que seria erguida por “falsos doutores”, os quais introduziriam encobertamente “heresias de perdição, e negarão o Senhor” (2Pe 2:1). Esses falsos mestres que apareceriam na igreja e seriam considerados verdadeiros por muitos de seus irmãos na fé,

são comparados pelo apóstolo a “fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento; para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva” (2Pe 2:17). “Tornou-se-lhes o último estado”, declarou ele, “pior do que o primeiro.” “Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado” (2Pe 2:20, 21).

Olhando através dos séculos para o fim do tempo, Pedro foi inspirado a esboçar as condições que prevaleceriam no mundo antes da segunda vinda de Cristo. “Nos últimos dias virão escarnecedores”, escreveu, “andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: Onde está a promessa da Sua vinda? Porque desde que os pais dormiram todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação” (2Pe 3:3, 4). Mas “quando disserem: Há paz e segurança; então lhes sobrevirá repentina destruição” (1Ts 5:3). Nem todos, porém, seriam enganados pelos ardis do inimigo. Ao aproximar-se o fim de todas as coisas terrestres, haveria fiéis capazes de discernir os sinais dos tempos. Conquanto um grande número de professos crentes negasse a sua fé por suas obras, haveria um remanescente que perseveraria até o fim.

Pedro conservou viva em seu coração a esperança da volta de Cristo, e assegurou à igreja a certeza do cumprimento da promessa do Salvador: “Se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para Mim mesmo” (Jo 14:3). Aos provados e fiéis a vinda de Cristo poderia parecer estar sendo demasiado dilatada, mas o apóstolo assegurou-lhes: “O Senhor não retarda a Sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a Terra, e as obras que nela há, se queimarão.

“Havendo pois de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade, aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Mas nós, segundo a Sua promessa, aguardamos novos céus e nova Terra, em que habita a justiça.

“Pelo que, amados, aguardando estas coisas, procurai que dEle sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz. E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada. ... Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza; antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo” (2Pe 3:11-18).

Na providência de Deus foi permitido a Pedro encerrar seu ministério em Roma, onde sua prisão foi ordenada pelo imperador Nero, aproximadamente ao tempo da última prisão de Paulo. Assim os dois apóstolos veteranos, que por muitos anos tinham estado separados pela distância, em seu trabalho, deviam dar seu último testemunho em prol de Cristo na metrópole do mundo, e sobre seu solo derramar o sangue como a semente de uma vasta colheita de santos e mártires.

Desde sua reintegração depois de haver negado a Cristo, Pedro enfrentara

denodadamente o perigo, e mostrara nobre coragem em pregar um Salvador crucificado, ressuscitado e assunto ao Céu. Agora em sua cela, recordava as palavras que Cristo havia falado a seu respeito: “Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos; e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras” (Jo 21:18). Assim fizera Jesus conhecer ao discípulo a própria maneira de sua morte, e predissera mesmo o estender de suas mãos sobre a cruz.

Pedro, como um estrangeiro judeu, foi condenado a ser açoitado e crucificado. Na perspectiva desta terrível morte, o apóstolo lembrou seu grande pecado em haver negado a Jesus na hora de Seu julgamento. Não preparado então para reconhecer a cruz, considerava agora uma alegria render a vida pelo evangelho, sentindo tão-somente que, para ele que negara seu Senhor, morrer da mesma maneira por que seu Mestre morrera, lhe era uma honra demasiado grande. Pedro havia-se arrependido sinceramente daquele pecado, e tinha sido perdoado por Cristo, o que se revelava pela alta missão a ele dada para alimentar as ovelhas e cordeiros do rebanho. Ele, porém, nunca pôde perdoar a si mesmo. Nem mesmo o pensamento das agonias da última e terrível cena puderam diminuir a amargura de sua tristeza e arrependimento. Como último favor, rogou aos seus algozes que fosse pregado na cruz de cabeça para baixo. O pedido foi atendido, e desta maneira morreu o grande apóstolo Pedro.

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

Abrir em sua própria página